terça-feira, 31 de dezembro de 2013

AU REVOIR, JACQUES ET MARIE LOUISE


Je vous remerci.

Jacques Robert faleceu em Curitiba no dia 02 de junho de 1907, com 64 anos de idade, vítima de câncer do estomago. Cartório do Bacacheri, registro 14.408, folha 35, veja aqui.


Jornal A República, Curitiba 13 de junho de 1907, ed. 139, pg.2, aqui. No mesmo anúncio, duas ocorrências da família, o nascimento da neta Lydia e o falecimento de  Jacques.

O assentamento do óbito foi feito no cartório do Bacacheri, Ele deixou bens a inventariar, provavelmente o lote no Bacacheri. O inventário foi aberto na 1ª Vara Cível em Curitiba, acredito que esteja no Arquivo Judicial na av. Marechal Floriano, bairro da Vila Hauer. (a pesquisar, se for buscar pelo inventário, procure na 2ª Vara também).




Jornal A República, Curitiba 08 de julho de 1907, ed. 153, pg.2, aqui.

Marie Louise faleceu dia 03 de outubro de 1925 em Curitiba, com 82 anos de idade, vítima de arterio esclerose. Ela era viúva de Jacques há 18 anos, seu filho mais velho, Leonard, já havia falecido (1907), o segundo, Joseph, estava na França ou em Cerro Azul, e o filho Antônio, meu bisavô, também já tinha falecido (1923). O óbito foi declarado pelo meu avô, Fernandes Robert.
Marie Louise faleceu na casa de Antônio, provavelmente cuidada pela nora Helena Gerber, na rua Silva Jardim 171. 
O assentamento do óbito foi feito no 1° cartório de Curitiba, centro, registro 33.789, folha 176 verso, veja aqui.

Tanto Jacques quanto Marie Louise foram sepultados no cemitério municipal do bairro São Francisco em Curitiba, entrando pela rua principal, depois da pracinha, 2ª ou 3ª rua a esquerda.



terça-feira, 24 de dezembro de 2013

BIBLIOGRAFIA

A pesquisa sobre os Robert na estrada de ferro precisa ser ampliada. Para saber coisas como, quais Robert efetivamente trabalharam na Estrada de Ferro, quando, onde, que atividades exerciam, quais as condições de trabalho, salários e pagamentos, possíveis acidentes e doenças de trabalho, como era o dia a dia, ....

Existe um extenso material sobre a construção em si, parte técnica, engenharia, etc e praticamente nada sobre a vida dos empregados.

Não consegui descobrir onde estão os documentos dos empregados mais antigos da ferrovia. No Museu Ferrovário, não encontrei nada, tampouco na Inventariança da RFFSA ou no Arquivo Público do Paraná. Talvez estejam no Arquivo Nacional no Rio de Janeiro, talvez.

BIBLIOGRAFIA:

Cincoentenário da Estrada de Ferro do Paraná 1885-1935, publicação comemorativa da Rede de Viação Paraná-Santa Catarina.

Cordova, Dayana e outros - Pelos trilhos, paisagens ferroviárias de Curitiba, disponível on-line aqui

Fenianos, Eduardo Emílio - Rebouças: o bairro harmonia,

Ferrovia Paranaguá-Curitiba, 1885-1985, uma viagem de 100 anos, edição comemorativa do centenário da Estrada de Ferro do Paraná, RFFSA, Superintendência Regional-Curitiba, 1985.

Fonseca, Ricardo M. e outro - A greve geral de 17 em Curitiba: Ibert, 1996.

Gerodetti, João Emílio e outros - As ferrovias do Brasil nos cartões postais e álbuns de lembranças, disponível on-line, parte, aqui.

Habitzreuter, Rubens - A Conquista da Serra do Mar, Curitiba : Pinha, 2000.

Kroetz, Lando Rogério - As estradas de ferro do Paraná 1880-1940, Tese de doutoramento da Universidade de São Paulo, São Paulo, 1985, disponível on-line aqui.

