terça-feira, 28 de outubro de 2014

SUBINDO A SERRA DO MAR ... COMO ?


Como eles teriam subido a Serra ? Por qual caminho ?

Podemos ter uma idéia da viagem de Johann Gerber e da família Bunde, de Joinville para Curitiba, a partir do relato da viagem da família Strobel em 1855. O pai da família saiu primeiro de Joinville e optou por vir pelas praias, depois vieram a mulher e os filhos pela Serra.

Segundo Egon Strobel, em seu livro disponível on-line aqui, em meados do séc. XIX existiam 3 opções de caminhos do litoral norte catarinense para o planalto curitibano, eu acrescentaria uma quarta possibilidade. 
"Para se chegar de Joinville ao Paraná havia três opções: a primeira seguia pela mata virgem, através da serra, em di­reção de Ambrósios. Este trajeto era bastante penoso e também perigoso. Era infestado de animais ferozes e também habitado pelos temíveis "bugres", que freqüentemente armavam ciladas aos viajantes que seguiam em pequenos grupos. Só não ata­cavam quando estes seguiam em maior número."


O Caminho dos Ambrósios, também conhecido como Estrada Três Barras, existe ainda hoje. Para alguns autores era, nos seus primórdios, caminho de índios. Foi utilizado comercialmente principalmente entre 1870 e 1911, substituído pela Estrada Dona Francisca e pelos trilhos de trem. Para outros autores, era ramal  do Caminho do Peabirú.
"No dia 20 de abril de 1855, minha mãe viajou com suas três crianças e mais alguns outros colonos em companhia da tropa do senhor Gaspar, de Joinville em direção ao Paraná. Esta viagem, através da floresta virgem e da serra, era bas­tante estafante para homens, e naturalmente para minha mãe e as crianças ainda pior.   As crianças viajavam em cestos colocados em pares nos lombos de mulas. Minha mãe e a irmã montavam cada qual em um cavalo manso ...." Daqui.
A viagem da família Strobel, subindo a Serra do Mar, via Estrada Três Barras no nordeste catarinense até os campos de São José no planalto curitibano, durou 14 dias. Atualmente essa viagem, via BR-101, dura 2 horas.

do alto da Serra

no alto da Serra - Tijucas do Sul

Para saber mais clique aqui e aqui

Outras fotos, clique aqui

Início da Estrada Três Barras, no monte Crista aqui.

"O segundo caminho era o marítimo, via porto de São Francisco a Paranaguá e deste para Curitiba. Esta opção era custosa e cheia de dificuldades."
Esse caminho era o mais caro, e provavelmente o mais seguro  também. Os imigrantes percorreriam de barco o litoral norte catarinense até o litoral paranaense. Em seguida poderiam subir a Serra do Mar em direção à Curitiba ou pelo Caminho do Arraial, ou pelo Caminho do Itupava ou pela Graciosa, todas antigas trilhas utilizadas por índios e tropeiros, para transporte de madeira e erva-mate. 

A Estrada da Graciosa teve seu alargamento e pavimentação iniciados em 1853 e concluídos em 1873. Um pouco mais sobre a Estrada da Graciosa, clique aqui e aqui.

Estrada da Graciosa -  final séc. XIX - IHGP - daqui

atualmente
"A terceira alternativa era via litoral através das praias até Paranaguá."
A opção feita por Strobel, quando veio sozinho para Curitiba. Tomando esse caminho os imigrantes também poderiam subir para o planalto curitibano por um dos Caminhos citados acima.

A quarta possibilidade de trajeto sairia de Joinville para Curitiba, via Estrada Dona Francisca (antiga Serra strasse). A construção dessa estrada teve início em 1853 e foi concluída em 1895, ela passaria por São Bento do Sul, Mafra e Rio Negro já em solo e no planalto paranaense.






Fotos da Estrada Dona Francisca, clique aqui

Para saber mais clique aqui.



terça-feira, 21 de outubro de 2014

SUBINDO A SERRA DO MAR .... QUANDO ?


" ... só os arredores de Curitiba já contam com 1.000 alemães, cuja maioria mudou-se da colônia para lá ..."
Do 20º Relatório da Direção da Sociedade Colonizadora de 1849 em Hamburgo em dezembro de 1871, onde fazia-se referência aos muitos colonos que saiam da colônia Dona Francisca (Joinville) e seguiam para Curitiba em busca de melhores oportunidades e clima mais ameno.


“Os resultados satisfatórios alcançados na colonização das cercanias de Curitiba, atrairam ainda maior afluência de reimigrantes de outras regiões do Paraná e mesmo de outras Províncias, os quais se dispersaram pelas colônias já existentes ou formaram colônias particulares ou ou ingressaram nas atividades artesanais e industriais da cidade".
Pilatti Balhana, Pinheiro Machado, Westphalen - História do Paraná, Grafipar, 1969, pg. 168

Johann Friedrich Gerber casou em Curitiba com Albertine Bunde em 1875. Ele e parte da família Bunde, de quem falaremos brevemente,  sairam de Joinville em Santa Catarina  e se estabeleceram em Curitiba no Paraná.

Dos 3 irmãos Gerber, o único que foi morar em Curitiba, foi Johann Friedrich Gerber. Dos outros dois irmãos não tenho notícias. Todos os Gerber documentados na Igreja Luterana de Curitiba são descendentes de Johann Friedrich.

Quanto aos Bunde, apenas  Ferdinand e Carl Bunde subiram a Serra do Mar em direção ao planalto curitibano, com as respectivas famílias.

Quando eles teriam subido a serra ? 

