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terça-feira, 8 de dezembro de 2015

OS SALSEDO - parte 2

Continuando com a segunda grande e memorável incursão bárbara à ilha de Pantelleria.
"A segunda invasão turca, de muito mais profundidade, ocorreu 3 anos após a primeira, no ano de 1553. (Foi praticada) pelo terror dos mares da época, o sanguinário pirata Dragut, ou mais exatamente Torghud, aluno digno de seu mestre o terrivel Khair-ad-Din, conhecido no ocidente como Barbarossa. Para Pantelleria foi uma tragédia, e como toda tragédia que se preza teve seu prólogo ..."
Desacordos entre Espanha e França no Vice-Reino de Nápoles, fez com que fosse chamado, como aliado,  pelos franceses, o Sultão do Império Otomano, Suleyman II. Sulleyman organizou uma poderosa frota com 150 navios de guerra para invadir por mar a costa napolitana.
" ... Ele confiou o comando da armada turca a Dragut, hábil almirante na guerra de corso e agora nas graças do Sultão por haver frustado, com sorte, a frota genovesa-espanhola no comando do Almirante Andrea Doria."
Dragut (Thorgut), corsário bárbaro. Começou a vida como pirata e acabou sendo colocado no comando de 12 grandes galés por Khair-ad-Din (o conhecido Barbarossa). Pilhou e incendiou muitas cidades e aldeias na costa italiana, e destruiu incontáveis navios. Foi feito prisioneiro pelo jovem Doria (Almirante espanhol), e condenado a remar nas galés por quatro anos, até ter seu resgate de 3.000 ducados pagos por Khair-ad-Din. Foi nomeado Almirante da frota otomana (turca). Terminou sua sanguinária mas bem sucedida carreira em 1565 quando foi morto no Cerco de Malta. Daqui. A foto abaixo é daqui.


"Rapidamente, no tempo determinado, Dragut estava na costa da Calábria. Desembarcaram e saquearam muitas aldeias costeiras. Em seguida, lançaram ancôra na baía de Nápoles, próximo à Procida (ilha), esperando a frota francesa."
"A simples visão dos navios turcos espalhou o terror e muitas pessoas preferiram deixar a cidade de Nápoles. Dragut esperou os franceses por vários dias em vão .... deu ordens de partir para Constantinopla (atualmente Istambul). .... A ordem enfureceu a tripulação turca, que viu desaparecer os possíveis saques e pilhagens sonhados nas longas horas de navegação .... com a tripulação ávida por sangue e ataques, na viagem à Constantinopla, a fim de evitar o traiçoeiro Estreito de Messina, contorna a ilha da Sicília e chega em Pantelleria, a última defesa do cristianismo contra o Islã."
Abaixo galé muçulmana do séc.XVII, com seus escravos remadores.


"Era um dia de agosto de 1553. Naquele dia, o mar defronte à ilha de Pantelleria fervilhava com 150 navios de guerra que agitavam as bandeiras verdes com o crescente, sob o comando de Dragut, que mesmo no nome tinha semelhanças com um ser cruel por excelência: o dragão. De nada valeu a coragem de leão de Don Giovanni Salsedo e o sacrifício heroico de seus soldados. Ante aquela furia humana, destinada a invadir um Reino e agora invadindo uma pequena ilha, a defesa era impossível. Logo começou a pilhagem, os estupros e os massacres. Nada foi poupado nem os homens, nem as coisas, as igrejas foram profanadas virando grandes fogueiras, em seguida foi a vez do Castelo e de toda cidade. Nas igrejas foram destruídos os Registros Paroquiais que foram retomados no ano de 1584".
De fato, os registros paroquiais disponíveis para consulta no FamilySearch começam no ano de 1584, veja aqui, mas não sei se todos os registros foram microfilmados, seria necessário uma visita para confirmação.
"Don Giovanni Salsedo, desafortunado castelão da ilha, que o orgulhoso Dragut não podia perdoar pela audácia de pretender resistir a uma grande frota otomana, foi aprisionado com sua mulher e filhos no navio-almirante. Acompanharam a família de Don Giovanni Salsedo, cerca de 1.000 habitantes da ilha, que foram feitos escravos. A ilha ficou praticamente desabitada, famílias pantescas inteiras desapareceram, engolidas pelo abismo de uma tragédia sem precedentes."
"Da ponte de seu navio-almirante, o cruel Dragut tinha um olhar de satisfação, como era seu costume .... não imaginava que, em poucos anos,  a ilha de Malta, nas proximidades de, Pantelleria, lhe seria fatal ...."
 "O terrível epsódio da incursão de Dragut ficou na memória dos habitantes de Pantelleria, passando de geração a geração como uma história terrível .... Ainda hoje, nada se sabe de Don Giovanni Salsedo e família, se foram ou não libertados após o pagamento de algum resgate como era comum com famílias ricas."
"No entanto, um ramo da família Salsedo continuou a florescer na ilha de Pantelleria até os dias atuais !! Descendentes de sobreviventes de Don Giovanni Salsedo !"  
Essas histórias estão disponíveis em 2 sites: no da família Salsedo, aqui  e no Cose di Mare. Nenhum deles, no entanto, cita as fontes.