Lamounier,Maria Lucia - Ferrovias e mercado de trabalho no Brasil do séc. XIX, São Paulo, Edusp,

Maravalhas, Jorge - Estrada de Ferro do Paraná,  Curityba :Typ da Livraria Economica, 1903

SITES INTERESSANTES;









terça-feira, 17 de dezembro de 2013

FERNANDES ROBERT E AS OFICINAS FERROVIÁRIAS


Em 1903, o autor Jorge Maravalhas diz sobre as primeiras oficinas da Estrada de Ferro, que existiam desde 1885 :

"As oficinas da Estrada de Ferro do Paraná acham-se instaladas em Curitiba, e servem a um tempo, às duas linhas - Paranaguá - Curitiba e Prolongamentos e Ramais.
Constam de 3 galpões de madeiras contíguos, em que funcionam as oficinas de reparações de máquinas, de carpintaria e marcenaria, e um, em separado, de forjas para fundição, onde funciona a oficina de ferraria.
São bem montadas e dispõem dos mais modernos maquinismos de modo que nenhuma precisão tem a E. de F. do Paraná de outras oficinas para a execução de seus trabalhos de reparação, quer fixo, quer rodante, confeccionando mesmo aí, muitas peças de maquinismo e ferramentas , que são em geral importadas do estrangeiro pelo comércio. O motor empregado nas oficinas é a vapor de força de 40 cavalos".


A foto acima deve ter sido tirada no ano de 1915, aproximadamente, na entrada de uma das oficinas da estrada de ferro em Curitiba, veja o vagão dentro do barracão, ao fundo. Nela estão:
1. Antônio Robert e,
2. Fernandes Robert, seu filho.

Nesta foto abaixo, também de 1915, a estação ferroviária de Curitiba, do lado esquerdo a praça Eufrásio Correia e a avenida Sete de Setembro, do lado direito as oficinas. Do livro de Eduardo Emílio Fenianos, Rebouças: o bairro da harmonia.


As oficinas da estação ferroviária possuiam galpões para: fundição e ferraria, montagem e reparação de locomotivas, reparação de carros e vagões, pintura, depósito de madeira e serraria, um galpão aberto também para reparos, além de casa de força e compressores.

Segundo o autor Rubens Habitzreuter: "O grau de sofisticação das máquinas instaladas nas oficinas era motivo de extrema admiração dos visitantes. Máquinas de aplainar ferro, limadoras, de corte e furo, tornos  grandes para rodas de locomotivas e vagões, forjas, serra-fita e forno".

Abaixo, foto das oficinas em 1905, da Coleção da prof.  Júlia Wanderley, daqui.




De 3 barracões as oficinas passaram a contar com 5, veja a maquete abaixo, do Museu Ferroviário. Desde 1997 resta apenas parte do prédio principal da estação ferroviária, que pertence ao atual Shopping Estação em Curitiba, as demais dependências da antiga estação foram demolidas.

Maquete da década de 1930, autor eng° W. Niess

Em 1917, ocorreu a primeira grande greve no Brasil, São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, ....

"A carestia e o alto custo de vida foram fatores decisivos na eclosão da greve ... A 1ª guerra mundial, a que o Brasil ainda não tinha entrado, também deixava reflexos nos preços dos alimentos, pela política adotada pelo governo de voltar-se mais ao mercado externo." (Fonseca, pg. 66)

 Jornal A República, dia 20 de julho de 1917, ed. 169, daqui.


"Hontem mesmo noticiamos terem adherido ao movimento paredista todos os operários das Officinas da Estrada de Ferro.
Hoje um dos nossos companheiros conversando com um dos funccionários mais graduados da Estrada foi scientificado que a Directoria do mesmo consentirá com o maior agrado em conceder licença a todos os seus operários que quizerem tomar parte nos comícios actuaes e que todos aquelles que quizerem voltar ao serviço poderão fazel-o quando bem entenderem.
- Quando o trem da tabella, da linha Norte-Paraná hontem às proximidades da fábrica Mimosa, no kilometro 2, avultado número de grevistas fez parar o comboio.
O chefe do trem porém com modos suasorios, conseguiu que os grevistas consentissem no prosseguimento da viagem, chegando o comboio a cidade sem mais novidades.
Hoje pela manhã corriam boatos insistentes de que os grevistas tinham impedido a sahida de trens desta Capital.
Scientificando do caso na própria Estação, soubemos não ter o mínimo fundamento, pois todos os comboios sairam nas horas certas do horário."

