Mostrando postagens com marcador Avô Fernandes Robert. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Avô Fernandes Robert. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 9 de agosto de 2016

ATUALIZAÇÃO - FAMÍLIA ROBERT


Fatos diversos sobre a construção da Estrada de Ferro do Paraná, trecho Paranaguá-Curitiba. A construção da estrada começou em 1880 e foi concluída em 1885. Jacques Robert (meu trisavô) e alguns membros de sua família, provavelmente, trabalharam na abertura do segundo trecho (na serra).
Sobre o trabalho de Jacques na ferrovia, leia aqui e aqui.
Mapa abaixo, do segundo trecho, na serra, daqui.



PROCURANDO EMPREITEIROS:
"A maior parte das obras foi realizada sob o sistema de empreitada, sob diversos arranjos com a empresa ferroviária ou com o empreiteiro principal. Havia empreiteiros grandes e pequenos, com alto volume de recursos ou com recursos escassos. As tarefas variavam desde a derrubada da mata, a preparação do terreno e do leito da estrada até a construção de pontes e viadutos." (Lamounier,pg. 266)


Jornal Dezenove de Dezembro, edição de 9 de junho de 1880, para ler na integra clique aqui.



COMPRANDO MATERIAIS: ... e pagando alguma coisa a mais ou a menos, ver o segundo recorte

O Paranaense, ed. 7 de agosto 1881

Noticiador, ed. 18 de maio 1882


CONTRATANDO TRABALHADORESQuem eram esses trabalhadores ?

"A suposição frequente de que o trabalho nas ferrovias se identifica com trabalho livre baseia-se em legislações aprovadas na primeira metade do séc. XIX referendadas posteriormente nos termos de concessões, que proibiam o emprego do trabalho escravo pelas empresas ferroviárias." (Lamounier, pg.47)
"Em seu último quartel (do séc. XIX), os planos e as políticas implementados no país buscavam promover a transformação das relações de trabalho tendo como base contratos de serviços e legislações repressivas, independentemente de os trabalhadores serem brasileiros, imigrantes  ou ex-escravos." (Lamounier,pg. 49)
Gazeta Paranense, 1882, ed. 182

Além dos trabalhadores locais, contratava-se trabalhadores de fora, brasileiros de outros estados ou estrangeiros.

Dezenove de Dezembro, 1885, ed. 92

O anúncio abaixo é posterior à construção do trecho Paranaguá-Curitiba (1880-1885), refere-se à construção de outro trecho ferroviário.  Repare como a busca por trabalhadores se dá em diferentes idiomas, o anúncio é direcionado também ao imigrante.

A República, Ctba,  13 set 1890



O ANDAMENTO DA OBRAS:

Trabalhos executados na estrada de ferro, referente ao primeiro semestre de 1882. Para ver na integra, clique aqui.

Gazeta Paranaense, 1882, ed. 216


A VIDA NO ACAMPAMENTO:

" ... a natureza do trabalho na construção criava mesmo uma atmosfera muito peculiar ... De um lado havia grande mobilidade, dada a necessidade de mudança de acordo com o andamento do trabalho, de outro, grande isolamento, pois viviam longe das cidades, separados da família e dos amigos, normalmente em regiões distantes, na fronteira. Trabalhando em grupos, vivendo juntos em acampamentos ao longo da linha, dividindo ansiedades, perigos, doenças, tudo isso ajudava a criar laços especiais, sobretudo diante das precárias condições de trabalho. A natureza e a severidade do trabalho (especialmente a escavação, a construção túneis e de pontes), assim como as diferenças étnicas e a pobreza geravam atritos dentro do grupo, o que pode ser provado pela preocupação constante de empreiteiros e engenheiros com a segurança nos acampamentos, a presença da polícia nos locais de trabalho atesta conflitos e situações de potencial violência em que os trabalhos de construção se realizavam." (Lamounier, pg. 122)
Abaixo, fotografia do acampamento de trabalhadores durante a construção da Estrada de Ferro São Paulo, 1865, trecho Santos-S.Paulo. Provavelmente, os acampamentos dos trabalhadores da contrução da ferrovia Paranaguá-Curitiba eram similares.

