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terça-feira, 16 de agosto de 2016

ATUALIZAÇÃO - FAMÍLIA JACOBI

Raimund Jacobi nasceu e viveu em Böhlen, Turíngia, até 1852, quando emigrou para o Brasil. Como já vimos ele veio com seu tio Friedrich Bratfisch, veja aqui.

Na Wikipedia alemã encontra-se um artigo sobre a cidade de Böhlen. Nesse artigo encontramos algumas informações interessantes sobre a vila, seus moradores e sobre o trajeto que alguns deles fizeram quando imigraram para o Brasil.
"Situação dos tecelões e emigração 
Em 1800, deveria haver um tear em quase todas as outras casas na aldeia."  

 A foto acima, "O tecelão" é daqui.
"Em torno de 1850 os tecelões sofreram  um golpe dos mais pesados. Devido à invenção de máquinas de tecelagem e à industrialização, os tecelões já não eram competitivos. Todas as famílias que viviam da tecelagem sofreram grande angústia (empobreceram). Muitos chegavam a ir a Konigsee (cerca de 15 km.) mendigar.  
Um dos  livros da igreja de Herschdorf (6 km.) traz o relato de duas crianças de Böhlen que morreram de frio no caminho de casa em Dröbischau . 
A situação precária dos tecelões os levou a furtos e roubos. Em 1848 foi criada pelos cidadãos do local a polícia voluntária. Em 1850, um caçador böhlener foi baleado por um engenheiro florestal de Gehren. 
O ano de 1850 testemunhou o auge do sofrimento dos tecelões de Böhlen . Um cidadão rico apresentou uma proposta para estimular as famílias pobres a emigrar. Ele chegou a disponibilizar 300 talers para isso. Os tecelões pobres foram recrutados para emigrar e ​​todos os custos da emigração foram reembolsados. Em geral, o custo dos 155 emigrados chegou a 1200 talers."  (*)

Foto daqui, do filme Die andere Heimat  (A outra Patria), mais sobre o filme aqui.
"O trajeto de Böhlen para Hamburgo, no dia 08 de março (de 1852) : 
às 07:00 hs. começa a viagem em Böhlen, com 4 parelhas para Möhrenbach (10 km.) 
às 08:30 hs. em  Möhrenbach - briga  
Em Möhrenbach as crianças restantes tomaram uma carroça para Gehren (3 km.) 
de Gehren  para Stadtilm (19 km.) - almoço Schweinefleisch Wurst ( lingüiça de porco ) 
Em Stadtilm as cenouras do Bacher cocheiro são lançadas no (rio) Ilm (?) 
novas parelhas em Stadtilm 
no distrito de Tannroda (17 km.), todos os bares cheios de curiosos 
de Weimar (17 km.) partem de trem para Hamburgo (mais 400 km.)"

Total: cerca de 466 k.

O mapa abaixo é daqui, em azul o rio Ilm, sublinhadas em vermelho as cidades citadas na Wikipedia, que fazem parte do trajeto de Raimund Jacobi e companheiros desde Böhlen até Hamburgo.


Mapa animado com a expansão das linhas férreas na Alemanha, clique aqui.
Estradas em Tuhringen 1848, clique aqui.

(*) Quanto aos gastos com a migração, é interessante observar que aqui lemos sobre o pagamento das dívidas dos imigrantes referente às passagens, estadia e gêneros, conforme citado nos Relatórios Provinciais de 1858, 1860 e 1861. Talvez a despesa desse rico cidadão de Böhlen refira-se ao percurso Böhlen-Hamburgo já que o restante da viagem foi custeada pelos próprios migrantes.

Raimund e seus companheiros de viagem embarcaram dia 11 de março de 1852 no porto de Hamburgo chegaram ao Brasil dia 17 de maio, 67 dias depois, veja aqui. Ele veio em busca de melhores condições de vida e em busca de terras !!

AINDA SOBRE O LOTE DE RAIMUND JACOBI EM SANTA CATARINA ....

Arbritagem de valor do lote de Raimund Jacobi, publicado no jornal "A República" de Desterro, dia 13 de setembro de 1883. Os requerimentos foram despachados e mandados publicar pelo governo da Província em 10 de setembro.


Convocação para receber o título definitivo de propriedade do lote pertencente a Raimund Jacobi, publicado no jornal "A República" de Florianópolis-SC, dia 28 de junho de 1895.  Despachado e mandado publicar pelo governo de Estado, na "Administração do cidadão engenheiro Hercílio Pedro da Luz, exepediente do dia 15":



Para ver o título de propriedade e saber mais sobre o lote de Raimund, clique aqui e aqui.







terça-feira, 5 de março de 2013

BEHRINGER, UHLMANN, JACOBI, RÜHER - FESTA !!!