Os empregados ferroviários, como Antônio e Fernandes Robert, estavam lá !!


Fotografia de passeata na atual rua des. Westphalen, em Curitiba,  em 1917 - da coleção Júlia Vanderley, da Biblioteca Nacional.
Para mais sobre as causas da greve e as exigências dos operários em Curitiba, clique aqui.
Para saber sobre a greve no Brasil, clique aqui e aqui.

Foi nas oficinas da ferrovia que meu avô Fernandes Robert, aprendeu o ofício de torneiro mecânico. Nelas trabalhou até 1920, quando foi para o serviço militar.

Antônio Robert faleceu em 1923 e provavelmente trabalhou nas oficinas até o fim da vida.

Em 1949 elas foram transferidas para o bairro Capão da Imbúia, Vila Oficinas em Curitiba.


terça-feira, 10 de dezembro de 2013

ANTÔNIO ROBERT NA ESTRADA DE FERRO

Em 1880, quando teve inicio a construção da ferrovia Curitiba-Paranaguá, Antônio Robert estava com apenas 5 anos de idade. Os meninos começavam cedo a trabalhar na estrada (meu avô Fernandes começou com 13 anos), então provavelmente Antônio foi para a estrada de ferro aproximadamente em 1890.



Jornal A República, Curitiba, 13 de setembro de 1890, pg.4, ed. 213, aqui.

Em 1900, com certeza, Antônio Robert já estava trabalhando na ferrovia, veja no seu registro de casamento, aqui.

Em 1882 a "Compagnie Générale de Chemis de Fér Brésiliens” recebeu a concessão para construção de mais alguns trechos. Mas realizou apenas parte do que foi concedido, o prolongamento Curitiba-Ponta Grossa e mais os ramais de Rio Negro e Porto Amazonas.

Em 1887 começou a construção  do ramal entre Morretes e Antonina com 16 km., inaugurado em 1892, hoje dasativado.

Em 1890 foi inaugurado o trecho Curitiba-Serrinha

Em 1891 Serrinha-Lapa

Em 1892 Morretes-Antonina

Ainda em 1892 o trecho Serrinha-Restinga Seca


Ponte dos Arcos, sobre o rio dos Papagaios,
entre os trechos Serrinha-Tamanduá


Em 1894 Lapa-Rio Negro

Provavelmente na abertura desses trechos trabalhou Jacques Robert e em parte deles o filho Antônio.



O mapa acima é dos trechos ferroviários no Paraná em 1898, da Revista Brasileira de Geografia, n° 16, ano 1954. Para mais informações clique aqui e aqui.

A partir de 1893 começou a construção da segunda malha ferroviária, e a entrega dos trechos:

Em 1905 Ponta Grossa-União da Vitória (Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande).

Em 1908 Ponta Grossa-Itararé

Em 1909 Curitiba-Rio Branco

Jacques Robert trabalhou na ferrovia de 1880 até 1907, ano de seu falecimento.

Seu filho, Antônio Robert, trabalhou nas oficinas ferroviárias e talvez tenha trabalhado abrindo trechos, também. Não sei exatamente por quanto tempo trabalhou em cada uma dessas duas atividades especificamente. Sei apenas que em ~1915 ele estava nas oficinas.

IMPORTANTE: Existia uma foto na casa de minha avó Estela, mulher de Fernandes Robert, em que apareciam Jacques e outros Robert com pás e enxadas trabalhando na abertura de ferrovia. Não sei onde está essa foto, parece que ela deu para alguém. Se você souber, por favor, consegue arrumar uma cópia ?? ....


Estação Ferroviária - Curitiba - Pç Eufrásio Correa - 1907 - daqui




terça-feira, 3 de dezembro de 2013

JACQUES NA ESTRADA DE FERRO CURITIBA-PARANAGUÁ

Segundo a tradição familiar, Jacques Robert teria trabalhado na construção da estrada de ferro Curitiba-Paranaguá, que liga o primeiro planalto ao litoral, cerca de 100 km. de distância.