Além dessas incursões, Pantelleria recebeu a visita de outros corsários e piratas famosos:

Soliman Reis, corsário bárbaro, em 1515
Barbarossa ou Khair-ad-din, de Mitilene, de pai grego (ou albanês) e de mãe andaluza, provavelmente de origem hebraica. Batizado com o nome de Khizr. Irmão de Arouj, cunhado de Sinan, Senhor da Algeria e de Tlemce, em 1533
Cristoforo Pallavicini (ou Cristoforo Doria) de Gênova, Cavaleiro de San Giacomo, sobrinho de Andrea, em 1540
Dragut, de Kharabulak uma pequena vila na costa da Anatólia, de família camponesa, Vice-Rei da Algéria, Senhor de Tripoli e de Mehedia, pais de Amurat Dragut, além da incursão já citada em 1553, também em em 1540, 1549 e 1555
Andrea Doria, de Oneglia, Senhor de Gênova, Duque de Melfi, Marquês de Tursi, primo de Antônio, tio de Cristofaro Doria, 1549
Carlo Doria, de Gênova, Duque de Tursi, Príncipe de Avella, filho de Giovanni Doria e sobrinho de Andrea, 1624
Martino di Colbert, Cavaleiro di Malta, filho do Primeiro-Ministro francês de mesmo nome, 1682
Gianfrancesco Ferreti, comandante da Esquadra Pontífica, 1704
Interessante história paralela: Então, segundo os dois sites acima, todos os Salsedo da ilha teriam origem na mesma família !! Um nosso famoso parente distante seria Andrea Salsedo. Anarquista, nascido em Pantelleria, imigrou para os EUA e lá foi suicidado em 1920, "caindo" do edifício Park Row  em Nova Iorque. A história de Andrea é o estopim da história de Sacco e Vanzetti. O filme, de 1971, está disponível online aqui. Andrea é sobrinho-neto de nossa pentavó Angela Salsedo, ele é neto de um irmão de Angela Salsedo, veja aqui.






terça-feira, 1 de dezembro de 2015

OS SALSEDO - parte 1


Preste atenção no  gráfico acima, na bisavó da minha bisavó Agnesa Siggia Capozzi. Ela é Angela Salsedo, nascida, criada e falecida na ilha de Pantelleria.

O texto abaixo (em marrom) foi tirado de uma página online da família Salsedo, daqui, que não cita as fontes. Encontrei algumas das informações dessa página no livro de D'Aietti, aqui (parte). A tradução é aproximada (lógico, eu e o googletranslator fizemos !!). O texto é interessante, porém parte parece inverossímil  e parte carece de confirmação documental. Divirta-se !!
"Em 1361, Pantelleria foi cedida pela coroa do Reino da Sicília ao Admiral (Almirante) Emanuele Doria de origem genovesa, em pagamento de uma dívida. A recompra dos genoveses foi em 1406 pelo rei Martin (rei Martin I de Aragão). Em 1421 uma nova cessão do feudo, desta vez  para o comandante Francesco De Belvis. Seus descendentes a repassaram a Don  Luigi Requiesenz, que assumiu pela primeira vez o título de "Príncipe de Pantelleria".
Realmente, Pantelleria, como todo o  sul da Itália, teve domínio espanhol por um longo periodo.


