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terça-feira, 7 de agosto de 2012

PLANILHAS - FAMÍLIAS BEHRINGER E JACOBI


Wallichen é a menor freguesia da paróquia de Vieselbach, na Turíngia. O  family search digitalizou alguns  livros dessa paróquia da igreja luterana  referente aos anos de 1712 a 1783 (microfilme 1271404) que ainda  não estão disponíveis para consulta on-line.






Foto de Marco Boehringer




sexta-feira, 29 de junho de 2012

FILHOS DE FRIEDRIKE BEHRINGER E TREUHARDT MÄNNCHEN

Data do batismo: 29/11/1863
Nome da criança batizada: Christine
Data e lugar de nascimento: 20/10 Santa Isabel
Nome, profissão e domicílio dos pais: Dreiard Mönchen e Friedrica geb. Böhringer
Nome, domicílio e confissão das testemunhas do batismo: Louis Müller, Hulda Mönchen
Observações: nada consta
Assinatura do oficiante: Pastor Wagner

Data do batismo: 29/04/1866
Nome da criança: Heinrich
Data e lugar de nascimento: 30/03 Segunda Linha
Nome, profissão e domicílio dos pais: Dreuchart Mönchen e Friedrika Böhring
Nome, domicílio e confissão das testemunhas do batismo: Karl Mönchen, Michael Bäring e Elisabetha Bäring
Observações: nada consta
Assinatura do oficiante: Pastor Tischhauser

Data do batismo: 27/09/1868
Nome da criança: Friedrika Auguste Abertine
Data e lugar de nascimento: 22/08 Santa isabel
Nome, profissão e domicílio dos pais: Dreihard Mönnchen e Friedrika Bäringer
Nome, profissão e confissão das testemunhas do batismo: Albert Männchen, Raimund Jacobi, Laura Weiss, Friedrika Ullmann
Observações: nada consta
Assinatura do oficiante: Pastor Tischhauser

Fonte: Livro da Igreja Luterana de Santa Isabel – Águas Mornas-SC

Data de Nascimento: 19/04/1873 
SOBRENOME, Nome: MÄNNCHEN, 1 Tochter 
Origem: unteren Fluss Descrição: MAENNCHEN, 1 Tochter 
Nasceu em 19 de abril de 1873 em unteren Fluss Filha de Treuhard MÄNNCHEN e Friedrike geb. Bähringer 
Padrinhos: Henriette Beckmann, Anna Zimmermann, Emilie Boettger e Carl Jacobi

Data de Nascimento: 08/03/1875 
Data de Falecimento: 27/03/1875 
SOBRENOME, Nome: MÄNNCHEN, 1 filho 
Origem: Gaspar 
MAENNCHEN, 1 filho falecido prematuramente em 27 de março de 1875
Nasceu em 8 de março de 1875 em Gaspar  Filha de Treuhard MÄNNCHEN e Friedrike geb. Bähringer

Data de Nascimento: 29/09/1876
SOBRENOME, Nome: MÄNNCHEN, Robert Friedrich Eduard
Origem: Gaspar
MÄNNCHEN, Robert Friedrich Eduard
Nasceu em 29 de setembro de 1876 em Gaspar
Filha de Treuhard MÄNNCHEN e Friedrike geb. Bähringer
Padrinhos: Eduard Hannemann, Friedrich Ullmann, Lina Wolfram e Luis Jacobi

Data de Nascimento: 05/07/1878
SOBRENOME, Nome: MÄNNCHEN, Albert August Heinrich
Origem: Gaspar
MAENNCHEN, Albert August Heinrich
Nasceu em 5 de julho de 1878 em Gaspar
Filho de Treuhard MÄNNCHEN e Friedrike geb. Bähringer
Padrinhos: Heinrich Wolfram, August Uhlmann e Thecla Jacobi

Data de Nascimento: 08/04/1886
SOBRENOME, Nome: MÄNNCHEN, Minna Clara
Origem: Gaspar - Baixo
MAENNCHEN, Minna Clara
Nasceu em 8 de abril de 1886 em Gaspar – Baixo
Filha de Treuhard MÄNNCHEN e Friedrike geb. Bähringer
Padrinhos: Christian Jacobi e Clara Jacobi