Como já citado, não foram encontradas referências ao sobrenome Robert na Inventariança da RFFSA. Jacques Robert, filhos e netos, provavelmente foram empregados na "Société Anonyme de travaux Dyle et Bacalan", na "Compagnie Générale de Chemis de Fér Brésiliens”, em alguma empreiteira ou sub-empreiteira.

A construção da estrada foi dividida em três frentes de trabalho, iniciadas quase simultaneamente em 1880. Não se sabe em qual ou quais destes trechos Jacques Robert trabalhou.
Posso palpitar ? Pela atividade profissional de Jacques Robert na França, mineiro, acho grande a probabilidade dele ter trabalhado na abertura de túneis, já que esse profissional era bastante requisitado para esse trabalho também nas ferrovias. "A falta de mineiros, por exemplo, aparecia com frequência entre as queixas dos engenheiros". Lamounier, M.L. - Ferrovias e ..., pg. 187. Cabendo-lhe, então, o segundo trecho da obra. Palpite dado.
Mapa do segundo trecho - mapa completo e mais informações aqui

A primeira frente com 42 km entre Paranaguá e Morretes era “alagadiça, insalubre e cheia de manguezais”, foi inaugurada em 17 de novembro de 1883.


cicatrizes na serra provocadas pela construção da estrada, a esquerda viaduto do Carvalho

O segundo trecho com 38 km, entre Morretes e Roça Nova , a transposição da Serra do Mar, o trecho de construção mais difícil e desafiador, “maravilhosa obra, que sem dúvida, é a glória da engenharia brasileira”.


Foto daqui

Abertura do túnel 1 no Pico do Diabo, foto daqui

detalhe

Corte no Cadeado, essa foto e a anterior do blog de Paulo José da Costa

O terceiro e último trecho, já no planalto curitibano.


Piraquara, no planalto curitibano

A construção da ferrovia teve início com o levantamento topográfico. A seguir pela abertura da picada pela mata atlântica, pelo desmatamento propriamente dito, destocamento, terraplanagem com cortes e aterros, transposição de bueiros, pontes e pontilhões. Por último a colocação de dormentes e trilhos.

Começou com 4.000 homens, mas logo foram contratados outros 5.000, num total de 9.000 homens. Pelas adversidades do clima e geografia, pelo calor e umidade, pelos pântanos e serras, pelas doenças endêmicas como febre amarela, tifo e malária, pelos acidentes, 1/3 desse total estava sempre  recuperando a saúde.

A maioria deles morava em Curitiba e eram lavradores, como Jacques Robert.

A estrada inteira foi entregue ao tráfego regular dia 05 de fevereiro de 1885, cinco anos após o início de sua construção.

Sua extensão  é de 110,915 km., possui várias obras de arte, entre elas 15 tuneis, 28 pontes metálicas e 4 viadutos, de onde se destaca a ponte São João, a mais conhecida com 4 vãos e altura de 55 metros, o Viaduto Carvalho, assentado sobre 5 pilares de alvenaria na própria rocha e com 5 vãos e o Túnel Roça Nova com 457 metros de comprimento.

Um pouco sobre a vida dos trabalhadores na construção, leia aqui.

Sobre as fotos: Em 1883, Marc Ferrez fotografou a ferrovia Curitiba-Paranaguá durante sua construção. Esse pequeno album com 14 fotos foi presenteado ao Imperador D. Pedro II e faz parte da Coleção Thereza Cristina da Biblioteca Nacional. Para ver essas lindas fotos clique aquiaqui e aqui.

Outras lindas fotos, do fotografo Artur Wischral, do ano de 1929, clique aqui.


Quatro álbuns fotográficos da estrada em épocas diferentes, Ferres, Kopf, Wischral e Hegenberg, clique aqui.

Site muito legal sobre a construção da estrada, com muitas informações e fotos, aqui.

Quer passear nessa ferrovia ? Atualmente a concessão é da ALL, a responsável pelo passeio turístico é a Serra Verde Express.

Viaduto do  Carvalho, daqui


terça-feira, 26 de novembro de 2013

OS ROBERT E A ESTRADA DE FERRO




Fenda da Garganta, a primeira foto do livro Rebouças o bairro da harmonia, a segunda daqui.