Está sendo organizado o “2° Encontro da Família Behringer”.

Convidados: todos os descendentes da Johann Wilhelm Behringer, ou seja, os Behringer, Bäringer, Bäring, os Uhlmann, os Männchen, os Rüher, os Jacobi, os Krüger, os Eger, ou quem tenha tido uma mãe, avó, bisavó … com esses nomes; de Santa Catarina e adjacências, de perto ou de longe; enfim, nosso convidado especial é você.

Objetivo: aproximar, trocar informações e experiências, pura diversão e principalmente, saber do que duas pessoas e 161 anos são capazes.

Quando: dia 09 de novembro de 2013 (informações abaixo)

Onde: Pomerode em Santa Catarina

Organização do evento: Helmtraut Bäringer Pereira (Curitiba-Pr)

Informações: helmtraut@hotmail.com

Para conhecer Pomerode: pomerode.sc.gov.br
                                  vemprapomerode.com.br

NOVO DIA PARA A FESTA: 23 de novembro a partir das 18 horas
Armalwee - Restaurante Maass
Rua Concórdia, 100 - Testo Rega
Telefone: (47) 3395-1355
e-mail: restaurantemaass@hotmail.com

Na festa serão oferecidos  pratos típicos alemães como marreco recheado, eisbein e chucrute, acompanhados de boa música alemã.

Preço: R$ 28 por pessoa, bebidas e serviço (garçon) a parte
           o total deve girar em torno de R$ 35,00 reais por pessoa
           os preços ainda estão sendo negociados

Serve chopp Warsteiner e cerveja Erdinger.

Agumas  informações do restaurante aqui e aqui.

Algumas fotos da cidade, aqui.




sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

ATUALIZAÇÃO - JACOBI - O LOTE DE RAIMUND JACOBI EM BLUMENAU

Por oito anos, Raimund Jacobi permaneceu na fazenda cafeeira fluminense Santa Justa. Em março de 1861 transferiu-se com a família para a colônia Santa Isabel em Santa Catarina. Aí ficou mais alguns anos. Antes de 1873, mudou-se novamente  com a família, desta vez para a colônia Blumenau, cerca de 150 km. ao norte.

Na colônia Blumenau, Raimund Jacobi adquiriu o lote n° 87, com 82.727 braças quadradas (400.400 m²) no ribeirão da Mulda. 
"O terreno constante da prezente medição é de ínfima qualidade visto ser muito montanhoso."






O documento acima é o Memorial de Medição do lote de Raimund, feito pelo agrimensor João Breithaupt em 8 de maio de 1884, disponível para consulta no Arquivo Público de Santa Catarina. Nessa data Raimund contava com aproximadamente 55 anos e estava há pelo menos 10 em Blumenau. A solicitação do título de propriedade definitivo foi feita em 1895, conforme visto aqui.







O dois mapas foram disponibilizados pela pesquisadora Brigite Brandenburg no grupo Yahoo SC-Gen, muito obrigada !!! O primeiro, completo, está aqui.

A numeração do lote no primeiro mapa de 1872 e a descrição do lote constante no Memorial de Medição acima de 1884 (cita confronto oeste com o ribeirão), não conferem. Pode ter acontecido alguma  modificação na numeração dos lotes neste intervalo de tempo ou algum erro do agrimensor ou meu mesmo ...

Os filhos de Raimund também viveram em Blumenau, Carl, Wilhelm, Albert e Tekla. A documentação existente referente aos lotes que adquiriram está disponível para consulta no Arquivo Público de Santa Catarina, Wilhelm Jacobi ainda possui a documentação de um segundo lote que está disponível para consulta no Arquivo de Blumenau.



segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

ATUALIZAÇÃO - JACOBI - COM QUEM VEIO RAIMUNDO ?

Em 1852 chegou ao Brasil, Raimund Jacobi, vindo de Böhlen, na Turíngia, para trabalhar numa das colônias de parceria fluminenses. Sempre me perguntei como teria vindo, já que por força contratual ele não poderia ter imigrado solteiro e sem família, como de fato veio. Com quem teria vindo ?




Fonte: Relatório apresentado ao Exmo.Sr.Vice-Presidente da Província do Rio de Janeiro, o Commendador João Pereira Darrigue Faro pelo Presidente o Conselheiro Luiz Pedreira do Coutto Ferraz por occasião de passar-lhe a administração da mesma Província em 03 de maio de 1852, Niterói, Typographia de Amaral e Irmão, 1852 (parte).