Data de Nascimento: 10/06/1889
SOBRENOME, Nome: MÄNNCHEN, Emilie Marie Henriette Katharina
Origem: Belchior
MAENNCHEN, Emilie Marie Henriette Katharina
Nasceu em 10 de junho de 1889 em Belchior
Filha de Treuhard MÄNNCHEN e Friedrike geb. Bähringer
Padrinhos: Emilie Boettger, Marie Janning, Katharina Wolfram e Heinrich Hahnemann

Fonte: Arquivo Público de Blumenau

sexta-feira, 8 de junho de 2012

CHEGADA EM SANTA CATARINA

Ao fundo o cais Pharoux (cais da Pç XV), embaixo a direita Igreja São José, Rio de Janeiro, em 1865 e em 2005.
Daqui e daqui, vale o passeio !!

Cais Pharoux 1880 - Grupo FB "O Rio que não vivi"

No final do ano de 1860 foram encaminhados à Colônia Santa Isabel (SC)  alguns imigrantes que haviam trabalhado nas fazendas fluminenses no sistema de parceria. A experiência de parceria tinha se mostrado ineficaz e o governo Imperial transferiu alguns desses colonos, que viram na ida a Santa Catarina a possibilidade de se tornarem pequenos proprietários de terras.

Uma carta do advogado dr. Carlos Kornis de Totvarad publicada no jornal Correio Mercantil e Instrutivo, Político, Universal, RJ, 10/11/1860, nr. 312, p.2 (disponível na Hemeroteca Digital da BN) esclarece um pouco essa mudança. Os colonos, num primeiro momento, desejavam transferir-se para o RS, o governo imperial ofereceu o ES, eles terminaram por ir à SC. A carta também cita que todos os colonos se naturalizaram brasileiros. Para lê-la na integra, clique aqui.

Wilhelm Behringer saiu da fazenda Santa Justa com a família (ao todo 6 pessoas) em novembro de 1860, além dele e da família vieram no mesmo navio :
  • a filha Elizabeth que casou na fazenda Santa Justa com Heinrich Julius Friedrich Uhlmann e seus dois filhos
  • o filho Theodor e sua jovem mulher Leonor Bergmann, da Santa Justa
  • a filha Friedrika com o marido Heinrich Wilhelm Treuhardt Männchen (filho), da fazenda Santa Rosa
  • Heinrich Jakob Elias Männchen (pai), seu compadre, e família que vieram da fazenda Santa Rosa

Todos foram até o Rio de Janeiro, embarcaram no navio costeiro “Joinville” e chegaram na Colônia Dona Francisca (Joinville) em novembro de 1860, de lá foram encaminhados a Santa Isabel.

Lista de desembarque dos passageiros do navio Joinville (parte) no Arquivo de Joinville (lista 118) :

Vapor: Joinville
Capitão; ?
Saída; ??
Chegada: ?/11/1860
Passageiros a bordo: 314
...
BARING, Guilherme: ao todo 6 pessoas, Fazenda Santa Augusta, não constam mais dados. (CF)
BARING, Theodor: ao todo 2 pessoas, Fazenda Santa Augusta, não constam mais dados. (CF)
...
MÖNCHEN, Henriques: ao todo 5 pessoas, fazenda de Santa Rosa, não constam mais dados. (CF)
MÖNCHEN, João Ricardo: ao todo 2 pessoas, fazenda de Santa Rosa, não constam mais dados. (CF)
...
ULLMANN, Frederico: ao todo 4 pessoas, Fazenda Santa Augusta, não constam mais dados. (CF)
...

Raimund Jacobi, Marie Louise Behringer, os filhos Carl e Wilhelm, e mais compadre Johann Friedrich Uhlmann e família ficaram mais alguns meses em Santa Justa, possivelmente para terminar de pagar as dívidas, vieram para o Rio de Janeiro e instalaram-se na Hospedaria do Governo. Embarcaram em um navio costeiro e chegaram em Desterro (Florianópolis) no dia 31 de maio de 1861 indo a seguir para a colônia Santa Isabel.

Lista de desembarque de Raimund e Friedrich em Desterro:
(gentilmente cedida pelo pesquisador Nilo Monn)

Acervo do Arquivo Público de Santa Catarina

Acervo do Arquivo Público de Santa Catarina


Liste des colons qui (ilegível) l'etre transportes a la Colonia Imperial Santa Isabel Province de Santa Catharina
...