Como já vimos, a família de Jacques Robert chegou ao Brasil em 1873. Adquiriu um lote na Colônia Argelina, atual bairro Bacacheri em Curitiba, cuja finalidade principal era o abastecimento de horti-fruti da região metropolitana. De uma vida urbana na França, com trabalho em minas de carvão, a família passaria a trabalhar com agricultura no Brasil.
                      
Apenas 3 anos após a chegada da família ao Brasil, no relatório provincial de 15 de fevereiro de 1876, lemos que "os colonos em sua maior parte estranhos a lavoura e dados à vida ociosa, não podiam prosperar, principalmente estabelecidos em um terreno ingrato e limitadíssimo e só com insano trabalho para adubá-lo dificilmente produziria alguma coisa". (grifo meu, para ler o relatório na integra, clique aqui.)

Foi necessário a busca de novas alternativas de trabalho, o que pode ter acontecido pela improdutividade do terreno como visto acima ou pela não adaptação da família à vida rural.

Desde os anos 1870 começou a se pensar e articular a construção de uma estrada de ferro que ligasse o litoral à capital paranaense, para transporte de passageiros e escoamento da produção da erva-mate e da madeira. Depois de muitas idas e vindas, mudanças de construtores e traçado, em 1879 a "Compagnie Générale de Chemins de Fér Brésiliens” recebeu a concessão para a construção da primeira estrada de ferro do Paraná, a estrada de ferro Curitiba-Paranaguá.

Para saber mais clique aquiaqui e aqui.

Autores diferentes fornecem informações diferentes: Segundo Kroetz, a “Chemins de Fér” contratou a "Société Anonyme de travaux Dyle et Bacalan" para realizar as obras.

No ano seguinte, em 1880, começou o trabalho.



O prédio maior ao fundo é a estação ferroviária de Curitiba, em foto de 1883. Do livro de Eduardo Emílio Fenianos, Rebouças: o bairro da harmonia.

Abaixo, as oficinas em foto de 1905, da coleção da prof. Júlia Wanderley, daqui.


A Estação Ferroviária, sem data, provavelmente início do séc. XX, ao fundo o teto das oficinas, daqui.


Segundo a tradição familiar, o imigrante francês Jacques Robert (meu trisavô) trabalhou na construção do trecho Curitiba-Paranaguá. Continuando a construção da malha ferroviária do Paraná trabalharam também o filho mais velho Leonard Robert, o filho Antônio Robert (meu bisavô) e o neto Fernandes Robert (meu avô, nas oficinas).

Eles trabalharam na ferrovia em períodos diferentes:

Jacques de 1880 até seu falecimento em 1907, 
Leonard, provavelmente começou a trabalhar na estrada de ferro junto com o pai Jacques, já que na ocasião contava com 16 anos de idade, trabalhou até seu falecimento em 1907,
os filhos de Leonard: Leonardo, veja aqui,  Jorge Eugênio, veja aqui e aqui e também Luiz Robert, telegrafista, veja aqui.
Antônio por toda a vida, provavelmente de 1890 até 1923, 
meu avô Fernandes por algum tempo, provavelmente de 1913 até 1920,
provavelmente Geraldo Robert, o segundo filho de Antônio e irmão de Fernandes, mecânico em Guajuvira, veja aqui.


Estação de Guajuvira, no centro da foto, escura com placa branca, 1923, foto daqui

Também trabalharam na estrada de ferro:

Alberto Bunde, maquinista, cunhado de Leonard Robert, marido de Rosalina Schultz. Para saber um pouco mais sobre maquinistas e foguistas, leia aqui.
André Legat, marido de Claudine Robert, filha de Jacques, aqui.
Friedrich Gerber, irmão de Helene Gerber e cunhado de Antônio Robert, veja aqui
provavelmente Wilhelm Gerber (Guilherme), outro irmão de Helene também, já que declarou ser mecânico em seu casamento, veja aqui.