do álbum Vistas da Estrada de Ferro de S.Paulo, 1865, aqui


Noticiador, 21 de maio de 1882

Dezenove de Dezembro, 1884, ed. 252

"Trabalho duro e pesado, baixos salários que nem sempre eram pagos em dia, doenças infecciosas, precárias condições de moradia e alimentação nos acampamentos, obrigação de comprar por altos preços víveres nos armazéns das  ferrovias, inúmeras violências praticadas por feitores e vigias e fugas contínuas, ainda nos dias de hoje, a caracterizar a construção de grandes obras, como barragens, hidrelétricas e ferrovias no país." (Lamounier, pg. 264) 


A SAÚDE DOS TRABALHADORES:

" ... até em regiões serranas (referindo-se à construção ferrovia Antonina-Curitiba), contrariamente ao que se poderia esperar, diversas doenças "grassavam ali de foma espantosa, bastando dizer que para manter 3.400 homens em serviço foi necessário contratar 9.000, é que em certa ocasião estavam  nos hospitais, montados pelo empreiteiro, 5.800 homens"". (Lamounier, pg.259)

Gazeta Paranaense, 1882, ed 234

Sobre a visita do Presidente da Província (cargo correspondente a Governador de Estado) Carlos de Carvalho :

Dezenove de Dezembro, 1882, ed. 28

MUITO interessante, os trabalhadores pagavam ao empreiteiro pela assistência médica e o valor não era repassado integralmente à companhia ...

Dezenove de Dezembro, 1885, ed. 205


Gazeta Paranaense, 1882, ed. 216


As citações são do livro de Lamounier, Maria Lúcia - Ferrovias e Mercado de Trabalho no Brasil do Séc. XIX, São Paulo ; Edusp, 2012.

Os notícias de jornal estão disponíveis na  Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional.








terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

OS BUNDE EM CURITIBA

Curitiba em 1870
Foto e mais detalhes, clique aqui

A família Bunde era de origem rural desde a Pomerânia. Em Curitiba provavelmente não foi diferente. Quando subiu da colônia Dona Francisca (Joinville) para o planalto, entre 1872 e 1875, foi se instalar no rocio de Curitiba. No entanto, não foram colonos, ou seja, não tiveram lotes adquiridos com os incentivos do governo imperial.

Curitiba em 1876, por ocasião da chegada das famílias Gerber e Bunde. Acervo do Museu Paranaense.





"Typicos carroções introduzidos aqui no Paraná por colonos allemães."

Fonte: “Os allemães no Paraná – Esboço Histórico” de Ernesto Niemeyer, pg.69 e 45.

Em Curitiba, a comercialização dos horti-fruti era feita no Mercado Municipal, localizado onde atualmente é a  praça Generoso Marques.  Inaugurado em 1874 era novidade por ocasião da chegada da família Bunde, de Johann Gerber e da família Robert na cidade.




Na esquina do lado esquerdo, a casa Edith, inaugurada em 1879 e que funciona ainda hoje.



A partir de 1914 o Mercado deu lugar ao Paço Municipal (Prefeitura). No centro da foto abaixo, a estátua do Barão cercada por pessoas num provável comício, um palanque na frente da construção do novo edíficio que foi levantado  sobre a estrutura do antigo Mercado. Ao fundo as torres da Catedral. Foto sem data, aproximadamente 1912.




em 2012

A mesma praça (Praça Generoso Marques) com a estátua do Barão ao lado direito e o topo das torres da Catedral ao fundo do prédio mais baixo. Parte do piso do antigo Mercado pode ser vista no prédio do atual Sesc Paço da Liberdade, no Centro de Informação Digital, na Livraria e no Café do Paço.





Outras fotos de Curitiba, clique aqui e aqui.