"O cavaleiro  Don Giovanni Salcedo, Conde Salsedo, era de nobre família de antiga  origem espanhola de Baeza, Andaluzia ... Giovanni Salcedo e seu irmão Diego Salcedo deixaram seu castelo (em Baeza) e seguiram com Cristovão Colombo, juntamente com suas caravelas cerca de 1530, para conquistar as novas terras espanholas".
Cristovão Colombo teve, sim, um pajem de nome Salcedo, que esteve na primeira viagem à América, na caravela Santa Maria, mas em 1492, veja aqui.  Cristovão Colombo era nascido em 1450 em Gênova e faleceu em 20 de maio de 1506  em Valladolid, Espanha. Em 1530 já tinha deixado há muito de fazer viagens ....
"Giovanni Salsedo chegou à costa da ilha de Pantelleria situada entre a Tunísia e a Sicília. Casou e teve filhos. Tornado-se rapidamente uma célebre família local.  Em 1550, no auge das incursões turcas no Mediterrâneo, Giovanni Salsedo recebeu, pelo príncipe feudal de Requiesenz, a qualificação de castelão da cidade de Pantelleria e de grande capitão das milícias locais, com a tarefa de proteger a ilha."
"Foi sob o governo do barão Don Giovanni Salsedo que Pantelleria se encontrou a frente de uma das invasões bárbaras de ferocidade sem precedentes entre as que foram relatadas na ilha"..
"No batismo de fogo da milícia feudal, composta na sua maioria por ilhéus, ele (Don Giovanni) deu prova  de grande valor, lutando com coragem e determinação, apesar da escassez e idade da artilharia e do estado deplorável das fortificações do castelo, combinada com uma superioridade numérica esmagadora dos piratas turcos. Esta situação foi a origem da posterior intervenção do Imperador Carlos V de Espanha que declarou Pantelleria fronteira armada frente ao inimigo e rapidamente promoveu a reparação do castelo, para equipá-lo com artilharia eficiente e substituindo a milícia local por uma guarnição de infantaria permanente de origem espanhola, de quem descende a maioria das famílias pantescas atuais." (grifo meu)

Fortaleza e Castelo Barbacane, mais informações e foto aqui.
"Por volta de meados de 1500, no auge das incursões turcas no Mediterrâneo, foi castelão da ilha de Pantelleria, localizada entre a Tunísia e a Sicília, Don Giovanni Salsedo, de antiga e nobre família de origem espanhola, e grande capitão da milícia local durante o período do senhor feudal Barão Giuseppe de Requesens, de Palermo, filho de Bernardo de Requesens. Os Requesens conseguiram o título de Príncipe de Pantelleria concedido pelo Rei de Espanha, Filipe III no ano de 1620."
"Um primeiro ataque teve lugar no ano de 1550, quando uma frota turca sob o comando do grande almirante Sinan, apareceu na costa da ilha e atacou o Castelo do mar ... A milícia de Pantelleria, liderada por Salsedo, o defendeu obstinadamente por três dias e três noites... o fogo concentrado dos navios turcos, atracados no mar em frente ao Castelo, conseguiu abrir uma brecha nas muralhas da fortificação. Houve um assalto generalizado, mas Salsedo com diplomacia negociou com Sinan e os saques foram limitados"
Sinan Reis foi um judeu sefardita que fugiu da Espanha em direção ao Império Otomano (Smyrna), onde se tornou corsário. Era conhecido como o "Grande Judeu". Foi um dos comandantes do corsário otomano Barbarossa. Teve seu filho raptado e batizado por Carlos V e depois recuperado por Barbarossa. Leia aqui e aqui.

Abaixo a Batalha de Preveza, na costa grega, 1538, entre corsários otomanos e aliados cristãos, onde a participação de Sinan Reis foi fundamental para a vitória otomana. Quadro de Ohannes Umed Behzad, 1866, acervo do Museu Naval de Istambul.


A segunda incursão bárbara à ilha de Pantelleria, será tema do próximo artigo. Esse texto também se encontra aqui, mas sem a parte do Colombo e de Baeza-Espanha.



terça-feira, 24 de novembro de 2015

CORSÁRIOS E PIRATAS

Para conhecer um pouco sobre a prática do corso (e da pirataria também) nas águas do Mar Mediterrêneo :

Piratas ou corsários são geralmente associados a ingleses e franceses em busca da prata peruana ou de fortunas caribenhas. No entanto, há que se diferenciar a pirataria do corso, e também o tipo de butim das costas americanas e do Mediterrâneo.

Depois das Guerras Santas e das várias Cruzadas, estabeleceu-se no final do séc. XVI o controle muçulmano no sul do Mediterrâneo e o critão no norte. O leste mediterrâneo estava dividido entre os turcos do Império Otomano e pequenos enclaves cristãos.