Em pesquisa à Inventariança da extinta RFFSA, que encampou todas as companhias ferroviárias anteriores, não encontrei nenhuma referência ao sobrenome Robert no acervo de pessoal em Curitiba. 
Provavelmente Jacques, Leonard, Antônio e Fernandes Robert foram empregados da "Société Anonyme de travaux Dyle et Bacalan" ou da própria "Compagnie Générale de Chemis de Fér Brésiliens”. Segundo informações obtidas essa documentação estaria no Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro.




terça-feira, 19 de novembro de 2013

DOCUMENTOS DE JACQUES ROBERT NO BRASIL


1. Referência de chegada do navio "Le Bordelais" com imigrantes franceses ao Paraná, em novembro de 1872. Jacques Robert  pode ou não ter feito essa viagem (a confirmar).


"Rio de Janeiro,  Ministério dos Negócios da Agricultura, Commércio e Obras Públicas, em 16 de Novembro de 1872.
Illmo. Exmo. Snr.
Autorizo V.Exa. a conceder a cada uma das famílias de immigrantes franceses, vindos de Marseille a bordo do navio "Le Bordelais" e estabelecidos na colônia do Assunguy, uma vacca de leite segundo a promessa que lhes foi feita por intermédio da Agência Official da Colonização em virtude do Aviso d'este Ministério de 16 de Agosto do corrente anno.
Deus guarde a V.Exa.
(ass) Francisco do Rego Barros Barretos
Snr. Presidente da Província do Paraná"


2. Documento que relaciona Jacques Robert e família ao navio "Le Bordelais" e ao porto de Marselha, equivocadamente o documento cita o nome do navio como "Bordetet". 


"Illmo. e Exmo. Snr. Dr. Preside. da Província
à Thesouraria da Fazenda, Palácio da Presidência do Paraná, em 16 de Janeiro de 1875.
Frederico Abranches
Robert Jacque, subdito Francez  estabelecido na colônia Argelina, tendo sido engajado como colono na Europa e vindo na "Bordetet" , tem por isso direito a quantia de 5$000 r. valor de uma vacca  e como até hoje não tenha recebido a dita quantia vem por isso solicitar a V.Exa. se digne a ordenar o respectivo pagamento do que.
Curityba, 22 de janeiro de 1875.
(ass) Robert, Jacque
ERMa."


3. Carta em que Jacques Robert solicita pagamento auxílio  financeiro e insumos para a lavoura, conforme o artigo 30 e 31 do decreto 3784, de 19 de janeiro de 1867, veja aqui

.


"Illmo. Exmo. Snr. Presidente da província
À Thesouraria da Fazenda para informar. Palácio da Presidência do Paraná, em 6 de Dezembro de 1873.
Frederico Abranches
Robert, Jacques, immigrante francez estabelecido na colônia Argelina, onde pretende residir perpetuamente com sua família que se compõe de seis mebros: elle supplicante, sua mulher de nome Marie Louise, de seu filho Leonard de onze annos e maio de idade, de sua filha Caroline de dez annos e meio, de seu filho Joseph e de Julie estes dois últimos menores, vem humildemente  informar sua Exma. que elle e sua mulher receberão já a quantia abonada pelo artigo 30 do regulamento das colônias do Governo, mas que aos filhos Leonard e Caroline forão esquecidos. Por esse motivo o supplicante vem respeitosamente requerer à V.Exa. lhe conceda os favores do dito artigo, mandando  V.Exa. que pela Thesouraria de Fazenda se lhe dê 20$000 por cada um dos seos dois filhos maiores, e bem assim por elle supplicante e os dois filhos acima, os instrumentos agrários próprios para horticultura.
Elle julga que os seguintes serião sufficientes, para elle e os membros maiores de sua família, à saber:
Tres machados
Tres alviões
quatro enxadas
Tres pás
Tres cortadeiras
Um serrote 
dois martellos: um grande e um menor
dois formões: um grande e um menor
e também as sementes necessárias à plantação do mez de Janeiro próximo.
Nestes termos,
Pa. Va. Exa. se digne de o deferir com a justiça que costuma de que
E.R.Ma.
Curitiba, 11 de Dezembro de 1873.
(ass) Robert, Jacques
Deferido com a ordem desta data, Palácio da Presidência do Paraná, em 5 de Maio de 1874.
Frederico Abranches
Informar a contadoria (ilegível)."

4.  Índice do livro-caixa da colônia Argelina, Jacques Robert é o imigrante n° 48.