E com essa postagem considero encerrada  a publicação da pesquisa sobre a família de minha mãe: Maria de Lourdes Robert.





terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

A FAMÍLIA DE CARL CHRISTIAN BUNDE

Carl Bunde chegou ao Brasil junto com Ferdinand Bunde, em 1869.  Desembarcou com a mulher Auguste e mais seis crianças: Friedrich com 21 anos, Albertine com 16 anos, Julius com 14 anos, Emilie com 12 anos, Albert com 8 anos e Alwine com 5.


1. Wilhelm Friedrich Ferdinand Bunde nascido em 31 de dezembro de 1847, em Koseeger, Kolberg-Körlin, Pomerânia. 
Precisou de licença militar para imigrar, veja aqui (lado esq). Sorte dele ano seguinte (1870) começaria a Guerra Franco-Prussiana.

Em dezembro de 1872 na Igreja Luterana de Joinville-Centro casou com Bertha Lasanke, nessa ocasião declarou que já residia em Curitiba. Bertha Lasanke nasceu dia 07 de setembro de 1847 na Pomerânia, filha de Ludwig e Friedrike. Foram padrinhos do casamento Ferdinand (ilegível) e Auguste Langesmann, veja aqui (pg. 89).




O casal teve os filhos: 
- Luize (nascida em São Francisco do Sul em 17.3.1871 ? e casada em Curitiba dia 04 de maio de 1889 com Leopoldino de Oliveira Franco, com quem teve Francisca, Alberto, Leopoldino, Jovina, Walfrido, Ernestina - todos batizados na Catedral de Curitiba).
- Albert (nascido em Curitiba dia 14.3.1873 e casado com Rosaline Schulz), cunhado de Leonard Robert, veja aqui.
- Marie Theresia (nascida em Curitiba dia 06.4.1875 e casada com Emil Póplon),
- Franciska (nascida em Curitiba dia 20.5.1878), 
- Helene (nascida em Curitiba dia 14.2.1881 e falecida em 28.8.1954) , 
- Carl Friedrich (nascido em Curitiba dia 17.2.1885 e casado com Adelhaide Born) e
- Ernest Ewald (nascido em Curitiba, dia 15.06.1887 e falecido em 1891, aqui)


2. Albertine Auguste Caroline, minha trisavó, em seu casamento na Igreja Luterana de  Curitiba em 1875,  o pastor anotou ser filha de Christian Bunde e de Sophie Krüger. 



Para saber mais sobre Albertine, seu marido e seus filhos, clique aqui e leia também as postagens seguintes.

Albertine

3. Julius Johann Carl Bunde nascido em Koseeger em 15 de junho de 1855, casou com Margarida Chyla em Curitiba, no cartório do Bacacheri, dia 30 de janeiro de 1892, veja aquiNa ocasião afirmou que  era filho de Carlos Ludovico Bunde e de Henriqueta Ulrica Caroline. 

No casamento ele declarou ser oleiro. Até hoje no bairro do Bacacheri existe um indústria cerâmica centenária, a Colle SA, Cerâmica São Marcos de 1871, para ver fotos, clique aqui e aqui.


Julius casou na Catedral de Curitiba com Margarida, dia 25 de janeiro de 1892, veja aqui, num casamento misto, onde declarou ser filho de Carlos e Carolina Bunde. (Que confusão de nomes !!)


Com Margarida, Julius teve ao menos 5 filhos:

Augusto, nascido em 11 de março de 1893,  casou com Rosa em 1914, veja aqui
Alvina, nascida em 4 de agosto de 1894
Anna, nascida em 23 de junho de 1896
Alberto, nascido em 1897 e falecido em SJP no ano de 1956, veja aqui
Bernardo Bunde nascido em ago 1909, aqui.


4. Caroline Emilie Wilhelmine, nasceu em 29 de janeiro de 1858. Hermann Bunde, nascido em 18 de outubro de 1880 e casado com Anna Weigert, é filho de Emílie Bunde, a confirmar.



