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terça-feira, 21 de junho de 2016

MEU GROSSPAI WILLI

Depois de 1915 e já com 9 filhos, a família de Ernesto Capozza mudou para a cidade de São Paulo, onde nasceram outras tantas crianças. 

Dez anos depois (14.fev.1925) minha avó Luiza, uma das filhas de Ernesto,  casaria com o alemão Willi Jablinski.

Na página do Facebook da Embaixada da Alemanha - Brasília, no projeto Nós contamos a sua História, foi publicado um texto de minha autoria, sobre o meu avô Willi  (veja aqui), que segue abaixo, com correções:

"Sim, minha família é de origem alemã. Alemães de várias épocas e de vários lugares, alemães com histórias e vidas muito diferentes.  
Os mais antigos no Brasil foram Wilhelm Behringer e Raimund Jacobi, chegados em 1852 para trabalhar em fazendas de café no vale do Paraíba fluminense. Depois chegaram outros. Colonos em Dona Francisca (Carl Gerber chegado em 1859 e Christian Bunde em 1869) e em Blumenau (Hermann Rühee chegado em 1864). Por fim, o último, que chegou em 1920 no Rio de Janeiro, meu avô paterno, que me deu o nome e o lugar de nascimento. Tudo bem, eu confesso ... sou descendente de outros tantos italianos e franceses.
Meu avô Willi Jablinski era nascido em 1895 na cidade de Thorn na Prússia Oriental, atualmente Tórun na Polônia. De Thorn a família mudou para Berlim nos últimos anos do séc. XIX. (Quando Willi tinha no máximo 5 anos).
Ele participou da I Guerra Mundial, de março de 1915 a abril de 1918, no 88º Regimento de Infantaria de Mainz. Deu baixa poucos meses antes do final da guerra, ferido por um estilhaço de granada que o cegou num dos olhos."
A partir de informações da sua Caderneta Militar, Willi participou da guerra lutando em Riga e depois Romênia, em Sibiu, Persani, Brasov, Bran e Pitesti. Sobre a Romênia na IGG leia aquiaqui e aqui.

Dia a dia na I GG, aqui.

Nomes em língua alemã para cidades na Transilvânia, Romênia, veja aqui.


"A guerra terminou em dezembro de 1918 e no dia 05 de maio de 1920 ele embarcava em Amsterdam no navio Gelria com destino ao Rio de Janeiro, dia 25 chegava ao seu destino. Trouxe na bagagem, entre outras coisas, o livro Verdun, o Album von Berlin e duas gravuras de Schubert e Beethoven, recordações da sua Berlim que sem saber, nunca mais veria."

A foto abaixo é daqui. Para saber mais sobre o vapor, leia aqui e aqui
"Todo o resto da família de Willi, irmãos e pais, ficou em Berlim, ele imigrou só, completamente só. Veio contratado pela Heydenreich Gebrüder para trabalhar na "Casa Allemã", loja que vendia tecidos, móveis, artigos de decoração, etc., localizada na rua da Carioca no centro do Rio de Janeiro. A empresa também possuia sedes em São Paulo, Santos, Campinas.   
 Por um período meu avô trabalhou na sede de São Paulo, onde conheceu minha avó Luiza, filha de imigrantes italianos. Casou, retornou para o Rio de Janeiro, fez família e no Brasil ficou."  
                  
 Oficina da "Casa Allemã" na rua Quirino de Andrade, em São Paulo. Na época a loja da "Casa Allemã" era na rua Direita. Como meu avô era marceneiro, acredito que trabalhava na oficina. Para saber mais sobre a Casa Allemã, leia aqui e aqui

Atualmente, onde era a  oficina da "Casa Allemã" está o edifício Brasilar, próximo ao Largo da Memória, no centro de São Paulo.




"No Rio de Janeiro, ele tinha sua própria marcenaria, uma pequena fábrica de móveis que sustentou a família por muito tempo, mesmo depois de sua morte. Inicialmente no Botafogo, depois em Copacabana, onde a família morava."

"Em 1943, no auge da II Guerra, meu avô faleceu vítima de um AVC, aos 48 anos de idade, meu pai tinha 15 anos."