Junto com que família teria embarcado ?? Inicialmente suspeitei que teria sido com a família Uhlmann. Inicialmente ...

Recentemente recebi de Suzete S. Glitz, a transcrição de um documento que ela havia soliticitado ao Arquivo da Turíngia (Rudostadt). O mais interessante neste documento é que ele responde à pergunta: Com quem veio Raimundo?  Abaixo, repasso o que ela tão gentilmente enviou:


Attest

Dass an nachgenannte Einwohner zu Böhlen :
  1. Johann Heinrich Nikol Wenzel und dessen Frau und 3 Kinder auch Christian Emil und Ali Schneider.
  2. Christian Friedrich Morgenroth, dessen Ehefrau und deren 2 Kinder, auch Johann Julius Morgenroth;
  3. Christoph Nikol Eger , dessen Ehefrau und 8 Kinder;
  4. August Ferdinand Ebert , dessen Verlobte Grossmann und deren Sohn , auch Friedrich Ebert und Christian Simon Albert Knatner;
  5. Gottfried Ehrhardt , dessen Ehefrau und 5 Kinder, auch Beate Tischer;
  6. Karl Henklein und dessen Verlobte Rosenbaum und deren Kind,
  7. Johann Friedrich Uhlemann , dessen Ehefrau und 7 Kinder,
  8. Friedrich Ferdinand Bratfisch, dessen Ehefrau und 6 Kinder, auch Raymund Jakobi;
  9. Christian Wilhelm Metzger, dessen Ehefrau und 4 Kinder , auch Heinrich Georg Bergmann und Christian August Bauer;
  10. Heinrich Jakob Elias Männchen, dessen Ehefrau und 6 Kinder;
  11. Georg Nikol Wilhelm Bauer, dessen Ehefrau und 4 Kinder;
  12. Nikol Heinrich Harrass, dessen Verlobte und deren 3 Kinder
Die Reiselegitimation zur Auswanderung nach Brasilien ausgehändigt werden können, wird bescheinigt.
Königsee , de 2. März 1852
Fürstl. Schwarzb. Justiz-Amt das.(sc.selbst)

(Ass.: ilegível)
Carimbo do Fürstl.
Schw.Justiz Amt
Sign. cad.
Haben sämtl unter 1-12 aufgeführten 
Familienhäupter
Ausw.-Pässe bekommen.
Schr. (ass. Ilegível)

Negrito meu. O documento está em gótico e segundo Suzete, "trata-se, pelo visto, de um atestado passado pela competente autoridade de que as pessoas citadas receberam a legitimação para viajar ao Brasil, para o que lhe foram expedidos os passaportes de viagem aos "cabeças" de famílía (Familienhäupter)."

Ao contrário do que pensei inicialmente, ele não veio com a família Uhlmann, Raimund Jacobi veio acompanhando a família Bratfisch.



Lista de passageiros, embarque da família Bratfisch no navio Catharina no porto de Hamburgo em 1852, daqui.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

ATUALIZAÇÃO - BEHRINGER E JACOBI - A VIAGEM DE WILHELM E RAIMUND

Um dos jornais que faziam a propaganda da imigração para o Brasil, América do Norte ou Austrália era o "Allgemeine Auswanderungs Zeitung", da Turíngia, cujas edições de 1846 até 1870 estão disponíveis para consulta on-line aqui.


Quer saber como eram movimentados os portos europeus em meados do séc. XIX ???



O grifo em vermelho ressalta a partida no navio Lorenz em que viajou Wilhelm Behringer com a família. Observe que a data inicial era 25 de fevereiro de 1852, o navio acabou atrasando e partindo dia 11 de março. O porto de Hamburgo era bastante movimentado,  no dia 25 de fevereiro eram 18 navios com partidas marcadas.

Como eram as propagandas para imigração ??


sexta-feira, 16 de novembro de 2012

RESUMO E BIBLIOGRAFIA


Com esta postagem encerro a divulgação da pesquisa que fiz sobre a família da minha avó materna (da mãe da minha mãe): os Rüher, os Jacobi e os Behringer de Santa Catarina. Existe muito muito mais a ser pesquisado, e conforme forem feitos os novos achados, pretendo atualizar o blog.


As novas postagens serão sobre a família do meu avô materno (do pai da minha mãe), que envolve os franceses Robert e os alemães Gerber e Bunde de Curitiba. Outra linda e emocionante história !!!