5. Em 21 de março de 1875, na Igreja Luterana de Curitiba, Albert Friedrich Heinrich , nascido em 8 de junho de 1861, então com 14 anos de idade, fez a confirmação de seu batismo. Na ocasião o pastor registrou que era filho de Christian Bunde e Dorothee Sophie Krüger, os mesmos pais de Albertine, veja aqui.





Albert casou em Salto de Itú-SP pelas mãos do pastor Zink (itinerante) dia 26 de junho de 1885 com Anna Meta Auguste Kohlmann. Na ocasião declarou que era nascido em Koslin. Ele residia em Itú-SP na rua do Commércio ela em Salto-SP. O noivo declarou como pais Carl Bunde e Auguste Lilye. Veja o registro do casamento aqui (reg 317).


6. Alwine Auguste Henriette Bunde, nascida em 08 de maio de 1864.  Casou em Curitiba dia 21 de dezembro de 1884 com o tipógrafo Julius Koch. Julius era filho de Otto e Sophie geb. Schröder e nascido em 1865 na Bahia, veja aquiForam padrinhos do casamento, Leonardo da Silva Lopes e Georg Dechand. 

Ela faleceu em 16 de agosto de 1891 aos 27 anos de idade, veja aqui e aqui, de febre puerperal, deixando um filho, Otto (*14 de março de 1885, aqui). Julius faleceu em 26 de junho de 1926, veja aqui.



Os pais dos jovens acima faleceram em Curitiba. A mãe, Auguste (também Dorothee Sophie Henriette Ulrich Caroline !!) faleceu dia 30 de outubro de 1898, veja aqui, com 75 anos de idade, nascida portanto perte de 1823.

O nome da mulher de Carl Bunde é uma mistério. Em alguns documentos (da Igreja Luterana de Curitiba) aparece como Krüger, em outros (Casamento do filho Albert e na Permissão para Imigração, aqui ) aparece como Lilge. Parecido com Lilye, não ? Sobrenome da cunhada ... serão irmãs ?

Seu marido, Carl Christian Bunde  faleceu quase 6 anos depois, dia 29 de fevereiro de 1904, veja aqui e aqui, com 81 anos de idade, Carl era nascido em 2 de dezembro de 1823, veja aqui.

O filho mais velho de Carl Christian, Friedrich Bunde,  precedeu a todos na ida a Curitiba. Voltou para Joinville em 1872 a fim de celebrar seu casamento. A partir dessa data a família inteira se mudou para a capital paranaense, para saber quando e como, clique aqui e aqui.

Se você tiver fotos das famílias e quiser compartilhar, eu agradeço e muito ... :)

Foi indispensável para a organização das famílias de Carl Bunde e Ferdinand Bunde, o acesso às fichas de pesquisa do professor da UFPR, Sérgio Odilon Nadalin. Muito obrigada !

Obrigada Rubens, pelas fichas de Permissão de Imigração aqui.





terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

A FAMÍLIA DE FERDINAND BUNDE


Ferdinand Bunde desembarcou em 1869 com a mulher Caroline Lilye e 6 crianças. Desembarcaram com o casal a filha Wilhelmine com 16 anos, Wilhelm com 14, Carl com 12, Franz com 9, Johanne com 6 e Albert com 3 anos de idade.

Sophie Bunde, que na época contava com 62 anos de idade, nascida portanto em 1807, acompanhou o filho nessa jornada.

Caroline Lilye nasceu aproximadamente em 1829 e era de Semerow, Schiefelbein, Köslin, Pomerânia. Ela faleceu em Curitiba dia 04 de novembro de 1885, veja aqui.
Ferdinand nasceu aproximadamente em 1825 em Koseeger, Kolberg-Körlin, Pomerânia. Faleceu após sua mulher Caroline.
  
