quarta-feira, 30 de outubro de 2013

JACQUES ROBERT NO BRASIL

Entre 1872 e 1873 partiu do porto de Marselha na França, o vapor “Le Bordelais”. A bordo estava a família Robert, que se dirigia à cidade de Curitiba (a confirmar, não encontrei listas de embarque e desembarque).

na verdade "Le Bordelais", acervo do Arquivo Público do Paraná


Porto de Marselha, 1754,
a partir da série "Vues des ports de France" de Vernet

A primeira referência de Jacques Robert em Curitiba é de setembro de 1873, no Livro-caixa da Colônia Argelina, ou seja, nesta data,com certeza, ele já estava no Brasil.



O único documento encontrado no Arquivo Público do Paraná que cita o vapor "Le Bordelais" é referente a uma viagem realizada em final de 1872 com colonos franceses para a colônia Assunguy (Cerro Azul). Jacques pode ou não ter feito essa viagem. Penso na possibilidade dele ter sido relocado para Curitiba na sua chegada ao Brasil (a confirmar).




Todos os documentos fazem parte do acervo do Arquivo Público do Paraná.
Em 12 de setembro de 1872 estava atracada no porto do Rio de Janeiro a barca Bordelais vinda de Marselha sob comando do capitão D. Gorlandris, veja aqui. Será esta barca nesta viagem que trouxe a família Robert para o Brasil ?
Jacques e Marie Louise Robert sairam de Saint-Etiènne e chegaram em Curitiba com  três dos quatro filhos que tiveram na França: 
  • O mais velho, Leonard  com 9 anos,
  • Caroline com 8 anos (a outra gêmea, Marie Catherine, não veio ao Brasil),
  • o pequeno Joseph com 2 anos.
A pequena Marie Catharine, gêmea de Caroline, provavelmente faleceu antes de chegar em terras brasileiras. Não encontrei seu óbito em Saint-Etiènne, a menina pode ter falecido em Marseille ou mesmo à bordo, coisa bastante comum.

Jacques não veio  espontâneamente para o Brasil, ou seja, ele não imigrou por conta própria. Ele foi engajado na Europa e veio com um contrato pré-acertado que incluia a aquisição de um lote de terras e alguns itens para trabalho na lavoura, nesse caso na Colônia Argelina, em Curitiba.

Minha mãe contava que Jacques Robert veio acompanhado com um irmão, será este ? Assunto a pesquisar, Colonos cujo destino se ignora. Arquivo Público do Paraná, livro códice 421 (1874).



Quando Jacques chegou ao Brasil a regulamentação da imigração era feita pelo Decreto 3784, de 19 de janeiro de 1867. Para ler o decreto na integra, clique aqui.




Para saber um pouco mais sobre o que é uma "colônia", seus objetivos e estruturas, clique aqui.

Assim era Curitiba em 1863, 10 anos antes da chegada da família Robert:


Em 1863 possuia apenas 242 casas sendo 10 de sobrado, a rua do Commércio (vertical, a esquerda) é a atual Mal. Deodoro.



segunda-feira, 21 de outubro de 2013

CONTINUANT à RIVE-DE-GIER, PAVEZIN, ESTIVAREILLES et .....

Saint-Etiènne recebeu gente de vários cantos da França. Além dos Coste, vindos do departament de la Corrèze, vieram os Robert de Rive-de-Gier e antes disso de Estivareilles e os Lachal de Pavezin. Assim, outros locais devem ser acrescentados a esse passeio.



Andanças da família Robert: :

Estivareilles >  Grèzieux (Lorette/Rive-de-Gier) = ~60 km.
Grèziuex > Saint-Etiènne = ~20 km.

Andanças da família Lachal (de Antoinette, mãe do imigrante Jacques Robert) :

Lachal > Pavezin = ~20 km.
Pavezin > Saint-Etiènne = ~36 km.

Começando por Lorette e procurando conhecer Grèzieux, o bairro em que nasceu Jacques Robert.

Algumas fotos de Lorette : aqui e aqui


Planta de Rive-de-Gier no início do séc XX (~1900), acervo do Archives Municipales de Rive-de-Gier. 


Acervo dos Archives Municipales de Rive-de-Gier

Estivareilles fica a apenas 60 km de Lorette (Grèzieux), de lá vieram os  avós paternos de Jacques Robert, Antoine Robert e Elisabeth Bonnetton. Atualmente conta 617 habitantes. Em Estivareilles, a família residia no lugar Viviers.


Para saber sobre Estivareilles clique aquiaqui e aqui.