Até agora conhecemos,

Wilhelm Behringer, que  teve os filhos:
  1. Marie Louise Behringer, minha trisavó
  2. Elizabeth (casada com Friedrich Uhlmann)
  3. Friedrike (casada com Treuhardt Männchen)
  4. Theodor (casado com Leonor Bergmann)
  5. Michael (casado com Sophie Beselin ou Berlin ou Bellin)

Raimund Jacobi casou com Marie Louise Behringer em 1852 em Petrópolis e teve os filhos:
  1. Carl August Friedrich (casado com Marie Christiane Josiger)
  2. Carl Friedrich Wilhelm (casado com Emilie Ernestine Berner, Marie Sievers, Henriette Ziemer)
  3. Peter Friedrich Christian (casado com Auguste Fritske Berner)
  4. Marie Tekla (casado com Gustav Richard Rühe), minha bisavó
  5. Albert Friedrich Theodor (casado com Ottilie Baumgärtel)
  6. Heinrich Christian Theodor
  7. Laura Wilhelmine Leonore (casada com Heinrich Blank)
  8. Marie Therese Lisette

Johann Hermann Rühe casou com Clara Louise Wendt na Prússia e teve os  filhos:
  1. Anna Rühe (casada com Friedrich Krüger)
  2. Anton Otto Rühe (casado com Maria Júlia Matte)
  3. Hulda Ludowika Rühe
  4. Gustav Richard Rühe, meu bisavô

Marie Tekla Jacobi casou em 1884 em Blumenau com Gustav Richard Rühe e teve os filhos:
  1. Hermann Albert (casado com Catharina Jacobi e Beatriz Cardoso)
  2. Wilhelm Otto (casado com Thereza Denk)
  3. Richard Luis (casado com Ida Jacobi , Klabunde e Maria Martins)
  4. Maria (casada com Gustavo Helbing)
  5. Emília (casada com Gumercindo de Oliveira Godoy)
  6. Helena (casada com Heinrich Gestmeier)
  7. Ricardo (solteiro)
  8. Arthur (solteiro)
  9. Anna (casada com Fernandes Robert) minha avó
  10. Theodoro Rüher (casado com Rosa Criminacio)


Anna Rüher casou em 1924 em Curitiba com Fernandes Robert e teve as filhas:
  1. Maria de Lourdes, minha mãe
  2. Dolores
Bem-vindo, Fernandes Robert !!!


BIBLIOGRAFIA

Além dos links e livros já citados, foram usados:

ALVES, Débora B. - Cartas de imigrantes como fonte para o historiador: Rio de Janeiro-Turíngia (1852-1853), disponível aqui

BÖBEL, Maria Theresa e outra – Joinville – os pioneiros: documento e história, Ed. Univille, 2001.

CARNEIRO, David - O Paraná e a Revolução Federalista,

COSTA, Emília Viotti da – Da senzala à colônia, Difusão Européia do Livro, São Paulo, 1966.

FICKER, Carlos – História de Blumenau,

HENKELS, Henry - Indíos Botocudos, os nativos indígenas da região norte catarinense, disponível aqui

HOLANDA, Sérgio Buarque – História Geral da Civilização Brasileira,


JOCHEM, Toni Vidal – Pouso dos Imigrantes, Florianópolis: Papa-livro, 1992.

JOCHEM, Toni Vidal -A epopéia de uma imigração, Ed. do autor, 1997.

KÜHL, Johann - Como me tornei um negro-branco, in Kalender für die Deutschen in Brasilien. São Leopoldo, Rotermund, 1915, pg. 343-353, tradução de Brigitte Brandenburg.

MARTINS, Ana Luiza – Império do café,

MENDES, José Sachetta Ramos – Desígnios da lei de terras: imigração, escravismo e propiedade fundiária no Brasil Imperial, Caderno CRH, vol. 22 n° 55, Salvador acessado em março 2012, disponível aqui


Prefeitura de Blumenau-Sc – www.blumenau.sc.gov.br

Relatórios de 1852, 1858, 1860 e 1861 disponíveis no site www.crl.edu.

SANTOS, Manoel R.S. Teixeira - Vida e trabalho na floresta, UFSC, disponível aqui

SEIFERTH, Giralda – Problemas de classe e gênero em narrativas de imigrantes, disponível  aqui, acessado em março de 2012.

SENA, Priscila Carboneri de – Varíola e febre amarela: fontes de preocupação em Desterro, Revista Santa Catarina em História, Florianópolis, UFSC, v.1, n.1, 2008, disponível aqui acessado em abril de 2012.

SILVA, J. Ferreira da – História de Blumenau, Florianópolis: Edeme.