"Eu pouco soube sobre a participação dele na I Guerra e menos ainda sobre a vida de seus familiares na Berlim da II Guerra. Só recentemente, com a transcrição e tradução de algumas cartas, antigos tesouros escondidos escritos em sütterlin, conheci um pouco mais sobre a vida, pensamentos e preocupações dessa família berlinense que, além de tudo, também foi dividida pelo muro. 
Meu avô deixou um casal de filhos, uma família que pouco a pouco cresce e se espalha: Rio de Janeiro, Ubatuba, São Paulo, Curitiba e Lima no Perú. Uma família que infelizmente não conheceu e para quem, certamente, contaria histórias emocionantes."

Grosspai: coisa da familia Mann, ver em Terra Mátria: a família de Thomas Mann e o Brasil, de Frido Mann e outros.









terça-feira, 19 de janeiro de 2016

A VIAGEM DE ERNESTO CAPOZZA




Porto de Nápoles, final do séc. XIX, daqui.

Meu único ancestral que não descobri o navio de chegada !

Ernesto Capozza não se alojou na Hospedaria dos Imigrantes de São Paulo por ocasião de sua chegada ao BrasiL. Então, provavelmente, ele imigrou espontaneamente, pagando sua passagem  e não através da Sociedade Promotora de Imigração. Isto  dificulta a pesquisa nas listas desembarque no porto de Santos, que deverão ser olhadas uma a uma ... mais ou menos como procurar uma agulha no palheiro. Alguns pesquisadores consideram caso perdido encontrar o desembarque de imigrantes que não pararam na Hospedaria.

Em todo o caso, as listas de desembarque no porto de Santos, estão disponíveis para consulta aqui.

Antônio Capozzi, em carta ao jornal Cidade de Taquaritinga no ano de 1981 (na integra aqui), conta que o pai Ernesto teria imigrado da Itália, em 1896 em companhia de seu amigo Giacomino Pagliuso. Veja abaixo:


No entanto, corre pela família, que Ernesto teria imigrado a chamado de um amigo e não em companhia dele.

De fato, Giacomino Pagliuso imigrou aos 29 anos de idade, chegou em 21 de setembro de 1891 com um irmão e um sobrinho, indo para a cidade de Ribeirãozinho (Taquaritinga), veja aqui. Era nascido em Cosenza (100 km de Scandale) em 1862. Para saber mais sobre Giacomino Pagliuso, clique  aqui. Abaixo foto de Giacomino do livro Cem anos de Tradição de Luiz Carlos Beduschi.  Em 1891, Ernesto Capozza ainda estava em Scandale.


Alguns anos depois chegaram Seraphina e Arthur Pagliuso, mulher e filho de Giacomino, veja aqui. Também ela não se alojou na Hospedaria dos Imigrantes.  Penso na possibilidade de Ernesto Capozza, Seraphina e Arthur terem vindos juntos da Itália (informação corrente na família de Ernesto, a confirmar).

Em 1896, Giacomino Pagliuso morava em Ribeirãozinho. Nesse ano, a Câmara de Vereadores da cidade, propôs o nome da rua Bernardino Sampaio (centro) na Ata de 17 de dezembro.
 "... a rua que atravessa o largo da Matriz onde estão as casas de José Domingues da Silva, Jacomino Palhuço e Manoel Machado, rua Bernardino Sampaio ... " leia aqui
Então, provavelmente assim que chegou em  Ribeirãozinho, Ernesto se instalou na casa de seu amigo Giacomino na rua Bernardino Sampaio.

Em 1906, o Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial cita um Giacomino Pagliuso, fazendeiro em Taquaritinga, veja aqui.  Será que era ele o proprietário da Fazenda Grama em que viveu Ernesto com a família?? (a pesquisar).

Giacomino deixou Taquaritinga em 1917; Ernesto, neste mesmo período, entre 1915-1917. Coincidência ? Ou não ? (a pesquisar).









terça-feira, 13 de outubro de 2015

A VIAGEM DE EMMANUELE COSENTINO, TIO DE AGNESE

Emanuelle Cosentino era irmão de Calógera, minha trisavó, portanto tio de Agnese (Inês) Siggia Capozzi.  Ele chegou ao Brasil um mês antes de Calógera, em setembro de 1897.



Emmanuele era viúvo, viajou com os filhos e um sobrinho. Veio a bordo do vapor Minas, que saiu de Nápoles dia 27 de agosto de 1897 e chegou ao Brasil dia 18 de setembro de 1897, cerca de 22 dias depois.