A família Brouillet, da esposa de Jacques Robert (*1750-+?), Izabeau ou Elizabeth Brouillet, era de Saint-Nizier-de-Fornas, veja aqui.

Pavezin  fica a leste de Saint-Etiènne, pequena vila que atualmente conta com cerca de 300 habitantes. De lá é o avô materno de Jacques Robert, o pai de Antoinette Lachal. Os Lachal (ou Delachal) eram do lugar Chez Colombet e os Larderet do lugar Servinieu.




A vila está localizada dentro do Parc natural regional du Pilat. Também dentro do parque situa-se a bela vila de Saint-Croix-en-Jarez, que atualmente é um município independente e foi até 1888 parte de Pavezin.

Para saber sobre a Pavezin, clique aqui e aqui.
Para fotos, clique aqui e aqui.

Saint-Croix-en-Jarez, faz parte das 156 mais belas vilas da França de acordo com a associação Les plus beaux villages de France. Para saber mais clique aqui.

Os ancestrais de Charlotte Verchara, mãe de Marie Louise Coste, passaram por Saint-Chamond e Malleval localizadas no Department de la Loire e também por Saint-Marcellin, Saint-Sauveur e Saint-Antoine-l'Abbey em Isère. 

Para conhecer os ancestrais de Charlotte Verchera, clique aqui. Saint-Antoine-l'Abbey, está listada entre um dos plus beaux village de France, leia aqui.



Foto daqui.










terça-feira, 20 de agosto de 2013

UN TOUR À SAINT-ETIÈNNE


Conhecer Saint-Etiènne. Um destino interessante para quem descende de Jacques e Marie Louise. A grande cidade que atraiu migrantes franceses de muitas partes, num processo bem conhecido entre nós. Vamos visitar o lugar ??


Vista da cidade, em primeiro plano a torre da igreja Notre Dame, seguida de casas e imóveis da cidade velha, e mais ao fundo o local do Poço Couriot (atual Museu de Minas) com os dois grandes montes de resíduos ("crassiers"), daqui.

Jacques e Marie Louise casaram em Saint-Etiènne, os primeiros filhos aí nasceram, Leonard, Catherine e Marie Caroline, Joseph. 

Seu passeio pode incluir, além dos locais turísticos tradicionais, os endereços da família Robert na cidade:  o "grand coin " e a rua de la Parreile, lugares em que viveram e que já foram mencionados  aqui.

A rue de la Pareille atualmente pertence ao bairro Jacquard. Ela foi mencionada em documentos pela primeira vez nos anos  de 1819. Era região periférica, foi anexada à cidade Saint-Etiènne em 1855, até então Jacquard era conhecida como Montaud. 

O história do bairro está intimamente relacionada às minas de carvão e às fábricas de fitas (rubanerie), atividades de Jacques e Marie Louise Robert, nele estão ainda existem vestígios do:
Visite  uma  mina de carvão, o  Puits Couriot (Poço Couriot), atualmente o Musée de la Mine de Saint-Etiènne:

                                           

Marie Louise, a mulher de Jacques Robert, antes de imigrar para o Brasil, era plieuse de ruban, plissava fitas. Muitos fabricantes de fitas se instalaram no bairro durante o séc. XIX. Os prédios são facilmente reconhecidos pelas altas janelas e pela decoração exterior.

Marie Louise não alcançou essas duas preciosidades abaixo, que dizem respeito à rubanerie, mas vale a visita:

O primeiro é o prédio da "Conditions de Soies" de fachada art-noveau decorada com motivos de fitas e amoras. O prédio é de 1910 e foi construído por Leon e Marcel Lamaiziere.

  
Outro prédio de uma antiga fábrica de fitas,  atualmente pertence à École nationale supérieure d"architeture de Saint-Etiènne.


Por ocasião da Primeira Guerra Mundial, Joseph Robert,  filho de Jacques,  nascido na França e que chegou ao Brasil com apenas 2 anos de idade, foi convocado. Mesmo casado e com filhos, com mais de 40 anos, ele retornou para servir a Armée francesa. Assim, aproveite para visitar os endereços de Joseph Robert na cidade.

(Eu sou descendente de outro filho de Jacques, Antônio Robert, nascido no Brasil em 1875, a família de Joseph Robert se instalou na cidade de Cerro Azul-PR.)

Comece pelo local do Quartel em que se alistou. O prédio foi demolido em 1970 e em seu lugar contruída a Faculté de Lettres, na rue du 11 de novembre.  Para saber mais do Quartel, clique aqui.

Enquanto viveu em Saint-Etiènne, Joseph Robert morou na  rue J J Rosseau n° 12.