Friedrich Uhlmann  55
Margaretha           55
Theodor               26
Franz                   20
Luis                     17
Friedrike               15
Carolina               13
Raimund Jacobi      33
Louise                  31
Carl                       8
Wilhelm                  4
...
(ilegível) Director de Terras Publicas e Colonização, em 31 de maio de 1861
Confere
(ass) (ilegível)
Comte.
(ass) Bernardo Aug.to (ilegível)




sexta-feira, 1 de junho de 2012

COLÔNIAS DE PARCERIA - CONTRATOS - parte 3

Para se ter uma idéia dos contratos de parceria assinados por Raimund Jacobi, Wilhelm Behringer, Friedrich Uhlmann e Heinrich Männchen pode-se ler as principais condições que estão explicitadas no Relatório apresentado ao Exmo.Sr.Vice-Presidente da Província do Rio de Janeiro, o Commendador João Pereira Darrigue Faro pelo Presidente o Conselheiro Luiz Pedreira do Coutto Ferraz por occasião de passar-lhe a administração da mesma Província em 03 de maio de 1852 (Niterói, Typographia de Amaral e Irmão, 1852), disponível em www.crl.edu/brazil






O contrato de parceria das fazendas fluminenses eram baseados nos contratos feitos pela Vergueiro e Cia, que estão nos anexos da pesquisa de Dalmir Lopes Jr., sobre a implantação da mão-de-obra livre nas fazendas do senador Vergueirro e disponível em http://www.editoraufjf.com.br/revista/index.php/csonline/article/viewFile/394/367


terça-feira, 29 de maio de 2012

COLÔNIAS DE PARCERIA - parte 2

As fazendas que optaram pelo sistema de parceria deveriam ter  as casas para os colonos (colonia), mas quando chegaram à fazenda Santa Justa a maioria deles foi alojada em barracas, pois nem todas as casas estavam prontas. As casas teriam quatro cômodos, sendo uma cozinha mais três peças, seriam casas “bem pintadas e cobertas de telha”.

No navio Lorenz em 1852 vieram 185 colonos em 30 famílias para trabalharem na Fazenda Santa Justa. Em 1860 já eram 141 colonos em 35 “fogos”, cinco casas a mais. Muitos já haviam abandonado a fazenda enquanto outros casaram e constituiram família, como por exemplo Marie Louise e Raimund Jacobi que tiveram dois filhos nesse período. O capitão do navio Lorenz, sr. L. Saabye conta que os imigrantes que vieram no seu navio “moram todos juntos numa pequena área. No total estão alojados mais de 600 cabeças para as quais serão contratados um religioso e um professor”. Contudo, o inventário realizado pelo Instituto Cidade Viva não localiza as casas dos colonos na Fazenda Santa Justa, apenas uma casa de colono aos fundos da sede. O pastor e o professor jamais foram contratados, os sacramentos religiosos eram dados pelo pastor de Petrópolis em visita periódica às fazendas.

É difícil calcular o números de escravos durante a existência das colonias de parceria (1852-1861). Sabe-se que em algum período entre 1862 e 1872 a fazenda chegou a ter 2.000 escravos e que em 1872 tinha 167 cativos.
Escravos e colonos alemães não se encontravam durante a jornada, não trabalhavam juntos. Mas conta Johann Kühl que “o que nos chamou imediatamente a atenção, e do que não gostamos, foi a visão de três negros amarrados por correntes a um tronco. Nós estávamos entre escravos.”

Marc Ferrez, terreiros da fazenda Cachoeira Grande, de Rio das Flores-RJ

Os negros tiveram um tratamento muito pior para suportar... Estes deviam colher diariamente a sua quantia estipulada de café, caso contrário, eram agredidos ou não receberiam comida. Para os castigos eram escolhidos alguns mulatos bem fortes que amarraram fortemente suas vítimas e com todo ódio os açoitavam. Nós podíamos assistir a tudo, já que as nossas malocas ficavam ao lado da dos negros; o nosso lado era separado dos negros apenas por uma cerca de estacas.”