Com Emmanuel, de 50 anos, vieram seus filhos;

Maria Cosentino, 23 anos, nascida em fevereiro de 1874, veja aqui.
Calógero, 20 anos, nascido dia 26 de setembro de 1877, veja aqui.
Francesca, 16 anos, nascida dia 10 de maio de 1881, veja aqui.
Giuseppe, 13 anos, nascido dia 13 de dezembro de 1884, veja aqui
Angela, 8 anos, nascida dia 9 de janeiro de 1889, veja aqui.
e o sobrinho Diogo (ou Diego), de 30 anos, nascido cerca de 1867.

Emmanuele nasceu dia 25 de dezembro de 1847 em Siculiana e foi casado com Maria Antonia Santalucia, com quem teve os 5 filhos. Era sapateiro por profissão.

No desembarque do vapor (foto acima) consta como local de trabalho a fazenda de Telles (?), nada mais. A entrada dele na Hospedaria dos Imigrantes no Brás não especifica  o local de trabalho de Emmanuel Cosentino, consta como destino final a capital do Estado, veja aqui e aqui. Será a fazenda dos descendentes de  Antônio de Queiroz Telles, Conde de Parnaíba, o filho do Barão de Jundiay, da cidade de Jundiaí ?? Veja aqui, (a pesquisar).

O vapor Minas atracado no porto de Santos, foto daqui.





terça-feira, 28 de julho de 2015

A VIAGEM DA FAMILIA SIGGIA


A família de Giuseppe Siggia embarcou no porto de Nápoles, no navio San Gottardo, em 16.09.1897, com mais 904 italianos (total 912 imigrantes). Chegou ao porto de Santos em 08.10.1897, 22 dias depois. Giuseppe mais a mulher Calógera, mais 5 filhos entre 3 e 20 anos, entre eles Agnesa, e mais uma sobrinha de 23 anos. 

A sobrinha Rozario Siggia pode ser esta aqui, nascida em Siculiana dia 7 de novembro de 1873, filha de Maria Latera e Serafino Siggia.

Desembarque da família no porto de Santos (parte):



Veja a lista completa aqui, os Siggia estão na pg 18. Nesse mesmo navio vieram 5 famílias de Siculiana, entre elas Gagliano, Graceffo, Tacci, ... cerca de 30 pessoas.


sem data, o navio San Gottardo chegando em Santos

1939 - Lasar Segall - Navio de imigrantes - aqui
" ... a partir de 1885 o número de italianos procurando passagem para o Rio de Janeiro ou Santos começou a se tornar importante, o que levou muito naturalmente as poucas armadoras italianas a fazerem escalar mais freqüentemente seus navios nesses dois portos. 
Em 1888, a La Veloce estabeleceu uma linha específica para o Brasil, servida por quatro vapores de pequenas dimensões: o Carlo R, o Fortuna R, o Regina e o San Gottardo." Daqui

Mais sobre o vapor San Gottardo, leia aqui e aqui.

Quer saber como eram as viagens transatlânticas desses imigrantes para o Brasil ? Clique aqui, livro de Angelo Trento, "Do outro lado do Atlântico",  procure pg. 44 e seguintes.

Desembarcaram. Olha o Giuseppe lá .... no meio da multidão, olhando pra esposa Calógera, contando as crianças, assustado com o calor abafado e úmido ....

De  Santos, numa maria-fumaça da The São Paulo Railway Company, a família subiu a serra. Já em São Paulo, se instalou, num primeiro momento, na Hospedaria dos Imigrantes, na Estação Braz. O check-in na hospedaria está aqui, o original aqui (em vez de Gioberto, leia-se Giacinto !!).



A Hospedaria dos Imigrantes foi construída pela Sociedade Promotora de Imigração, essa mesma sociedade foi responsável pela construção de um ramal ferroviário, a estação Braz que era exatamente ao lado da própria Hospedaria. 

Ela recebia os recém chegados, era misto de pouso e agencia de empregos. Os imigrantes eram assediados por todos os lados pelos representantes dos grandes fazendeiros de café do interior paulista, que buscavam a mão de obra mais barata possível para seus patrões. 

Para saber mais sobre a Hospedaria dos Imigrantes de São Paulo, clique aqui e aqui.

Outras fotos da hospedaria, aqui.