Rue J.J.Rosseau n° 12

Joseph Robert, durante sua estada na França, enviou vários cartões postais para sua família. Entre eles, alguns com fotos de Saint-Etiènne, como a Gare du Clapier, a Pont du Pertuiset (sobre o rio Loire) e a Gare Chateaucreux.

Gare du Clapier está ligada à atividade mineira da cidade. Foi construída em 1857, inicialmente em madeira e reconstruída em concreto nos anos de 1920. Atualmente a Gare du Claplier é um restaurante.


Gare du Claplier em 1906

Gare du Clapier em cartão postal enviado durante a IGG
de Joseph Robert para meu avô Fernandes Robert

Outro local conhecido da família Robert, está neste outro lindo cartão que Joseph mandou para seu irmão Antônio, meu bisavô. É uma ponte suspensa do séc. XIX sobre o rio Loire, a Pont du Pertuiset. Essa ponte foi substituida por outra mais moderna. Para conhecer essa nova ponte, clique aqui.


Um terceiro cartão de Joseph é da Estação Chateaucreux, á esquerda. A gare como está atualmente, à direita. Para saber mais, clique aqui.


Os cartões enviados por Joseph Robert a Antônio e Fernandes Robert serão postados em breve.

Se quiser  imagens (cartões postais) de outros locais da Saint-Etiènne de Jacques e Maria Louise que não seu bairro,  clique aqui.

A moderna Saint-Etiènne está aqui e aqui.

Para saber mais sobre o bairro Jacquard, clique aqui.

A maior parte das fotos e cartões postais desta postagem é daqui.

Um pouco da história de Saint-Etiènne, clique aqui.


terça-feira, 13 de agosto de 2013

NAS MINAS DE CARVÃO - parte 2

Um grave problema para os mineiros é a silicose, doença pulmonar causada pela inalação da poeira da silica (particulas cristalinas do dióxido de silício). A exposição à sílica e ao silicato acontece em quase todos os trabalhos de mineração, de obras e túneis. A doença se manifesta de oito a dez anos após a exposição ao mineral, inicialmente causando cansaço, dor toráxica, tosse e expectoração. É uma doença crônica, progressiva, irreversível e ainda hoje incurável.

A insalubridade, o excesso de horas de trabalho (12 horas ou mais ao dia), o salário insignificante que não atendia às necessidades mínimas dos trabalhadores (recebiam quinzenalmente de acordo com a produção), sem leis para a regulamentação do trabalho, nem aposentadoria, aumentou o movimento dos trabalhadores mineiros.

A criação de sociedades de ajuda mútua e sindicatos foi resultado de muita luta e sacrifícios. As reivindicações dos movimentos operários eram brutalmente reprimidas, várias vezes com sangue. As primeiras greves foram particularmente agressivas. Em abril de 1834 a greve dos passementier e dos mineiros terminou com 6 mortes, a greve de 1846 com outras tantas sem contar presos e feridos.

Uma das maiores greves do Loire foi a de 10 de junho de 1869 em Firminy que reinvidicava principalmente jornada de 8 horas de trabalho. No dia 16, na aldeia du Brûlé (La Ricamarie) o exército atirou e fez 13 mortos, entre eles uma mulher e uma criança e feriu cerca de 50 pessoas. Estima-se que 18.000 mineiros da bacia do Loire estavam em greve. Em 26 de junho os mineiros conseguiram sucesso significativo: jornada de 8 horas para os trabalhadores “du found” (sub-solo), centralização dos fundos de ajuda e a participação dos mineiros na gestão desses fundos. Sobre a Fusillade du Brûlé, leia aqui e aqui.

Acervo dos Archives departamentales de la Loire
Acima fotografia sobre uma placa de vidro tirada durante o incidente de Brûlé, dia 16 de junho de 1869. (19,5 cm. X 14 cm.)

Na cronologia abaixo estão as leis e fatos mais importantes para o movimento trabalhista francês:

1791 – lei que criminaliza as greves
1841 – proibição do trabalho infantil de menores de 8 anos, limitação de 8 horas por dia o trabalho de menores de 8 a 12 anos e de 10 horas por dia para os de 12 a 16 anos
1852 – lei de salário mínimo
1864 – lei que termina com o delito da greve
1864 – criação da Primeira Internacional (Associação Internacional de Trabalhadores)
1869 a 1871 – greves em numerosas cidades francesas
1870 a 1871 – guerra franco-prussiana
1871 – comuna de Paris
1873 a 1896 - “grande depression”
1873 - imigração de Jacques Robert e família para o Brasil
1874 – criação da inspeção do trabalho
1874 – proibição do trabalho ao menor de 13 anos

Em 1870 o Imperador francês Napoleão III declarou guerra ao Reino da Prússia, a Guerra Franco-Prussiana. Terminada a guerra e derrotada a França, houve o pagamento de pesada indenização, o que causou um círculo conhecido: falta de crédito, falta de consumo, queda de produção, desemprego, queda de salários …. Essa crise durou até 1896 e atingiu vários países da Europa e EUA.