Marc Ferrez - 1885 - escravos em fazenda de café

O trabalho dos colonos nas fazendas de café consistia principalmente na colheita dos grãos de café, mas também em alguns casos na derrubada e queimada da mata e por fim na semeadura dos grãos. Em 1822 o viajante Saint-Hilaire conta que “quando alguém quer fazer uma plantação nova de café abstem-se de colher os frutos de um cafezal velho, estes caem no chão, aprodrecem … germinam”, o plantio de mudas é de período posterior. A colheita e o beneficiamento era a parte mais complicada, que incluia secagem, peneiração e ensacamento. Os colonos deviam também capinar entre as fileiras de café e descoroar as árvores para que não ficassem muito altas.

Marc Ferrez, 1885, colheita de café

O número de pés de café para cultivo, colheita e beneficiamento, era atribuido  de acordo com o tamanho de cada família. Entre 1.000, 2.000, 2.500 pés de café. Isso era motivo de muita discussão, afinal pés de café muito novos ou muito velhos pouco produziam !! A coffea arábica demorava 4 anos para começar a produzir, e o pagamento da viagem, estadia, roupas, mantimentos, … dependia da boa colheita e esta da idade dos pés de café. Vendido o café, metade do lucro líquido era o pagamento para os colonos, depois de se descontar as despesas com transporte, comercialização, impostos, etc..


do vale do rio Paraíba fluminense para o porto do Rio de Janeiro

A pesquisadora Débora B. Alves coletou na Alemanha algumas cartas escritas por imigrantes das fazendas de parceria em 1852. Essas cartas foram publicadas e usadas na promoção da imigração e em alguns aspectos devem ser lidas com parcimônia. Nelas observa-se uma grande preocupação com a alimentação, que parece ser a carência principal dos que vieram para o Brasil. Contam que comem carne diariamente, toucinho, batatas (que dão 3 safras ao ano !!), farinhas, pão, frutas, banana, laranja, legumes, pepinos, alface, …
Os colonos podiam cultivar pequenas hortas para consumo entre as filas de café enquanto as plantas eram novas e depois disso o fazendeiro indicava um outro local para esse plantio. Geralmente se plantava milho, feijão e arroz. O excedente poderia ser vendido e metade do lucro ia para o fazendeiro mas em alguns casos eram impedidos pelos capatazes das fazendas de produzir esse excedente, sem a venda de excedentes demorariam mais a pagar seus débitos.

Contrapondo-se às cartas coletadas por Débora Alves está a carta de Johann Kühl de onde extrai-se que a “terra para plantar era insuficiente, pois recebemos muito pouco para podermos plantar o milho para o pão. Tudo o que tínhamos que comprar era muito caro. O dinheiro que trouxemos, para as primeiras necessidades, foi diminuindo e começou a miséria. Nossa família era grande, e a maioria ainda não estava apta ao trabalho. Durante todo um ano tivemos que comer feijão sem gordura.”

Algumas das tradições como a caça por exemplo foram mantidas. Caçavam macacos, porco do mato, usavam as florestas próximas, porém sentiam falta dos cães de caça. Também formaram um coro com 13 homens.
Como bons alemães, gostavam de cerveja. E a cervejaria mais próxima estava em Petrópolis a 60 km de distância. “.. se o taberneiro Walther tivesse vindo, em breve haveria também cerveja. Walther, venha, tenho sede”.
Abaixo, utensilios de cervejaria antiga.


Fonte: fvb-bdm.de

Num primeiro momento os imigrantes acreditaram que rapidamente saldariam a dívida do transporte, adiantamentos, alugéis, etc.. escreveram em suas cartas : “temos a esperança de, em poucos anos pagar, com nosso trabalho, o custo de nossa travessia”, “nosso senhor, que se chama Bellens, garante que quem for em certa medida fiel conseguirá dentro de dois anos quitar as suas dívidas”, mas ficaram presos aos fazendeiros pelas dívidas, conhecidos como escravos brancos ou escravos por dívidas. O que deveria ser pago em dois anos acabou sendo pago depois de nove, dez anos.