O site do Museu da Imigração, que está localizado no prédio da Hospedaria, é este aqui.  Se você ainda não conhece o Museu, sugiro um passeio ... vale a pena !!!


Hospedaria dos Imigrantes, SP, 1905, Wikipedia





Organograma sem data, disponibilizado por
O. Massucato no grupo Facebook Memória Paulista


terça-feira, 27 de janeiro de 2015

A VIAGEM DA FAMÍLIA BUNDE

Como já escrevi anteriormente, parte da família Bunde chegou ao Brasil em 1861 a bordo do navio Franklin.

E a outra parte, embarcou no porto de Hamburgo dia 10 de abril de 1869 no navio Eletric com 454 passageiros a bordo (!!). 


Se você quiser saber mais sobre esse veleiro, possuo um texto em pdf de autoria de Airton Mathias, "O veleiro americano US Eletric" que posso encaminhar.

Em 1869 embarcaram no porto de Hamburgo:


Lista de embarque de passageiros no navio Eletric no porto de Hamburgo em 10 de abril de 1869, daqui (parte).

Nessa viagem chegaram Ferdinand Bunde, com a mãe Sophie, a mulher Caroline e seis crianças e Carl Bunde com a mulher Auguste e mais seis crianças. Os dois casais mais a senhora Sophie desembarcaram em São Francisco do Sul com as 12 crianças, todas juntas e misturadas.


São Francisco do Sul - Santa Catarina

Lista de desembarque de imigrantes (parte), em Santa Catarina, disponível no Arquivo de Joinville (lista 45), 
Navio: Eletric, 
Lista L – do embarque em Hamburgo.
Lista J – entrada do imigrante na Colônia por ocasião do desembarque no porto de São Francisco do Su
Capitão: Peyn
Saída de Hamburgo: 10/04/1869
Chegada na Colônia: 31/05/1869
Destino: Dona Francisca e Blumenau

BUNDE, Ferd.: 40 anos (44 J), lavrador, ? (ilegível), Prússia, c/ mulher Caroline (44 L) (40 J), filhos Wilhelmine (16), Wilhelm (14), Carl (12), Franz (9), Johanne (6), Albert (3), mãe Sophie (62), protestantes, 3ª classe. (J e L)

BUNDE, Carl: 47 anos, lavrador, ? (ilegível), Prússia, c/ mulher Auguste (45), filhos Friedrich (21), Albertine (16), Julius (14), Emilie (12), Albert (8), Alwine (5), protestantes, 3ª classe. (J e L)

Saiu no jornal "Kolonie-Zeitung" dia 05 de junho de 1869:
"No dia 31 de maio, às 6 horas da tarde, chegou são e salvo no porto local, em São Francisco, o veleiro norte-alemão Elektrik, saído de Hamburgo em 11 de abril, com 454 emigrantes alemães, dos quaes 265 se destinam à Colônia local e 189 para Blumenau."
No mesmo jornal, Kolonie-Zeitung, na edição do dia 12 de junho de 1869, foi publicado o seguinte:
"Os 265 imigrantes, chegados a São Francisco a bordo do navio Elektrik, capitão Peyn, foram recebidos aqui nos dias 3 e 4 de junho. A maioria deles procede do norte da Alemanha, ou seja: 141 da Prússia, 10 da Saxônia, 4 de Braunscheig, 4 de Anhalt, 2 de Hambrugo, 1 de Sachsen-Weimar, ao todo 162 pessoas, o restante veio: 98 da Áustria (Boêmia), 4 da Baviera e 1 da França. Segundo a religião, são: 162 protestantes e 103 católicos; segundo a idade 184 acima de 10 anos, 60 de 1 a 10 anos e 21 lactentes. Fizeram uma viagem tão tranquila quanto rápida e quase não houve queixas quanto ao tratamento e à alimentação a bordo, ao contrário, todos com quem tivemos a oportunidade de falar não se cansavam de elogiar, principalemente o comportamento gentil e humano do capitão Peyn. Durante a viagem morreram 10 crianças pequenas, a maioria devido à inflamação de garganta, e uma mulher em virtude de parto difícil; em contrapartida, nasceram quatro crianças. ..."