Esse pode ter sido um outro  importante motivo da imigração de Jacques Robert em 1873 para o Brasil: a recessão e a falta de melhores expectativas. Ou seja, aliada à questão da insalubridade, da saúde e da periculosidade, pelas explosões e desmoronamentos, estava a questão econômica. 

O trabalho nas minas e suas dificuldades, as greves, a vida política e social dos mineiros do séc. XIX está relatada magistralmente no livro de Émile Zola, Germinal. Zola nasceu em 1840, portanto é contemporâneo de Jacques Robert, este nascido em 1842. Germinal foi lançado na França em 1885 e para escrevê-lo Zola trabalhou alguns meses em minas de carvão do norte do país (Pas-de-calais) onde história do livro também se passa entre os anos de 1866 e 1867.

Para ler sobre a relação história e literatura, minas de carvão e Germinal, clique aqui.

Bibliografia e imagens:

http://www.emse.fr/AVSE/mine.htm
http://mineralogica.pagesperso-orange.fr/
http://le-journal-de-charbon.blogspot.com.br/
Baran, Denys – Les sources de l'histoire minière aux Archives départamentales de la Loire, in Documents pour l'histoire des techniques, n° 16, 2° semestre 2008.
gravuras lindíssimas: 
http://www.lectura.fr/expositions/promenade/galerie-chapitre8-image1.html
fotos das minas de Pas-de-Calais (norte da França):
http://www.youtube.com/watch?v=g1xD6_NDmdI&feature=related

terça-feira, 6 de agosto de 2013

NAS MINAS DE CARVÃO - parte 1

Jacques Robert, o pai dele Antoine Robert, o pai do pai dele André Robert .... enfim, a família Robert desde muito trabalhou em minas de carvão na França.

O carvão é utilizado na França desde o séc. XIV. A bacia produtora de carvão de Saint-Etiènne abrange uma área de 22.000 ha. entre o Rive-de-Gier a leste e Firminy a oeste. A exploração começou a leste por Rive-de-Gier em 1750 se estendendo a oeste no séc. XIX. Em 1820 eram 40 empresas mineradoras, algumas se fundiram e formaram a Compagnie des mines de la Loire em 1837, em 1854 Napoleão III dividiu essa gigante em 4 empresas, em 1913 haviam 17 empresas, em 1935 eram 11, em 1946 todas foram nacionalizadas, em 01 de julho de 1983 o último poço parou de funcionar, o poço Pigeot em La Ricamarie.

Diferente das outras regiões da França e talvez do mundo, a extração de carvão em Saint-Etiènne era urbana, os poços estavam localizados dentro da cidade. Atualmente é difícil localizar os 192 poços existentes, somente pelos nomes das ruas e regiões. Apenas um poço continua visível, é o Puit Couriot onde está instalado o Museé de Mines de Saint-Étienne, com seus grandes montes de entulhos (“crassiers”) ao lado.

Para conhecer todos os poços de Saint-Etiènne, clique aqui.
Para visualizar um mapa com todas as minas de Saint-Etiènne, clique aqui.

Cartão postal enviado por Joseph Robert a seu irmão Antônio - 1916

Olhava e começava a distinguir cada parte da mina: o galpão onde o carvão é peneirado, a torre do sino do poço, a grande casa da máquina da extração, a torre da bomba d'água. Para ele, essa mina parecia um animal feroz pronto para devorar o mundo.” (Emile Zola, Germinal)


Fonte: coleção Thesouro da Juventude, vol.3, s/data


As minas tinham o trabalho de superfície e o trabalho no fundo. Na superfície era mais leve e para “privilegiados”, incluía entre outras coisas o trabalho com carregamento, seleção e armazenamento do carvão, o trabalho com equipamentos e o trabalho com as lampadas na” lampesterie”.



Cada mineiro possuia sua própria lampada marcada com suas iniciais e que deveria ser deixada na sala das lampadas para limpeza e manutenção. Essas lampadas eram de fundamental importância para a vida dos mineiros.