Os filhos do casal:

1. Wilhelmine Justine Friedrike, nascida em 1853 na Pomerânia. Wilhelmine casou em Curitiba dia 19 de outubro de 1878 com Christian Friedrich Vosgerau também nascido em 1853 e filho de Carl Johann Friedrich e Margaretha Catharine Dorothee geb. Gotsch. Foram padrinhos no casamento, Johann Vosgerau e Wilhelm Bunde  (irmão da noiva), veja aqui. Aqui a mãe da noiva é Caroline Lilye.

Christian Vosgerau foi declarante do óbito da sogra, Caroline Lilye, onde declarou ser pedreiro de profissão, aqui.

2. Wilhelm Bunde, nascido aproximadamente em 1855. Saiu de Curitiba e foi para Botucatu-SP onde casou na Catedral Sant'Ana em 07 de dezembro de 1886 com Benedikta Sauer, veja aqui. Provavelmente saiu de Curitiba em busca de trabalho na ferrovia, é interessante observar que em Botucatu existiu uma colonia de alemães. O casal teve ao menos 4 filhos, João (27.9.1887), Helena (23.2.1890), Eduardo (24.5.1893) e August. Wilhelm faleceu aos 44 anos de idade em Botucatu dia 10 de fevereiro de 1899. 

Um dos filhos do casal era August Bunde, nascido em Botucatu em 1892 (aproximadamente), ferroviário, casado em Itatinga-SP na Igreja São João Batista dia 06 de maio de 1916 com Joanna Marson veja aqui, falecido em Ourinhos-SP.

(Informações fornecidas por Rubens Damião, trisneto de Wilhelm, muito obrigada Rubens).


3. Carl Bunde, nascido aproximadamente em 1857.

4. Franz (ou Hans) Bunde, nascido em 05 de setembro de 1861, fez a confirmação (nº28) na Igreja Luterana de Curitiba em 09 de abril de 1876, veja aqui.

5. Johanna Bunde, nascida em 1862. Johanna casou na Igreja Luterana de Curitiba dia 18 de setembro de 1880 com Johann D. (Dellef ?) Vosgerau, nascido em ~1857, irmão e padrinho de casamento do marido de Wilhelmine Justine. Leia aqui

Duas irmãs casadas com dois irmãos. Wilhelmine Bunde & Christian Vosgerau e Johanna Bunde & Johann Vosgerau.

6. O último filho do casal Ferdinand Bunde e Caroline Lilye nascido na Pomerânia foi Albert. Nascido em 06 de julho de 1866.

Casou com Matilde Sauer, dia 30 de dezembro de 1893 na Paróquia de Sant'Anna em Botucatu, veja aqui e nessa pagina do site Geni. Uma  filha de Albert e Matilde, Josephina, nasceu em Botucatu dia 17 de novembro de 1895, veja aqui.

Mais dois irmãos casados com duas irmâs. Wilhelm Bunde & Benedita Sauer e Albert Bunde & Matilde Sauer.

7. Depois da chegada ao Brasil e ainda em Joinville, o casal teve mais uma menina. Em 24 de maio de 1872 nasceu Emilie Auguste Wilhelmine, que foi batizada na Igreja Luterana de Pirabeiraba em Joinville dia 16 de junho do mesmo ano, foram seus padrinhos Friedrich Bibow, Emilie Bunde (provavelmente a irmã de Albertine) e Bertha Bunde (a mulher de Friedrich). Na ocasião a família declarou residência em Piraythal. Veja aqui, reg, 203. 

Emilie casou dia 08 de julho de 1890 em Curitiba com o jovem Alwin Hermann Bräscher, nascido no Rio Grande do Sul em 1866, filho de Michel e Maria geb. Roth, foram padrinhos do casamento Abraham Glaser e Julius Koch, veja aqui.


Ferdinand e família mudaram da colônia Dona Francisca (Joinville) para Curitiba, para saber quando e como, clique aqui e aqui.