5. Folha deve/haver de Jacques Robert no livro-caixa da colônia Argelina e primeira referência encontrada do imigrante no Brasil.


"DEVE,
9 Setembro 1873, gratificação para si e sua mulher, 40$000
7 Maio 1874, idem à seus dois filhos, 40$000
7 Maio 1874, importância à sementes e lavoura, 86$600
8 Junho 1874, importância da casa n° 16, 300$000
8 Junho 1874, lotes de campo e floresta, n° 16 e n° 6, 137$000
Debita-se-lhe pelos favores concedidos a Agier Michel na qualidade de seu substituto, 885$544
Adiantamento na Suissa, 540 fr. sendo 330 fr. pela passagem e 210 fr. como (ilegível), 216$000
Dito em Marseille 612,50 fr., 245$000

HAVER"
em branco

Todos os documentos acima fazem parte do acervo do Arquivo Público do Paraná.

6. Abaixo-assinado agradecendo a concessão de terras, datado de 25 de outubro de 1875, disponível on-line aqui. Publicado no jornal Dezenove de Dezembro, edição 1652, de 27 de outubro de 1875.



terça-feira, 12 de novembro de 2013

A FAMILIA ROBERT CHEGA À COLÔNIA ARGELINA, CURITIBA


"Frederico José Cardais d'Araújo Abranches. Faço saber que tendo Jacques Robert requerido compra da casa n° 16 do lote de campo n° 16 e a da floresta n° 6, situados no núcleo colonial do Bacachery, mandei-lhe passar pela Secretaria desta Presidência o presente título provisório que será substituído pelo definitivo logo que o comprador se mostrar quite com a Fazenda Nacional. Vae este título por mim assignado e sellado com sello da mesma Secretaria. Palácio da Presidência do Paraná, em 22 de junho de 1874, (ass) Frederico José d'Araújo Abranches" (livro 62, acervo do Arquivo Público do Paraná).

Pelo título provisório acima, conseguimos saber que Jacques Robert adquiriu o lote n° 16 da Colônia Argelina. Não consegui nada a respeito do que seria o lote de floresta n° 6.


"Jacques Roberto. O Sr. Francisco Xavier da Silva Procurador do Estado, Faz saber que tendo Jacques Robert comprado o lote n° 16 da colônia Argelina (ilegível) a área de 80.000 m² (ilegível) 8,5 m (ilegível) com a Fazenda do Estado para a qual passaram (ilegível) direito de propriedade no dito terreno (ilegível) com a lei (ilegível), (ass) Fco Xavier" (sem local, sem data, acervo do ITCG)

A partir desse titulo provisório, conseguimos saber que o lote de Jacques Robert era de 80.000 m². Abaixo a localização do lote dentro da colônia e atualmente, dentro do aeroporto do Bacacheri.




O mapa da esquerda é da colônia Argelina e destaca o lote n° 16, de Jacques Robert, faz parte do acervo do ITCG. O mapa da direita é do IPPUC e está demarcada a região aproximada do lote de Jacques, localizado no terreno do aeroporto do Bacacheri. 

A imagem abaixo é do acesso principal ao lote de Jacques, atualmente dentro do aeroporto, marcado com o pino amarelo nos mapas acima.


Não sei até quando a família Robert permaneceu na colônia Argelina. Desde 1885 o lote 16 estaria com o italiano Pedro Zechin e contaria com uma casa de madeira, roça de milho, centeio e vinhas e mais 3 cabeças de gado. Em 1885 terminou a construção do trecho Curitiba-Paranaguá da estrada de ferro e a família pode ter se mudado para outro lugar, provavelmente no mesmo bairro. Arquivo Público do Paraná, livro códice 832, Estatísticas das colônias da Província do Paraná, organizada em dezembro de 1887.














terça-feira, 5 de novembro de 2013

A COLÔNIA ARGELINA

A instalação de colônias no Paraná deu-se a partir da criação da província do Paraná em 1853, anteriormente a região pertencia à província de São Paulo. As colônias foram formadas desde 1860 até o início do séc. XX. 