STOER, HERMANN – Crônica da Paróquia Santa Isabel in JOCHEM, Toni Vidal (org.) - Sesquicentenário da Colônia Alemã Santa Isabel – 1847-1997, Águas Mornas:

TSCHUDI, Johann Jakob von – As colônias de Santa Catarina, Blumenau: CNPq: Fundação Casa Dr. Blumenau, 1988.

VICENZI, Jacomo - Uma viagem ao estado de Santa Catharina em 1902, Typ. Marino, Nictheroy, 1904, disponível aqui

Pesquisadores dos grupos yahoo sc_gen e imigracaoalema, que forneceram mapas, informações, orientações para leitura, tradução de documentos, etc..,





quarta-feira, 10 de outubro de 2012

OS COLONOS E OS HABITANTES DA FLORESTA

Quando os imigrantes alemães chegaram nas colônias do sul, o ambiente encontrado era totalmente selvagem. Flora e fauna completamente diversa da que estavam acostumados, exuberante floresta atlântica tropical, calor, umidade, doenças tropicais desconhecidas, animais selvagens de pequeno e grande porte, grupos indígenas vivendo por toda a região. 


Acervo Arquivo de Blumenau

Morar próximo à mata virgem significava o convívio com animais silvestres. O autor José F. Silva, em sua "História de Blumenau" conta que 
“... um fato inusitado e de dolorosas consequências, deu-se no povoamento, que se levantara em 1879, das linhas Itoupava e Massaranduba. Um colono, Cornélio Murphy, que se situara num dos primeiros lotes da região, ocupava um rancho de palmitos, cujas paredes estavam cheias de frestas. Uma onça, proveniente do mato próximo, acercou-se, cautelosamente do rancho e através de uma dessas frestas alcançou com a pata dianteira o colono que dormia a sono solto. Gravemente ferido, Murphy faleceu dois dias depois no hospital da Colônia, para onde foi transportado. Esse fato causou triste repercursão e surpresa em toda região. Onças e outra feras, havia-as inúmeras pelas redondezas. Nunca, porém, se ouvira dizer que elas chegassem assim tão perto do homem, a ponto de atacá-lo no próprio leito. A luta contra essa espécie de habitantes da floresta fora comum nos primeiros dias da colonização. Onças, jaguares, guaraxains, vinham buscar suas presas nos currais e galinheiros anexos às primitivas residências dos colonos, mas não havia, até então, acontecido caso semelhante ao de Murphy”.

Gustav Rühe e TeKla assim que casaram em 1884, foram morar na região de Massaranduba, conforme o registro de batismo de seus três primeiros filhos.

Se por um lado a proximidade com a floresta podia ser perigosa, por outro podia significar alimentos e uma fonte extra de renda.  A  caça  de "bicho do mato", paca, veado, porco do mato, anta, jacutinga, jacu, macuco que os Rühe vendiam em São Bento do Sul, depois de se mudarem para lá (1896) e  com os quais complementavam a alimentação também.

OS ÍNDIOS (os bugres)

Helena Rühe em seu depoimento, disse que na 
"... Estrada dos Bugres (em São Bento do Sul, nos primeiros anos do séc. XX), os bugres nunca fizeram nada para a família... foram buscar casca de araçá, cedo, ouviram o barulho de passos e as crianças fugiam para casa. Se esqueciam qualquer coisa fora, machado ou (ilegível), os bugres pegavam."


Início da estrada dos Bugres - S. Bentodo Sil - 2012

A questão indígena é bastante recorrente em vários livros e textos sobre a colonização na região sul do país. 




Abaixo um vídeo de 1928 feito por ocasião da passagem de Günther Plüschow pela região de colonização alemã no Brasil, Blumenau inclusive.




Bugreiros eram contratados para afugentar, prender ou matar os índios. Na foto o mais conhecido bugreiro de Blumenau, Martinho Bugreiro,  com sua tropa e vítimas, apenas mulheres e crianças.

Epa ... tinha um sujeito com dor de dente ali !!!


da revista Blumenau em Cadernos

Para saber mais sobre os índios nativos de Santa Catarina, ler a pequisa de Henry Henkels, disponível aqui.

Um caso ocorrido na colônia Dona Francisca em 1873, colonos e índios, leia aqui.

Reportagem de Carol Macário, do Diário Catarinense, aqui. Excelente !!!

Sobre os povos indígenas em SC e no Brasil, https://pib.socioambiental.org/pt/povo/kaingang









sexta-feira, 7 de setembro de 2012

EM BLUMENAU, ONDE ??