Foi indispensável para a organização das famílias de Carl Bunde e Ferdinand Bunde, o acesso às fichas de pesquisa do professor da UFPR, Sérgio Odilon Nadalin. Muito obrigada !




terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

A FAMÍLIA DE HEINRICH BUNDE


Heinrich Ernest Christoph nasceu aproximadamente no ano de 1823 e declarou no batismo de sua filha Anna em 1866, já no Brasil, que era nascido em Koseeger (atual Kozia Góra, na Polônia), no Kreis Kolberg-Körlin, na PomerâniaQuando mudou para o Brasil, Heinrich e família, residiam em Natztow (atual Nasutowo, Polônia), no kreis Belgard.

Desembarque de Heinrich no Brasil:

Navio: Franklin
Capitão: Benzin
Saída de Hamburgo: 25 de abril de 1861
Chegada na Colônia: 18 de julho de 1861
Destino: Dona Francisca e Blumenau
Passageiros: 199 (L) e 96 (J)
Nascimentos a bordo: 02
Falecimentos a bordo: 05

BUNDE, Anna: 57 anos, Becken, Prússia, casada, 3ª classe. (J e L)
BUNDE, Heinrich: 38 anos, lavrador, Natztow, Prússia, c/ mulher Friederike (34), filhos Friedericke (5), Auguste (2 ½ ), 3ª classe. (J e L)

Lista L – do embarque em Hamburgo
Lista J – entrada do imigrante na Colônia por ocasião do desembarque no porto de São Francisco do Sul


1. A filha mais velha de Heinrich Ernest, a pequena Wilhelmine Friederike Christine Bunde, nasceu dia 24 de abril de 1856 na Pomerânia. Casou com Karl Friedrich Ferdinand Schneumann e com ele teve os filhos: 
Richard (~1873, casado com Emília Schumacher), 
Albert Wilhelm August (1880), 
Ida Anna Emilie (1884), 
Otto (~1886, casado com Maria geb. Blank, filha de Laura geb. Jacobi), 
Franciska Bertha Wilhelmine (1889, casada com Wilhelm Karnopp), 
Emma (~1892 casada com Carl Miers). 


Foto sem data, na estrada Blumenau em Joinville-SC com Franciska Schneumann, o  marido Robert Karnopp e os filhos. Do lado direito a mãe de Robert (Wilhelm), Bertha Maria, acervo de Lucas A. Karnopp.

Wilhelmine Friederike Christine Schneumann geb. Bunde faleceu dia 16 de agosto de 1938 tendo sido sepultada no cemitério da Estrada de Blumenau.
Óbito de Friederike, www.familysearch.orgBrazil civil registration, Joinville, Joinville, óbitos 1938-1939, pp. 147-337

2. Sobre a segunda filha de Heinrich Bunde, Auguste, nascida no início de 1859 também na Pomerânia, não se tem notícias.

3. Em Dona Francisca nasceu mais uma filha, Alwine Rosete Wilhelmine, dia 06 de julho de 1862. Em 1876 na Igreja Luterana Joinville-Centro, Alwine Rosete fez a confirmação de seu batismo. Nesse sacramento declarou que residia na Berg strasse (Estrada do Morro). Em 12 de dezembro 1882 casou com Wilhelm August Daniel Braatz.

Em 24 de setembro de 1899 em Campinas dois filhos de Alwine e Wilhelm Braatz foram confirmados na fe luterana, Otto Friedrich August nascido em Joinville dia 19 de maio de 1884 e Richard Albert Gustav Carl nascido em 08 de abril de 1886, veja aquiEm novembro de 1931 faleceu em Campinas Otto Braatz, veja aqui.

Em 18 de janeiro de 1890 foi batizada na fé luterana em Campinas-SP a menina Martha Luiza Albertina Braatz, filha do comerciante Wilhelm Braatz e Alwine Bunde, nascida dia 10 de dezembro de 1889, veja aqui.

Em 18 de julho de 1892 nasceu mais uma menina em Campinas-SP Carolina Friederica Augusta, veja aqui.