"... Depois da chegada no Porto de São Francisco, os imigrantes, inclusive suas bagagens, são transferidos para Joinville, por barcos da Colônia, sem custo algum. direção da Colônia se responsabiliza pelo transporte de toda a bagagem - desde que esta seja registrada nos documentos - do navio até o armazém de carga de Joinville. Lá, será guardada até que os proprietários venham buscá-la. Durante os primeiros quatro dias, os imigrantes receberão alimentação (ilegível no original) nos restaurantes locais e hospedagem livre nas casas de recepção pelo menos durante os primeiros três meses. Durante um ano receberão atendimento médico gratuito e em caso de necessidade, internação e atendimento em hospital, mesmo não tendo recursos para tal... "

Da Pasta Documentos Alemães do Arquivo de Joinville, daqui.







Existe um passeio de barco saindo do porto de Joinville, passando pela Baía de Babitonga até São Francisco do Sul. O passeio é com o barco Príncipe, e algumas vezes tem promoções em sites de compras coletivas, com preços bastante razoáveis, veja aqui.

Fontes: 
Böbel, Maria Theresa e outra – Joinville – os pioneiros: documento e história, Ed. Univille, 2001
Jahnel, Cláudia B.I.R. - O arquivamento do eu, UFPR, 2002.
Imagem 1 - São Francisco, por Debret, 1827, acervo dos Museus Castro Maya, do Rio de Janeiro
Imagem 2 - São Francisco do Sul, daqui, interessante projeto !!
Imagem 3 - São Francisco do Sul, atual, panoramio
Imagem 4 - São Francisco do Sul, atual, fotógrafo Ademar Rocha, daqui.

           


terça-feira, 9 de setembro de 2014

A VIAGEM DOS GERBER


Em 31 de outubro de 1857, a família Gerber saía de Hamburgo na Alemanha rumo a colônia Dona Francisca (Joinville) no Brasil, a bordo do navio Emma. 

Viajaram o pai Carl August com 37 anos, a mulher Sophie com 44 anos de idade no final da gravidez, os meninos Carl com 11 anos, Johann Friedrich com 10 anos e Ferdinand com 6 anos e a jovem enteada Johanne Louise Brietzig com 21 anos de idade, veja aqui.

Comparando-se com as demais travessias transatlânticas, a dos Gerber foi relativamente rápida e tranquila, durou 49 dias, segundo o capitão. Segundo os dados do desembarque, a viagem teria durado 73 dias (a confirmar).

A família chegou a colônia dia 12 de janeiro de 1858 e desembarcou dia 13, no porto da cidade de São Francisco do Sul.


O capitão do navio, senhor Friedrichsen, em 1893 escreveu uma carta ao jornal joinvillense “Kolonie Zeitung” onde disse que :
“Esta foi, entre as minhas viagens, a mais inesquecível porque todos eram dos melhores e mais bravos passageiros; quantos dias alegres e divertidos convivemos sobre o oceano naquele período! Após 49 dias de viagem, chegamos em 12 de janeiro de 1858 no Rio de São Francisco, após uma viagem bem-sucedida. Após me despedir dos passageiros com fortes apertos de mãos, e desejar a todos uma boa sorte na nova caminhada, que a eles todos o futuro reservasse o melhor, e que todos os seus desejos e esperanças fossem alcançados na nova pátria, e em muito mais do que haveriam por desejar, vi meus queridos passageiros, os novos colonizadores, partindo rio acima em direção a Colônia.” (Böbel, pg.239)
O navio ancorava no porto da cidade de São Francisco do Sul (foto acima), os imigrantes iam de bote até a região da colônia Dona Francisca, rio acima (foto abaixo),
"... Depois da chegada no Porto de São Francisco, os imigrantes, inclusive suas bagagens, são transferidos para Joinville, por barcos da Colônia, sem custo algum. A "direção da Colônia se responsabiliza pelo transporte de toda a bagagem - desde que esta seja registrada nos documentos - do navio até o armazém de carga de Joinville. Lá, será guardada até que os proprietários venham buscá-la. Durante os primeiros quatro dias, os imigrantes receberão alimentação (ilegível no original) nos restaurantes locais e hospedagem livre nas casas de recepcão pelo menos durante os primeiros três meses. Durante um ano receberão atendimento médico gratuito e em caso de necessidade, internação e atendimento em hospital, mesmo não tendo recursos para tal... "
  Da Pasta Documentos Alemães do Arquivo de Joinville, daqui



Porto de Joinville no final do séc. XIX, no rio Cachoeira. Essa e outras fotos, daqui.