Três Relatórios, dois provinciais e um imperial, publicados entre 1858 e 1861, fazem referência ao pagamento das dívidas pelos colonos das fazendas de parceria do Rio de Janeiro. O primeiro deles, de 1858, o Relatório apresentado a Assembléia Geral Legislativa na segunda sessão da décima legislatura feito pelo Ministro e Secretário d'Estado dos Negócios do Império, Marquez de Olinda no Rio de Janeiro lê-se que das fazendas de parcerias fluminenses, os colonos da Independência já estão com as dívidas “praticamente pagas” e que os pagamento dos colonos da fazenda Santa Justa “marcham bem”.
O segundo, de 1860, o Relatório apresentado a Assembléia Legislativa provincial do Rio de janeiro na 1° sessão da 14° legislatura pelo presidente, feito pelo doutor Ignácio francisco Silveira da Motta conta que os colonos “ainda devem passagens e outras despesas”.
Já no terceiro, de 1861, o Relatório da Repartição dos Negócios da Agricultura, Commércio e Obras Públicas apresentado à Assembléia Geral Legislativa na primeira sessão da décima primeira legislatura feito pelo respectivo Ministro e Secretário de Estado Manoel Felizardo de Souza e Mello, Rio de Janeiro, lê-se que



Ao contrário do que se lê nos Relatórios Ministeriais e Provinciais sobre o bom andamento das colônias de parceria, após a visita dos ministros prussianos Sr. de Meusebach e Sr. von Tschudi que observaram as reais condições de vida e semi-cativeiro dos colonos, o governo da Prússia proibiu o agenciamento de imigrantes para o Brasil pelo “Rescrito Heidt” (o que de fato ocorreu parcialmente já que inúmeros navios aportaram en Santa Catarina mesmo após essa proibição).
O sistema de parceria não atendeu as expectativas nem do imigrante e nem do fazendeiro. Os fazendeiros acostumados com o trabalho escravo achavam que o investimento não havia compensado, por sua vez o imigrante cheio de esperanças via-se como escravo, verdadeiro servo de gleba feudal.

Raimund Jacobi que chegou solteiro na Fazenda Santa Justa em 1852, casou e lá teve dois filhos. Foi para Santa Catarina em busca do sonho de possuir suas próprias terras em maio de 1861. Assim também aconteceu com Wilhelm Behringer e Friedrich Uhlmann que viram os filhos casarem e os netos nascerem em Santa Justa e só em novembro de 1860 e maio de 1861, respectivamente, foram para Santa Catarina, para a Colônia Santa Isabel (atual município de Águas Mornas, a aproximadamente 30 km. de Florianópolis) nove anos depois de terem chegado ao Brasil.

A partir da segunda metade do séc. XIX a lavoura cafeeira começa a se expandir em solo brasileiro, atingindo os estados do Espírito Santo e oeste paulista. Com o fracasso das colonias de parceria e com fim da escravidão em 1889, nova mão-de-obra em novo sistema de trabalho se faz necessária: começa a chegada em massa de imigrantes italianos. Mas essa já é uma outra história.

Fonte: José Dantas, História do Brasil



sexta-feira, 25 de maio de 2012

COLÔNIAS DE PARCERIA - parte 1



A partir de 1840 o café começa a ser cultivado em larga escala no Brasil e passa a ser um dos produtos mais exportados. Nessa época o grande latifúndio dependia exclusivamente da mão-de-obra escrava. Em 1850 foi abolido o tráfico negreiro no Brasil pela lei Eusébio de Queiroz, não se podia mais trazer escravos da África. Os fazendeiros do café passam a comprá-los das Minas Gerais e do sul do país, com isso o preço do escravo triplica. Começa a se pensar em alternativas para suprir a falta da mão-de-obra escrava, e uma das opções foi o sistema de parceria.

Esse sistema foi adotado no Brasil por iniciativa do Senador Vergueiro e foi a primeira tentativa de susbtituição do trabalho escravo pelo trabalho livre. Foi inicialmente implantado em 1847 na fazenda Ibicaba no oeste paulista. Os colonos eram contratados na Europa e encaminhados para o Brasil, para as fazendas de café. Vinham apenas trabalhar, não se tornavam proprietários das terras, as colônias se formavam dentro das fazendas. Algo similar ao sistema de “meação” tão conhecido no Brasil de hoje, onde o proprietário entra com as terras e os trabalhadores com a mão-de-obra e no final os lucros são divididos.

Em 1852 cinco fazendeiros do Rio de Janeiro optaram pela formação de colonias de parceria em suas terras, foram eles :
Nicolau Antônio do Vale da Gama, da Fazenda Indepêndencia
Brás Carneiro Bellens, da Fazenda Santa Justa
Barão de Baependi, da Fazenda Santa Rosa
Marquesa de Valença, da Fazenda Coroas
Fazenda São Mateus

Essas fazendas estão localizadas nas região do Vale do Paraíba fluminense, nos atuais municípios de Valença e Rio das Flores. A fazenda Santa Justa encontra-se no munícipio de Rio das Flores a 60 km da cidade de Petrópolis. A fazenda Santa Rosa é vizinha da Santa Justa e fica no mesmo município. Para conhece-las pode-se acessar o site do Instituto Cidade Viva.