É difícil localizar o lote em que a família de Johann Hermann Rühe (Rüher) se alojou. No Arquivo de Santa Catarina (Saco dos Limões, Florianópolis) estão parte dos documentos ref. a terras e colonização, mas não foram encontrados documentos de Johann Hermann. Já o  Arquivo Histórico de Blumenau foi vítima de um incêndio em 1958 e muitos documentos se perderam, também não foram encontrados documentos de Hermann neste arquivo. O que se pode fazer é tentar localizar aproximadamente a região em que foram residir a partir dos documentos (nascimentos, casamentos, óbitos) da Igreja de Confissão Luterana de Blumenau.

Consta no casamento de Gustav Richard Rühe realizado em 1884 que o noivo era de Encano Norte. Em 1891 falecia Clara Louise Rühe geb. Wendt, mãe de Gustav, e seu óbito foi informado pelo Inspetor de Quarteirão de Passo Manso.


Mapa de Blumenau - 1864
daqui, original no Arquivo de Blumenau

Segundo o site da prefeitura de Blumenau a localidade de Passo Manso era conhecida por Stiller-Pass, perto de um local com águas tranquilas do rio Itajaí-Açú onde era possível fazer a travessia por balsa. No mapa de 1864 era formada por parte dos lotes do distrito 7 na margem direita do rio e por parte dos lotes do distrito 8 na margem esquerda do rio. Atualmente apenas a região da margem direita do rio se chama bairro Passo Manso, a região da margem esquerda passou a se chamar Badenfurt.

Encano do Norte é uma localidade situada na margem esquerda do rio Itajaí-Açú, contigua ao antigo Passo Manso da margem esquerda (distrito 8), atualmente é cortada pela BR-470 e é um bairro pertencente ao município de Indaial.

O mapa acima é da Blumenau de 1864, portanto do ano em que os Rüher chegaram à cidade. O círculo vermelho corresponde à localização aproximada da propriedade da família, a partir das informações do casamento de Gustav e do óbito de Clara.


Mapa de Blumenau - 1872 - Acervo do Arquivo de Joinville

O mapa acima é da colônia Blumenau em 1872, observe como em 8 anos ela cresceu, como se espalhou como teia de aranha, acompanhando os rios. O círculo em vermelho é da região de Passo Manso. 
Mapa gentilmente cedido pela pesquisadora Brigitte Brandenburg.


Região do antigo Passo Manso - distrito 8

Pouco antes do ano 1873 chegou em Blumenau a família Jacobi, Raimund e a mulher Marie Louise mais sete filhos. 


Acervo do Arquivo Público de Santa Catarina

Raimund adquiriu o lote n° 87, com 82.727 braças quadradas no ribeirão da Mulda em Blumenau. O documento acima, de 5 de abril de 1895, é uma solicitação para a emissão da escritura definitiva do lote, já inteiramente quitado. Observe a assinatura do meu tetravô sobre o selo federal. Nesse data Raimund contava com aproximadamente 65 anos e estava há pelo menos 20 em Blumenau.

Os irmãos e irmãs de Marie Louise Behringer (cunhados de Raimund Jacobi) quando sairam da colônia Santa Isabel, inicialmente se instalaram na região de Gaspar.



sexta-feira, 10 de agosto de 2012

A COLÔNIA DE BLUMENAU

Em 1848 chegou ao Brasil o químico e farmacêutico Dr. Hermann Blumenau  que a tempos pensava em vir para um dos países da América (EUA, Chile ou Brasil) fundar um estabelecimento agrícola com imigrantes. Associou-se com seu amigo Fernando Hackradt e fundou a "Blumenau & Hackradt", comprando  inicialmente 150.000 jeiras (1 jeira = 0,2 hectares) de terras (mata virgem) da Província de Santa Catarina e particulares. 

Em seguida voltou para a Europa em busca de pessoas que quisessem  migrar para o Brasil. Chegou ao Rio de Janeiro  em 1850 numa viagem que durou 84 dias com 17 colonos. Conta SILVA: “Fôra uma viagem muito acidentada, tendo o veleiro ficado detido por quatro semanas na zona das calmarias, esgotando-se a provisão de água potável, o que ocasionou a perda de mudas de árvore frutíferas e da maior parte das 250 mudas de roseiras trazidas por Blumenau. O barco, devido às tempestades enfrentadas, chegou ao pôrto do Rio de Janeiro com um dos mastros quebrados”. Hackradt havia abandonado  a sociedade pouco antes do retorno do Dr. Blumenau ao Brasil.

Chegada dos primeiros imigrantes - Acervo Arquivo de Blumenau

Em 1852 começam os trabalhos de medição e demarcação dos lotes urbanos e rurais às margens do ribeirão Garcia, local destinado à sede da colônia. Construiu-se um barracão de madeira para hospedagem dos novos imigrantes com capacidade para 80 ou 100 pessoas. Nessa época a colônia contava com 24 casais e 15 fogos (casas), sendo dois fogos (casas) no que seria a povoação e o restante na zona rural, na margem direita do ribeirão Garcia.