Böbel, Maria Teresa - Joinville - os pioneiros: documento e história, Joinville, Univille

terça-feira, 19 de novembro de 2013

DOCUMENTOS DE JACQUES ROBERT NO BRASIL


1. Referência de chegada do navio "Le Bordelais" com imigrantes franceses ao Paraná, em novembro de 1872. Jacques Robert  pode ou não ter feito essa viagem (a confirmar).


"Rio de Janeiro,  Ministério dos Negócios da Agricultura, Commércio e Obras Públicas, em 16 de Novembro de 1872.
Illmo. Exmo. Snr.
Autorizo V.Exa. a conceder a cada uma das famílias de immigrantes franceses, vindos de Marseille a bordo do navio "Le Bordelais" e estabelecidos na colônia do Assunguy, uma vacca de leite segundo a promessa que lhes foi feita por intermédio da Agência Official da Colonização em virtude do Aviso d'este Ministério de 16 de Agosto do corrente anno.
Deus guarde a V.Exa.
(ass) Francisco do Rego Barros Barretos
Snr. Presidente da Província do Paraná"


2. Documento que relaciona Jacques Robert e família ao navio "Le Bordelais" e ao porto de Marselha, equivocadamente o documento cita o nome do navio como "Bordetet". 


"Illmo. e Exmo. Snr. Dr. Preside. da Província
à Thesouraria da Fazenda, Palácio da Presidência do Paraná, em 16 de Janeiro de 1875.
Frederico Abranches
Robert Jacque, subdito Francez  estabelecido na colônia Argelina, tendo sido engajado como colono na Europa e vindo na "Bordetet" , tem por isso direito a quantia de 5$000 r. valor de uma vacca  e como até hoje não tenha recebido a dita quantia vem por isso solicitar a V.Exa. se digne a ordenar o respectivo pagamento do que.
Curityba, 22 de janeiro de 1875.
(ass) Robert, Jacque
ERMa."


3. Carta em que Jacques Robert solicita pagamento auxílio  financeiro e insumos para a lavoura, conforme o artigo 30 e 31 do decreto 3784, de 19 de janeiro de 1867, veja aqui

.


"Illmo. Exmo. Snr. Presidente da província
À Thesouraria da Fazenda para informar. Palácio da Presidência do Paraná, em 6 de Dezembro de 1873.
Frederico Abranches
Robert, Jacques, immigrante francez estabelecido na colônia Argelina, onde pretende residir perpetuamente com sua família que se compõe de seis mebros: elle supplicante, sua mulher de nome Marie Louise, de seu filho Leonard de onze annos e maio de idade, de sua filha Caroline de dez annos e meio, de seu filho Joseph e de Julie estes dois últimos menores, vem humildemente  informar sua Exma. que elle e sua mulher receberão já a quantia abonada pelo artigo 30 do regulamento das colônias do Governo, mas que aos filhos Leonard e Caroline forão esquecidos. Por esse motivo o supplicante vem respeitosamente requerer à V.Exa. lhe conceda os favores do dito artigo, mandando  V.Exa. que pela Thesouraria de Fazenda se lhe dê 20$000 por cada um dos seos dois filhos maiores, e bem assim por elle supplicante e os dois filhos acima, os instrumentos agrários próprios para horticultura.
Elle julga que os seguintes serião sufficientes, para elle e os membros maiores de sua família, à saber:
Tres machados
Tres alviões
quatro enxadas
Tres pás
Tres cortadeiras
Um serrote 
dois martellos: um grande e um menor
dois formões: um grande e um menor
e também as sementes necessárias à plantação do mez de Janeiro próximo.
Nestes termos,
Pa. Va. Exa. se digne de o deferir com a justiça que costuma de que
E.R.Ma.
Curitiba, 11 de Dezembro de 1873.
(ass) Robert, Jacques
Deferido com a ordem desta data, Palácio da Presidência do Paraná, em 5 de Maio de 1874.
Frederico Abranches
Informar a contadoria (ilegível)."

4.  Índice do livro-caixa da colônia Argelina, Jacques Robert é o imigrante n° 48.


5. Folha deve/haver de Jacques Robert no livro-caixa da colônia Argelina e primeira referência encontrada do imigrante no Brasil.