Abaixo sede da fazenda Santa Justa, vista da fachada em 1980, com varanda fechada, raro na época.


Fonte: Antigas fazendas de café da província fluminense

Respondendo à vasta propaganda feita na Europa e com “ajuda” dos párocos e prefeitos chegaram à fazenda Santa Justa em 1852, Raimund Jacobi, Friedrich Ulhmann e família, Wilhelm Behringer e família. A família Männchen encaminhou-se para a fazenda Santa Rosa.

Os colonos contratados tinham os valores dos transportes, de Hamburgo até o Rio de Janeiro e daí para a fazenda, adiantados pelos fazendeiros que se comprometiam a adiantar também as despesas para sua subsistência até que pudessem se manter sozinhos, sobre esses adiantamentos corriam juros de 6% , chegando a 12% dependendo do fazendeiro. A família era solidária nas dívidas que eram da família e não da pessoa, assim se alguém contratado falecesse na viagem ou antes de pagar sua dívida, a família deveria saldar sua dívida.

As fazendas de café eram muito parecidas, tinham a casa-grande (sede e residência do proprietário), a senzala (para para os escravos), os canteiros para secagem de café, a tulha para o armazenamento e próximo a algum riacho a roda-dágua e o moinho para pilagem.

Fazenda Santa Justa - 2011
Rodovia RJ-151 - 2° distrito - Manuel Duarte - município de Rio das Flores
de baixo para cima na imagem :
Na entrada da fazenda - alamedas de palmeiras com antigos terreiros de café nas laterais
no final da alameda, casa sede da fazenda
tulhas antigas, próximas aos terreiros de café e ao fundo da sede 
22°04'05.44"S 43°27'09.44"W

Sobre a fazenda leia mais aqui, a continuação desse post.


sexta-feira, 18 de maio de 2012

BANCO DE DADOS DE EMIGRANTES - Rudostadt, Thuringen


Thüringisches Staatsarchiv Rudolstadt
Spezialinventar
Auswandererdatenbank (Banco de dados de Emigrantes)

Compilação feita pelo arquivista Rudolf Ruhe. As informações vêm de documentos oficiais, da imprensa diária e de registros do Jornal Geral de Emigração "Allgemeine Auswanderungszeitung", publicado em Rudolstadt (parte).

Disponível para consulta on-line aqui.


Identifikations-Nummer: 535      ano 1852
Bratfisch, Friedrich Ferdinand, Ehefrau Catharine Barbara und sechs Kinder: Juliane Wilhelmine, August Friedrich, August Karl, Friederike Auguste, Friederike Dorothea und Juliane Friederike Bertha
nach Brasilien
aus Böhlen (Bezirk Königsee) 

Identifikations-Nummer: 2464    ano 1852
Jakobi, Raimund
nach Brasilien
aus Böhlen (Bezirk Königsee)

Identifikations-Nummer: 3525    ano 1852
Männchen, Heinrich Jakob Elias, Ehefrau Johanne Elisabeth und sechs Kinder: Michael Constant August, Auguste Wilhelmine Laura, Karoline Mariane Helma, Heinrich Wilhelm Treuhardt, Eleonore Hulda und Albert Friedemann
nach Brasilien
aus Böhlen (Bezirk Königsee)

Identifikations-Nummer: 5797    ano 1852
Uhlemann, Johann Friedrich, Ehefrau Margarethe Barbara und sieben Kinder: Heinrich Julius Friedrich, Wilhelmine Lucinde, Friedemann Theodor, Franz Gustav, Heinrich Louis, Friederike Lucinde und Lucinde Karoline
nach Brasilien, 1852 in Santa Justa
aus Böhlen (Bezirk Königsee)


quinta-feira, 17 de maio de 2012

A VIAGEM - parte 2



Pelo Relatório apresentado ao Exmo.Sr.Vice-Presidente da Província do Rio de Janeiro, o Commendador João Pereira Darrigue Faro pelo Presidente o Conselheiro Luiz Pedreira do Coutto Ferraz por ocasião de passar-lhe a administração da mesma Província em 03 de maio de 1852 (Niterói, Typographia de Amaral e Irmão, 1852), podemos saber a destinação dos imigrantes de cada navio, veja aqui.