No dia 28 de agosto de 1852 o Dr. Blumenau começa a entrega dos primeiros lotes para os colonos.

Em 1853 chegam mais 28 colonos. Em 1854 o Dr. Blumenau foi até a Corte (Rio de Janeiro) e recebeu um adiantamento de verbas até 1860. Ele recebia um prêmio por cada imigrante alojado em sua colônia: 30 mil réis para colonos entre 10 e 45 anos de idade e 20 mil réis para o restante. Aos poucos novos imigrantes chegavam e novos lotes eram demarcados.

No final de 1859 a colônia Blumenau deixa de ser um empreendimento particular e passa a ser uma colônia Imperial, sendo seu primeiro diretor o próprio Dr. Blumenau.


Região central de Blumenau - 1864

Em 1860 a colônia Blumenau tem 24 léguas quadradas, possui três barracões para receber os imigrantes, um com capacidade para 160 até 200 pessoas na barra do rio Itajaí Mirim, outro em Itoupava e outro na sede da colônia, uma casa para o pastor protestante (que havia chegado em 1857), caminhos em diversas direções, cemitério, clareiras prontas para nova escola, igreja e cadeia pública, viveiros, … em maio foi criado um Distrito de Paz que facilitou muito a vida dos colonos.

Em 1859 foi promulgado em Berlim o “Rescrito Heidt” que proibiu o agenciamento de colonos para a província de São Paulo e estendendo essa proibição para o sul o Brasil, sem contudo cessar completamente a imigração. Para dificultar mais ainda, em 1864 a Prússia entra em guerra com a Dinamarca. Mesmo assim, embora em pequena escala, continuam chegando novos colonos.

Relatório provincial 1865

Aqui está disponível o Relatório Provincial de 1865, da página 19 até a página 24  está descrita  toda a estrutura de Blumenau no ano de 1864, ano da chegada dos Rühe (Rüher) à cidade. São citados o  número de habitantes, a produção agrícola, pastoril e pecuária,  estabelecimentos comerciais e industriais, profissionais autonômos, estabelecimentos e obras públicas, receitas e despesas, Essa descrição é muito interessante !!! Vale a pena dar uma olhada ...

Pequeno histórico populacional de Blumenau :

1860-        947 habitantes
1864-   2.471 habitantes
1880-   15.000 habitantes
1950-   48.000 habitantes
2010- 300.000 habitantes

Blumenau - final séc. XIX - Rua XV -  Acervo do AHJFS

Um boa fonte de informações sobre a história de Blumenau, feita de maneira bastante simples e didática está  
aqui e nas páginas seguintes.
Mais informações podem ser obtidas no blog do Centro Cultural 25 de Julho, de Blumenau.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

PLANILHAS - FAMÍLIAS BEHRINGER E JACOBI


Wallichen é a menor freguesia da paróquia de Vieselbach, na Turíngia. O  family search digitalizou alguns  livros dessa paróquia da igreja luterana  referente aos anos de 1712 a 1783 (microfilme 1271404) que ainda  não estão disponíveis para consulta on-line.






Foto de Marco Boehringer




sexta-feira, 3 de agosto de 2012

OS 6 FILHOS DE RAIMUNDO - TEKLA ...

FAMILIA DE MARIA TEKLA RÜHE (RÜHER) GEB. JACOBI

Nascida em 05 de janeiro de 1864 na colõnia Santa Isabel (Águas Mornas-SC) em Santa Catarina, Tekla casou com Gustav Richard Rühe em Blumenau em 26 de abril de 1884.

Com Gustav, Tekla teve dez filhos:
Hermann Albert (nascido em Blumenau, Massaranduba, dia 25.12.1885),
Wilhelm Otto (nascido em Blumenau, Massaranduba, dia 02.02.1887),
Richard Luis (nascido em Blumenau, Massaranduba, dia 24.10.1888),
Maria (nascida em Blumenau, dia 16.07.1891),
Emília (nascida em Blumenau, dia 16.09.1893),
Helena (nascida em Curitiba, dia 08.12.1895),
Ricardo (nascido em Rio Negro-Pr, dia 06.07.1898),
Arthur (nascido em São Bento do Sul, dia 17.08.1900),
Anna (nascida em São Bento do Sul, dia 02.10.1902), minha avó
e o caçula Theodoro (nascido em São Bento do Sul dia 28.02.1905).