4. Em seguida nasceu Anna Sophie Johanna, dia 04 de março de 1866, batizada em 21 de maio de 1866 na Igreja Luterana de Pirabeiraba, sendo padrinhos Heinrich Krüger, Johanna Trapp, Maria Klobin, Albert Retzlaff e Wilhelmine Schier.

Em 1869,  Friedrike Sophie Bunde geb. Behling (a mãe das meninas e esposa de Heinrich) faleceu, veja aqui (pg.6). Heinrich casou novamente com Marie Friedrike Christine Voss, nascida em 17 de janeiro de 1841 em Katzow, Greifswald, Stralsund. Com ela teve mais alguns filhos.

5. Emilie Caroline Johanne Bunde, nascida em 25 de janeiro de 1870, batizada em 30 de janeiro de 1870, sendo padrinhos, Caroline Bunde (provavelmente a mulher de Ferdinand Bunde), Anna Maria Habeck e Johann Voss.

6. Albert Heinrich Wilhelm, nascido em 02 de fevereiro de 1872 e batizado em 25 de fevereiro de 1872, sendo padrinhos Heinrich Bunes (talvez Bunde ?), Wilhelm Kuka e Albertine Bunde (minha trisavó, filha de Christian Bunde).

Albert não casou e residia na Berg strasse (Estrada dos Morros) quando faleceu dia 14 de dezembro de 1921 contava com 49 anos de idade. Foi sepultado  no cemitério da mesma estrada.
Para visualizar óbito de Albert, www.familysearch.orgBrasil, Civil Registration, Joinville, Joinville, óbitos fev/1921 a maio/1922, pp. 161/230

7. Em 30 de agosto de 1881 nasceu mais uma menina, Ida Johanna Friedrike, foi  batizada dia 27 de novembro do mesmo ano, na Igreja Luterana de Pirabeiraba em Joinville. Foram padrinhos, Friedrich Schulz, Johanna Vogelsanger, Emilie Voss.

Todos os batismos foram realizados na Igreja Luterana de Pirabeiraba – Joinville e até então Heinrich residia em Piraythal (vale do Piray) na Berg Strasse (estrada do Morro).

Em maio de 1917, residindo na Berg strasse (Estrada do Morro) faleceu Marie Friedrike Christine Bunde geb. Voss (a segunda esposa de Heinrich). Foi sepultada no cemitério da Estrada dos Morros, Annaburg, veja aqui.

A família de Heinrich Ernest Christoph Bunde não se transferiu para Curitiba, continuou a viver em Joinville.





terça-feira, 27 de janeiro de 2015

A VIAGEM DA FAMÍLIA BUNDE

Como já escrevi anteriormente, parte da família Bunde chegou ao Brasil em 1861 a bordo do navio Franklin.

E a outra parte, embarcou no porto de Hamburgo dia 10 de abril de 1869 no navio Eletric com 454 passageiros a bordo (!!). 


Se você quiser saber mais sobre esse veleiro, possuo um texto em pdf de autoria de Airton Mathias, "O veleiro americano US Eletric" que posso encaminhar.

Em 1869 embarcaram no porto de Hamburgo:


Lista de embarque de passageiros no navio Eletric no porto de Hamburgo em 10 de abril de 1869, daqui (parte).

Nessa viagem chegaram Ferdinand Bunde, com a mãe Sophie, a mulher Caroline e seis crianças e Carl Bunde com a mulher Auguste e mais seis crianças. Os dois casais mais a senhora Sophie desembarcaram em São Francisco do Sul com as 12 crianças, todas juntas e misturadas.