As viagens eram bastante precárias, feitas em navios a velas, com três mastros. Christian Bass, passageiro do Lorenz, conta “que durante a travessia do canal (da Mancha) tivemos algumas noites de tempestade fazendo com que muitas caixas da entrecoberta (do navio) virassem. Tivemos ao todo 21 dias de calmaria, perto do Equador permanecemos parados 7 dias seguidos, e nos momentos mais quentes (a temperatura) era de 30 a 40 graus.” Pela possibilidade de calmarias os alimentos e a água eram racionados. No dia 14 de abril quase foram “afundados por um outro navio, pois o faroleiro adormeceu.”


Fonte: de.wikipedia.org

Pelo Relatório Provincial de 1852, já citado, sabe-se que o navio Lorenz chegou em águas brasileiras dia 17 de maio e por carta do passageiro Heinrich Moeller que o desembarque ocorreu no dia seguinte, dia 18 de maio de 1852.


Durante a travessia no navio Lorenz faleceram 4 crianças, sendo uma menor de um ano, duas menores de dois e uma com oito anos. Nasceram três crianças.
Na viagem de vinda ocorreram os seguintes infortúnios: no dia 05 de abril morreu uma criança pequena do Friedrich Michel de Rudostadt, no dia 07 uma do Appelfeller, no dia 15 um menino de Rudostadt escaldou a cabeça.”




Em 1915 foi publicada, no Kalender für die Deutschen in Brasilien de São Leopoldo, uma carta de Johann Kühl que viajou no navio Princess Louise com destino à fazenda Independência. Seu navio chegou no Rio de Janeiro dia 06 de maio de 1852, cerca de duas semanas antes do navio Lorenz. Na carta ele conta, entre outras coisas as condições da ida do litoral à serra fluminense:
Após uma viagem de oito semanas aportamos ao meio dia no porto do Rio de Janeiro. O navio baixou âncoras e parou. A partir do navio foram lançadas cordas e então, finalmente, pisamos novamente em terra, em um novo mundo, nosso novo lar. Dalí nos dirigimos rio acima em um pequeno navio, - o nome do rio eu esqueci – ao acampamento “Estreito” (talvez Porto “Estrela” ??). Lá permanecemos por um dia. Na manhã seguinte continuamos a viagem com uma tropa de mulas, que carregavam cestos pendurados nos dois lados. Nos cestos eram transportados todos os nossos pertences, e nos quais as crianças também eram transportadas. O caminho estava muito úmido e lamacento porque havia chovido por um longo tempo. Às vezes passávamos por grotas e logo tivemos que tirar nossos sapatos, enrolar as pernas das calças, e também tirar as grossas saias porque o suor escorria pelas roupas e pelo corpo; e assim nos arrastamos pela picada no banhado. Depois de um dia de marcha foi feita uma parada. A alimentação consistia de arroz, feijão e pão, sendo que dois bois foram abatidos por negros. Não era apetitoso, mas o que fazer? A fome fazia com que entrasse.”
Sobre o Porto Estrela, clique aqui e aqui.

Abaixo, uma reportagem de 1988 sobre a Estrada Velha da Serra da Estrela, atual RJ-107.




Os imigrantes que se dirigiam a Fazenda Santa Justa chegaram ao destino dia 27 de maio de 1852, levaram cerca de 9 dias para subir a serra fluminense.  A contaminação do Porto Estrela pela febre amarela fez com que fossem diretamente para a Fazenda, desembarcaram e em seguida viajaram em mulas, subindo a serra até a Fazenda Santa Justa. A subida da serra era muito acidentada, perigosa e cara, apesar de ser feita entre sete e dez dias, custava quase a mesma coisa que a travessia transatlantica.

Sempre me perguntei como seria a baia de Guanabara e a subida da serra (em direção à Petrópolis e Rio das Flores) em 1852. Abaixo uma gravura do Rio de Janeiro em 1857, cinco anos depois da chegada de Raimund Jacobi, Wilhelm Behringer, Friedrich Uhlmann ....

Vista da entrada do porto do Rio de Janeiro
Archivo Pittoresco, Semanário Illustrado, junho 1857,  daqui.