Tekla faleceu em São Bento do Sul-SC no dia 17 de março de 1905.
Gustav faleceu em Joinville-SC, dia 22 de dezembro de 1909.











terça-feira, 31 de julho de 2012

OS 6 FILHOS DE RAIMUNDO - LAURA

FAMILIA DE LAURA WILHELMINE LEONORE BLANK GEB. JACOBI

Casamento de Laura e Heinrich:

Data: 17 de junho de 1892, Blumenau
Noiva: Laura Wilhelmine Leonore Jacobi
Idade: 22 anos (nasc. em 06 de setembro de 1876)
Filiação: Raymundo Jacobi e de sua mulher Luiza
Noivo: Henrique Blank
Idade: 25 anos
Filiação: Augusto Blank e de sua mulher Mathilda
Testemunhas: Bernardo Reckelberg, Arthur Kaestner, Josephina Doener
Fonte: Cartório do Registro Civil de Blumenau, livro 1, folha 112 verso, registro 44
www.familysearch.org, Brazil Civil Registration, Blumenau, matrimônios 1889-1895, pp. 138-227

Por volta de 1896 (a confirmar) a família de Laura e Heinrich Blank, provavelmente com as filhas Francisca e Maria, saiu de Blumenau e estabeleceu-se no Vale do rio Itapocu, atual município de Araquari-SC, onde nasceu a pequena Anna (1897). 

De Araquari a família foi morar na cidade de Joinville (a confirmar), provavelmente na Estrada do Iririu. Em Joinville nasceram os outros filhos do casal. No total, Laura e Heinrich tiveram 6 filhos.

Heinrich faleceu aos 43 anos de idade, em Joinville, dia 01 de agosto de 1910, vítima de pneumonia, veja aqui, tendo sido sepultado no Cemitério Católico da cidade.

Laura casou novamente, em 6 de dezembro de 1913, com o viúvo Frederico (Fritz) Seger, veja aqui. O casal não teve filhos.  

Ela faleceu dia 02 de junho de 1938 em Joinville, na estrada do Iririu, veja aqui. Laura e Frederico estão sepultados no Cemitério Municipal de Joinville.


Foto de Lucas Karnopp, trisneto de Laura

Também faleceu na estrada do Iririu, em 1909, o meu bisavô Gustav Richard Rühee, provavelmente na casa da cunhada Laura. Ele saiu de São Bento do Sul e foi para Joinville em busca de socorro, veja aqui. Gustav está sepultado no Cemitério dos Imigrantes, na atual rua XV de novembro.

Filhos:

Francisca (Clara ?) 
Nascida aproximadamente em 1893,
casada com Antônio Lúcio do Rosário

Maria 
Nascimento: 20 de fevereiro de 1894,
casada com Otto Scheunemann
Faleceu em 1 de junho de 1972 em Joinville, ver aqui.
Maria e Otto tiveram os filhos: Clara, Elly, Eugênio, Heinz e Gerhard.

a 2ª a partir da direita  é filha de Laura Blank geb. Jacobi:
Marie Schneumann geb. Blank
foto do acervo de Lucas A. Karnopp

Anna
Nascida em 05 de abril de 1897, em Araquari, veja aqui, reg. 75,
casou em 1917 com August Hermann Wilhelm (ou Germano Roberto Júlio) Karnopp 
o casal teve os filhos: Mathilde (1918), Luiza (1920), Henrique (1922), Adele (1923), Anna (1925), Erna (1928) e Willy (1931).


Anna Karnopp geb. Blank mais o marido Hermann Karnopp ao centro,
cercados por filhos e netos
acervo de Lucas A. Karnopp


Leopoldo
Nascido em 1900 em Blumenau-SC
casado com Otillie Lemke,  em 1919 na Igreja Luterana de Joinville, reg. nº 15 e no Cartório de Reg. Civil em 12 de abril de 1919, veja aqui. O casal teve 5 filhos, Evaldo, Erna, Elvira, Henrique e Otília. Ele faleceu em 1970 e ela em 1975. 


A Noticia, 22 dez 1936


Mathilda
Nascimento: 12 de setembro de 1901 em Blumenau-SC,
Casou com Germano (Hermann)  Müller em Joinville-SC, dia 17 de dezembro de 1921,  veja aqui. O casal teve os filhos Erwino e Irmgard. Ele faleceu em 1970 e ela em 1984,


Catharina 
Nascida aproximadamente em 1905,
casada com Luiz Seger (parente do padastro ?)

Informações sobre a família Blank fornecidas por Lucas Karnopp, bisneto de Anna.


Joinville, década de 1930
antiga rua Duque de Caxias com rua 9 de março, daqui