"DEVE,
9 Setembro 1873, gratificação para si e sua mulher, 40$000
7 Maio 1874, idem à seus dois filhos, 40$000
7 Maio 1874, importância à sementes e lavoura, 86$600
8 Junho 1874, importância da casa n° 16, 300$000
8 Junho 1874, lotes de campo e floresta, n° 16 e n° 6, 137$000
Debita-se-lhe pelos favores concedidos a Agier Michel na qualidade de seu substituto, 885$544
Adiantamento na Suissa, 540 fr. sendo 330 fr. pela passagem e 210 fr. como (ilegível), 216$000
Dito em Marseille 612,50 fr., 245$000

HAVER"
em branco

Todos os documentos acima fazem parte do acervo do Arquivo Público do Paraná.

6. Abaixo-assinado agradecendo a concessão de terras, datado de 25 de outubro de 1875, disponível on-line aqui. Publicado no jornal Dezenove de Dezembro, edição 1652, de 27 de outubro de 1875.



quarta-feira, 30 de outubro de 2013

JACQUES ROBERT NO BRASIL

Entre 1872 e 1873 partiu do porto de Marselha na França, o vapor “Le Bordelais”. A bordo estava a família Robert, que se dirigia à cidade de Curitiba (a confirmar, não encontrei listas de embarque e desembarque).

na verdade "Le Bordelais", acervo do Arquivo Público do Paraná


Porto de Marselha, 1754,
a partir da série "Vues des ports de France" de Vernet

A primeira referência de Jacques Robert em Curitiba é de setembro de 1873, no Livro-caixa da Colônia Argelina, ou seja, nesta data,com certeza, ele já estava no Brasil.



O único documento encontrado no Arquivo Público do Paraná que cita o vapor "Le Bordelais" é referente a uma viagem realizada em final de 1872 com colonos franceses para a colônia Assunguy (Cerro Azul). Jacques pode ou não ter feito essa viagem. Penso na possibilidade dele ter sido relocado para Curitiba na sua chegada ao Brasil (a confirmar).




Todos os documentos fazem parte do acervo do Arquivo Público do Paraná.
Em 12 de setembro de 1872 estava atracada no porto do Rio de Janeiro a barca Bordelais vinda de Marselha sob comando do capitão D. Gorlandris, veja aqui. Será esta barca nesta viagem que trouxe a família Robert para o Brasil ?
Jacques e Marie Louise Robert sairam de Saint-Etiènne e chegaram em Curitiba com  três dos quatro filhos que tiveram na França: 
  • O mais velho, Leonard  com 9 anos,
  • Caroline com 8 anos (a outra gêmea, Marie Catherine, não veio ao Brasil),
  • o pequeno Joseph com 2 anos.
A pequena Marie Catharine, gêmea de Caroline, provavelmente faleceu antes de chegar em terras brasileiras. Não encontrei seu óbito em Saint-Etiènne, a menina pode ter falecido em Marseille ou mesmo à bordo, coisa bastante comum.

Jacques não veio  espontâneamente para o Brasil, ou seja, ele não imigrou por conta própria. Ele foi engajado na Europa e veio com um contrato pré-acertado que incluia a aquisição de um lote de terras e alguns itens para trabalho na lavoura, nesse caso na Colônia Argelina, em Curitiba.

Minha mãe contava que Jacques Robert veio acompanhado com um irmão, será este ? Assunto a pesquisar, Colonos cujo destino se ignora. Arquivo Público do Paraná, livro códice 421 (1874).



Quando Jacques chegou ao Brasil a regulamentação da imigração era feita pelo Decreto 3784, de 19 de janeiro de 1867. Para ler o decreto na integra, clique aqui.




Para saber um pouco mais sobre o que é uma "colônia", seus objetivos e estruturas, clique aqui.

Assim era Curitiba em 1863, 10 anos antes da chegada da família Robert:


Em 1863 possuia apenas 242 casas sendo 10 de sobrado, a rua do Commércio (vertical, a esquerda) é a atual Mal. Deodoro.



segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

ATUALIZAÇÃO - JACOBI - COM QUEM VEIO RAIMUNDO ?

Em 1852 chegou ao Brasil, Raimund Jacobi, vindo de Böhlen, na Turíngia, para trabalhar numa das colônias de parceria fluminenses. Sempre me perguntei como teria vindo, já que por força contratual ele não poderia ter imigrado solteiro e sem família, como de fato veio. Com quem teria vindo ?