É mais difícil precisar quando Johann Friedrich Gerber subiu a Serra. Ele estaria na colônia Dona Francisca (Joinville) até 1863 aos 13 anos de idade, quando foi feita a confirmação de seu batismo. Casou em Curitiba em 1875, portanto foi entre esse período que mudou de cidade, entre 1863 e 1875. Teria ido sozinho, acompanhando alguma família, talvez a própria família Bunde ? Não tenho idéia ....

A família Bunde ainda estava na colônia Dona Francisca (Joinville) em 1872. Nesse ano, Albertine foi madrinha de batismo do filho de Heinrich Bunde. 

O filho mais velho de Ferdinand, Friedrich Bunde,  precedeu a todos na ida a Curitiba. Em seu casamento em Joinville em 1872 declarou ser residente em Curitiba.  No mesmo ano nasceu, ainda em Joinville, sua irmã caçula Emilie Auguste. Foi a partir de 1872 que a família inteira se mudou para a capital paranaense.


de João Leão Pallière, sem data,  daqui

Para ir de Joinville, no litoral catarinense, para Curitiba, no 1º planalto paranaense, sobe-se a Serra do Mar. Nesse periodo, existiam alguns caminhos possíveis. Mas por qual deles vieram os Bunde e Johann Friedrich ?



terça-feira, 14 de outubro de 2014

ORFÃOS


Depois do falecimento dos pais e da meia-irmã mais velha, fico me perguntando o que teria acontecido com os três meninos. Ainda não encontrei uma resposta para essa questão.

Nessa época a assistência aos orfãos era dada pela Igreja, mas conforme citado na postagem anterior, após 1858 e por cinco anos, a colônia Dona Francisca ficou sem pastor, até 1863 aproximadamente. Não existiam casas para orfãos, a primeira em Joinville foi a Sociedade de Caridade e Asylo de Órfãos e Desvalidos (atual Lar Abdon Batista) em 1911. É grande a probabilidade das crianças terem seguido com famílias e por caminhos diferentes (a confirmar).

No mesmo navio em que chegou Carl August Gerber, chegaram mais sete famílias de Billerbeck, a família de Johann Brüske, a de Carl Huch, a de Gottlieb Lembcke, a de Johann Nass, a de August Pluhm, a de Dorothea Raabe, a de Dorothea Siedschlag, veja aqui.  Eles podem ter ficado com uma dessas famílias.

Em 1862 chegou a família de Johann Briezig de Billerbeck, provavelmente aparentados com o primeiro marido da mãe dos meninos, veja aqui.

Vieram outros Gerber para a Colônia Dona Francisca, mas provavelmente não eram da mesma família, eram de cidades diferentes.

Estivessem com quem estivessem, o fato é que os três estavam com famílias luteranas. Encontrei a confirmação do batismo dos três meninos, na Igreja Luterana de Joinville, no microfilme SUD 2244023:

- em 1860, encontrei a do irmão mais velho Carl August, na pg. 20, reg. N° 3, escrita muito fraca, praticamente ilegível.

- em 1863, encontrei a confirmação de Johann Friedrich, meu bisavô, na  pg. 40, reg. N° 33


residência: ? não entendi
nascimento: 14 de março de 1849 em Billerbeck
pai: August Gerber
mãe: Sophie geb. Diedrich

-  em 1865, encontrei a confirmação do batismo de Ferdinand August, o caçula, na pg. 52, reg. N° 13



residência:
nascimento: 25 de junho de 1851 em Billerbeck
pai: August Gerber
mãe: Sophie geb. Diedrich

Dos três irmãos Gerber somente Johann Friedrich foi para Curitiba, os registros da família Gerber que existem na Igreja Luterana de Curitiba, são todos de descendentes de Johann Friedrich.







terça-feira, 7 de outubro de 2014

JOHANNE LOUISE


Não, ainda não acabou a sucessão de tristezas ....

No dia 08  de  fevereiro de 1860, dois meses apenas após o falecimento de Carl August,  morreu  Johanne Louise, deixando os orfãos completamente sem assistência, veja aquiDois anos após a chegada no Brasil todos os adultos da família haviam falecido.


Joahnne Louise Brietzig
Billerbeck, Pommern
Com 23 anos de idade
Residente em Joinville
Dia e hora do falecimento: 8 de fevereiro (de 1860)
Pai: Gerber, padastro (stiefvater)
Data do funeral: 09 de fevereiro
Local: dito (Joinville, cemitério dos imigrantes, rua XV de novembro)

Tristeza número 6 e última ... enfim ....

Essas quatro pessoas, o bêbe, a mãe e o pai e Johanne Louise, foram sepultadas no Cemitério dos Imigrantes, situado na atual rua XV de Novembro na região central de Joinville. 





Esse cemitério é o único tombado pelo patrimônio histórico no Brasil (Iphan) e não realiza sepultamentos há mais de cem anos. Nele existem cerca 490 sepulturas e cerca de 2.000 sepultados.

Nenhum dos assentamentos dos óbitos esclarecem a causa da morte. Pode-se pensar na possibilidade de problemas no parto para o falecimento de Sophie e do bebê. Partos em navios eram temidos e perigosos, por significarem falta de condições sanitária mínimas e total ausência de assistência de parteira ou médico.

Pela proximidade entre os óbitos de Carl August e Joahnne Louise (2 meses) pode-se pensar em alguma doença contagiosa ou endêmica. Nos núcleos coloniais catarinenses do século XIX a proximidade com a mata atlântica propiciava a transmissão da febre amarela (conhecida como “vômito negro”) e da malária, a falta de preocupação higiênica gerava condições para tifo, cólera e surtos de varíola (“bexiga”). As doenças com maior incidência eram a febre amarela e a varíola.

Os três meninos ficaram sozinhos. Carl August com 13 anos de idade, Johann Friedrich com 10 e Ferdinand August com 8.