São Francisco do Sul - Santa Catarina

Lista de desembarque de imigrantes (parte), em Santa Catarina, disponível no Arquivo de Joinville (lista 45), 
Navio: Eletric, 
Lista L – do embarque em Hamburgo.
Lista J – entrada do imigrante na Colônia por ocasião do desembarque no porto de São Francisco do Su
Capitão: Peyn
Saída de Hamburgo: 10/04/1869
Chegada na Colônia: 31/05/1869
Destino: Dona Francisca e Blumenau

BUNDE, Ferd.: 40 anos (44 J), lavrador, ? (ilegível), Prússia, c/ mulher Caroline (44 L) (40 J), filhos Wilhelmine (16), Wilhelm (14), Carl (12), Franz (9), Johanne (6), Albert (3), mãe Sophie (62), protestantes, 3ª classe. (J e L)

BUNDE, Carl: 47 anos, lavrador, ? (ilegível), Prússia, c/ mulher Auguste (45), filhos Friedrich (21), Albertine (16), Julius (14), Emilie (12), Albert (8), Alwine (5), protestantes, 3ª classe. (J e L)

Saiu no jornal "Kolonie-Zeitung" dia 05 de junho de 1869:
"No dia 31 de maio, às 6 horas da tarde, chegou são e salvo no porto local, em São Francisco, o veleiro norte-alemão Elektrik, saído de Hamburgo em 11 de abril, com 454 emigrantes alemães, dos quaes 265 se destinam à Colônia local e 189 para Blumenau."
No mesmo jornal, Kolonie-Zeitung, na edição do dia 12 de junho de 1869, foi publicado o seguinte:
"Os 265 imigrantes, chegados a São Francisco a bordo do navio Elektrik, capitão Peyn, foram recebidos aqui nos dias 3 e 4 de junho. A maioria deles procede do norte da Alemanha, ou seja: 141 da Prússia, 10 da Saxônia, 4 de Braunscheig, 4 de Anhalt, 2 de Hambrugo, 1 de Sachsen-Weimar, ao todo 162 pessoas, o restante veio: 98 da Áustria (Boêmia), 4 da Baviera e 1 da França. Segundo a religião, são: 162 protestantes e 103 católicos; segundo a idade 184 acima de 10 anos, 60 de 1 a 10 anos e 21 lactentes. Fizeram uma viagem tão tranquila quanto rápida e quase não houve queixas quanto ao tratamento e à alimentação a bordo, ao contrário, todos com quem tivemos a oportunidade de falar não se cansavam de elogiar, principalemente o comportamento gentil e humano do capitão Peyn. Durante a viagem morreram 10 crianças pequenas, a maioria devido à inflamação de garganta, e uma mulher em virtude de parto difícil; em contrapartida, nasceram quatro crianças. ..."

"... Depois da chegada no Porto de São Francisco, os imigrantes, inclusive suas bagagens, são transferidos para Joinville, por barcos da Colônia, sem custo algum. direção da Colônia se responsabiliza pelo transporte de toda a bagagem - desde que esta seja registrada nos documentos - do navio até o armazém de carga de Joinville. Lá, será guardada até que os proprietários venham buscá-la. Durante os primeiros quatro dias, os imigrantes receberão alimentação (ilegível no original) nos restaurantes locais e hospedagem livre nas casas de recepção pelo menos durante os primeiros três meses. Durante um ano receberão atendimento médico gratuito e em caso de necessidade, internação e atendimento em hospital, mesmo não tendo recursos para tal... "

Da Pasta Documentos Alemães do Arquivo de Joinville, daqui.







Existe um passeio de barco saindo do porto de Joinville, passando pela Baía de Babitonga até São Francisco do Sul. O passeio é com o barco Príncipe, e algumas vezes tem promoções em sites de compras coletivas, com preços bastante razoáveis, veja aqui.

Fontes: 
Böbel, Maria Theresa e outra – Joinville – os pioneiros: documento e história, Ed. Univille, 2001
Jahnel, Cláudia B.I.R. - O arquivamento do eu, UFPR, 2002.
Imagem 1 - São Francisco, por Debret, 1827, acervo dos Museus Castro Maya, do Rio de Janeiro
Imagem 2 - São Francisco do Sul, daqui, interessante projeto !!
Imagem 3 - São Francisco do Sul, atual, panoramio
Imagem 4 - São Francisco do Sul, atual, fotógrafo Ademar Rocha, daqui.