Os corsários agiam em períodos de guerra e  tinham licença real para praticar o butim (saque), ou seja, o butim era autorizado legalmente e por isso deviam dividi-lo com a Coroa em questão. Era uma maneira de financiar a guerra. Eles tinham autorização real para praticar o saque em navios e aldeias costeiras. Os piratas não tinham essa licença, eram independentes, e portanto o butim pertencia apenas a eles. No final, o serviço era o mesmo ...


Os ataques eram mútuos e generalizados, não apenas contra "inimigos" de outras raças e religiões. Há noticias de incursões realizadas no séc. XVI por piratas da Messina (Sicília) sobre as costas da Calábria e Campânia.

Qual era o butim ? 

Uma das diferenças básicas entre os corsários e piratas do Mediterrâneo e de outros mares era o tipo de butim. Enquanto nos outros mares se buscava mercadorias e bens como jóias, ouro e prata, os corsários e piratas do Mediterrâneo buscavam além disso e principalmente, a carga humana,  as pessoas, passageiros, tripulação ou habitantes das vilas saqueadas, para a escravidão ou pedido de resgate. Os escravos eram importantes para os muçulmanos para abastecer os haréns dos paxás, para remarem nas galés, ... e para os europeus mediterrânicos para trabalharem nas lavouras.


Acima, um mercado de escravos na Algéria, 1684, daqui

Desde a antiguidade até meados do séc. XIX, o comércio de escravos foi um fenômeno de grandes proporções em toda a área do Mediterrâneo e foi alimentado por um mercado criado pela exploração de um grupo étnico por outro mais fraco.

A partir do séc. XVI, na Europa, há um aumento significativo da população e o trabalho de baixo custo nas regiões agrícolas e rurais tornou-se essencial.


A escravidão tinha também um inescrupuloso pretexto religioso. A fé islâmica justificava seu comportamento apoiando-se numa espécie de direito de escravizar os infiéis cristãos na tentativa de converte-los ao Islã. Por outro lado, os cristãos justificavam a escravização dos bárbaros procurando sua conversão ao cristianismo, quase sempre depois de capturá-los ou comprá-los, obrigava-os a se batizarem, dando-lhes um nome cristão. Existem documentos da Igreja Católica, em especial uma bula de Inocêncio III, que regulava o fornecimento de alimentos a vilas bárbaras em troca do batismo cristão de escravos de fé islâmica.

O corso e a pirataria no Mediterrâneo estavam intimamente relacionados à escravidão, o que não impediu as grandes trocas comerciais e sociais entre as sociedades cristãs e islâmicas. Na Europa, a escravidão sobreviveu até as primeiras décadas do séc. XIX, a prática foi aos poucos entrando em desuso. Em 1812 uma sentença determinou que a opção pelo batismo católico tornava o escravo um liberto que passava, então, à condição de servo.



terça-feira, 15 de maio de 2012

ÁRVORE DE COSTADO - lado paterno


1 – meu pai, do Rio de Janeiro, 1927

2 – Willi Jablinski, de 1895

3 – Luiza Capozzi, de Taquaritinga, 1902

4 – Heinrich Jablinski

5 – Bertha Kamman

6 – Ernesto Capozzi, de Crotone, 1869

7 – Agnesa Siggia, de Siculiana, 1884


12 – Antônio Drammis, de Scandale (?),

13 – Maria Guiseppe Marino

14 – Giuseppe Siggia, de Siculiana, 1837

15 – Calógera Cosentino, de Siculiana, 1851


24 – Salvatore Drammis, de Scandale (?), ~1806

25 – Mariangela Fazzio, ~1808


28 – Giacinto Siggia, de Siculiana, ~1790

29 – Agnesa Gagliano, de Siculiana, ~1812

30 – Salvadore Cosentino, de Siculiana, ~1816

31 – Maria Modica, de Pantelleria, ~1824


48 - Nicola Drammis, de Scandale (?), ~1779

49 – Domenica Orsini


56 – Pietro Siggia

57 – Giuseppa La Zara

58 - Giuseppe Gagliano

59 – Rosario Zambito

60 – Luca Cosentino, de Favara,

61 – Calógera Geraldi, de Favara,

62 – Biaggio Modica, de Pantelleria,

63 – Angela Salsedo


124 – Francesco Modica

125 – Giuseppa Sorgenti