Em Curitiba a preferência foi por pequenas colônias, que deram origem a alguns bairros da cidade: Pilarzinho (1870), Abranches (1873), Dantas, atual bairro da Água Verde (1878), Santa Felicidade (1878), Argelina, atual bairro do Bacacheri.


"Os franceses se encheram
Da Argélia e vieram pra cá
Se esquecer de pensar em Parri
Era só gente fina a Colônia Argelina
Anchantê sivuplé uí madame merci"
Bacacheri, de Paulo Vitola


Entre os núcleos coloniais da região de Curitiba, estava a colônia Argelina, instalada em Curitiba em terras adquiridas pelo governo à margem da estrada da Graciosa (atual av. Erasto Gaertner) onde hoje é o bairro Bacacheri.


Mapa de Curitiba do IPPUC, com a região da colônia Argelina,
atual aeroporto do Bacaheri e arredores, em destaque

A colônia foi criada em 1868 e recebeu esse nome por acolher, num primeiro momento, ex-colonos franceses da Argélia.


do jornal Dezenove de Dezembro, ed. 1007, de 3 de julho de 1869, disponível on-line na Hemeroteca Digital Nacional, aqui.

Imigrantes chegados em Paranaguá no navio Polymerie (1869), inscrição no consulado, no site genfrancesa.com, clique aqui.

Essa colônia possuia 36 lotes rurais, além de alguns lotes urbanos que acompanhavam a estrada da Graciosa (atualmente av. Erasto Gaertner). 


Mapa de Milena Kanashiro - daqui 


Os primeiros colonos chegaram em 1869, mas foram aos poucos abandonando seus lotes. Três anos depois da chegada, metade deles já tinha saído da colônia.  Em 15 de fevereiro de 1872, o presidente da província do Paraná, descreve a situação da colônia Argelina, para ler o relatório na integra, clique aqui.























Com parte dos lotes desocupados, em fins de 1873 nova leva de colonos chega ao Paraná e à colônia Argelina.  Entre eles Jacques Robert que re-compra o lote do colono Michel Agier. Foram vários os substitutos dos primeiros colonos, uma relação mais detalhada pode ser obtida no Livro-caixa da colônia, disponível no Arquivo Público do Paraná.

Livro-caixa da colônia Argelina,
acervo do Arquivo Público do Paraná

Quatro anos depois, em 15 de fevereiro de 1876, o presidente da província do Paraná descreve da seguinte forma a colônia Argelina. Para ler o relatório na integra, clique aqui.



Realmente Jacques Robert era estranho a lavoura e em 1880 já estaria trabalhando na construção da estrada de ferro Curitiba-Paranaguá, mas não sei se abandonou a colônia, já que seu registro de óbito foi feito no cartório do Bacacheri, veja aqui.

Não encontrei nenhuma referência de Jacques e família na Argélia, há necessidade de pesquisar melhor.

Uma das suas filhas, Marie Catharine, não veio ao Brasil e não encontrei seu óbito em Saint-Etiènne. Ele pode ter ocorrido em outro lugar na França, ou a bordo do navio na travessia atlântica, ou então na Argélia. Encontrar esse documento poderia resolver esse mistério ... a família Robert esteve ou não na Argélia antes de vir ao Brasil ?? Pessoalmente penso que não.

Ajudaria muito encontrar a documentação do navio em que fizeram a travessia atlântica, as listas de embarque ou desembarque.

Para saber alguma coisa da Argélia enquanto colônia francesa, clique aquiaqui ou aqui.

Para pesquisar registros civis (nascimento, casamento, óbito) de franceses na Argélia colonial, clique aqui.


Mapas de parte da colônia Argelina, o da esquerda faz parte do acervo do ITCG, o da direita, atual, do IPPUC.

E esse mapas, onde estarão ?


Jornal Gazeta Paranaense, ed. 3, de 5 de janeiro de 1886, aqui.

Dos tempos da colônia Argelina  resta ainda, no bairro do Bacacheri, a Casa do Burro Brabo. Onde o Imperador fez xixi em 22 de maio de 1880 !! Acredita-se que construída por volta de 1860, situada na av. Erasto Gaertner 2035. Abandonada, tombada, restaurada, novamente abandonada. Não é permitida a visitação.

Para saber mais, clique aquiaqui e aqui.

daqui