Fonte: Relatório apresentado ao Exmo.Sr.Vice-Presidente da Província do Rio de Janeiro, o Commendador João Pereira Darrigue Faro pelo Presidente o Conselheiro Luiz Pedreira do Coutto Ferraz por occasião de passar-lhe a administração da mesma Província em 03 de maio de 1852, Niterói, Typographia de Amaral e Irmão, 1852 (parte).

Junto com que família teria embarcado ?? Inicialmente suspeitei que teria sido com a família Uhlmann. Inicialmente ...

Recentemente recebi de Suzete S. Glitz, a transcrição de um documento que ela havia soliticitado ao Arquivo da Turíngia (Rudostadt). O mais interessante neste documento é que ele responde à pergunta: Com quem veio Raimundo?  Abaixo, repasso o que ela tão gentilmente enviou:


Attest

Dass an nachgenannte Einwohner zu Böhlen :
  1. Johann Heinrich Nikol Wenzel und dessen Frau und 3 Kinder auch Christian Emil und Ali Schneider.
  2. Christian Friedrich Morgenroth, dessen Ehefrau und deren 2 Kinder, auch Johann Julius Morgenroth;
  3. Christoph Nikol Eger , dessen Ehefrau und 8 Kinder;
  4. August Ferdinand Ebert , dessen Verlobte Grossmann und deren Sohn , auch Friedrich Ebert und Christian Simon Albert Knatner;
  5. Gottfried Ehrhardt , dessen Ehefrau und 5 Kinder, auch Beate Tischer;
  6. Karl Henklein und dessen Verlobte Rosenbaum und deren Kind,
  7. Johann Friedrich Uhlemann , dessen Ehefrau und 7 Kinder,
  8. Friedrich Ferdinand Bratfisch, dessen Ehefrau und 6 Kinder, auch Raymund Jakobi;
  9. Christian Wilhelm Metzger, dessen Ehefrau und 4 Kinder , auch Heinrich Georg Bergmann und Christian August Bauer;
  10. Heinrich Jakob Elias Männchen, dessen Ehefrau und 6 Kinder;
  11. Georg Nikol Wilhelm Bauer, dessen Ehefrau und 4 Kinder;
  12. Nikol Heinrich Harrass, dessen Verlobte und deren 3 Kinder
Die Reiselegitimation zur Auswanderung nach Brasilien ausgehändigt werden können, wird bescheinigt.
Königsee , de 2. März 1852
Fürstl. Schwarzb. Justiz-Amt das.(sc.selbst)

(Ass.: ilegível)
Carimbo do Fürstl.
Schw.Justiz Amt
Sign. cad.
Haben sämtl unter 1-12 aufgeführten 
Familienhäupter
Ausw.-Pässe bekommen.
Schr. (ass. Ilegível)

Negrito meu. O documento está em gótico e segundo Suzete, "trata-se, pelo visto, de um atestado passado pela competente autoridade de que as pessoas citadas receberam a legitimação para viajar ao Brasil, para o que lhe foram expedidos os passaportes de viagem aos "cabeças" de famílía (Familienhäupter)."

Ao contrário do que pensei inicialmente, ele não veio com a família Uhlmann, Raimund Jacobi veio acompanhando a família Bratfisch.



Lista de passageiros, embarque da família Bratfisch no navio Catharina no porto de Hamburgo em 1852, daqui.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

ATUALIZAÇÃO - BEHRINGER E JACOBI - A VIAGEM DE WILHELM E RAIMUND

Um dos jornais que faziam a propaganda da imigração para o Brasil, América do Norte ou Austrália era o "Allgemeine Auswanderungs Zeitung", da Turíngia, cujas edições de 1846 até 1870 estão disponíveis para consulta on-line aqui.


Quer saber como eram movimentados os portos europeus em meados do séc. XIX ???



O grifo em vermelho ressalta a partida no navio Lorenz em que viajou Wilhelm Behringer com a família. Observe que a data inicial era 25 de fevereiro de 1852, o navio acabou atrasando e partindo dia 11 de março. O porto de Hamburgo era bastante movimentado,  no dia 25 de fevereiro eram 18 navios com partidas marcadas.

Como eram as propagandas para imigração ??