Lâmpada modelo de Saint-Etiènne
meados do séc. XIX

Como os mineiros viviam em contato direto com o gás grisu, nem sentiam mais o peso das pálpebras. Às vezes quando a luz do lampião enfraquecia e tornava-se azulada, um mineiro colava o ouvido contra o veio e escutava o ruído do gás, o ar que borbulhava nas fendas. Mas a principal ameaça eram os desabamentos, pois o problema não estava só na pequena quantidade de escoramentos, e sim no terreno, que se encontrava minado de água”. (Emile Zola, Germinal)



No interior das minas emana o grisu, gás composto principalmente de metano e altamente explosivo. A “coup de grisu” é a explosão causada por chamas e faíscas. Para evitá-la as lanternas dos mineiros no séc. XIX tinham a chama protegida por uma tela, o ar ao redor não entra em contato com a chama.

O grisu e a poeira combustível, conhecida como "poussiers" eram o maior temor dos mineiros e causa de muitos acidentes em Saint-Étienne. O período de 1860 e 1890 foi o das grandes catástrofes na bacia do Loire, os acidentes mais significativos foram :

- em 08 de dezembro de 1871 uma explosão no poço Jabin deixou 72 mortos
- em 04 de fevereiro de 1876 o mesmo poço Jabin em nova explosão deixou 186 mortos
- em março de 1887 são os poços Châtelus I e Culatte que explodem e deixam 79 mortos
- em julho de 1889 é a explosão do poço Verpilleux n°1 que deixa mais de 200 mortos e toda a parte leste de Saint-Étienne em chamas, no mesmo mês mais um poço explode, o poço Neuf e deixa mais 25 mortos
- em 29 de julho de 1890 explode o poço Pélissier e 113 mineiros não retornam
- em dezembro de 1891 o puits de la Manufacture deixa 60 mortos
- em julho de 1899 outra explosão no Pélissier deixa 48 mortos



O trabalho no fundo das minas, era feito pelo “mineur de fond”, era o que expunha o trabalhador a mais riscos e a maior desgaste físico. Os poços se abriam em túneis, cada vez mais fundos pelo esgotamento dos veios. Os túneis chegavam a 500, 600 metros de profundidade, quanto mais fundos, mais instáveis, quentes e cheios de grisu.



Eu não tinha oito anos quando comecei, e agora tenho cinquenta e oito. Fiz de tudo lá embaixo, puxei e carreguei vagonetes com carvão e durante dezoito anos fui britador. Então, por causa das minhas pernas, me puseram para aterrar, dessaterrar, fazer consertos até o dia em que me tiraram lá de baixo por ordem do médico. E há cinco anos sou carroceiro. Que tal ? Cinquenta anos de mina e quarenta e cinco lá no fundo !” (Emile Zola, Germinal)

“... lembrava-se das histórias que o avô contava, da época em que não havia elevadores nas minas e as crianças de dez anos carregavam o carvão nas costas, subindo escadas sem corrimãos.” (Emile Zola, Germinal)



A altura das galerias variava, as principais tinham entre 2 e 2,5m., para possibilitar a manobra de equipamentos e transporte dos vagonetes cheios, as adjacentes iam diminuindo, chegando a uma altura tão pequena que as lampadas (de 30 cm.) tinham que ficar inclinadas. 


Fonte: coleção Thesouro da Juventude, vol.3, s/data


Dentro das minas, na superfície e no sub-solo, também trabalhavam mulheres e crianças. Até 1841 era possível encontrar crianças com menos de oito anos de idade trabalhando, somente em 1874 é que o trabalho de menores de 13 anos foi proibido (Jacques Robert já estava no Brasil com a família).

Não se pode deixar de mencionar a tração animal (cavalos ou pôneis) usada nas minas tanto na superfície quanto no subsolo, o último cavalo em galerias francesas terminou seu trabalho em 1969.



Fonte: coleção Thesouro da Juventude,
vol.3, s/ data

Para conhecer as técnicas construtivas de minas, túneis, terrenos, rochas, segurança, ferramentas, gases. etc ... clique http://www.geopedia.fr/mines-techniques.htm

Continua ....


terça-feira, 30 de julho de 2013

E JACQUES CASOU COM MARIE LOUISE

 
Saint-Etiênne em 1860, daqui

Jacques Robert e Marie Louise Coste casaram em Saint-Etiènne no dia 06 de fevereiro de 1864. 


para visualizar original: Archives de la Loire, Saint-Etiènne, Mariage, 1864, pp. 41/262.

"L'an mil huit cent soixante quatre le six février dix heures du vernier pardevant nous ad joint officier de l'etat civil de la ville Saint-Étienne (Loire) délégue chevalier de legion de honneur sont publique (ilegível) en la marie commune. Jacques Robert, ouvrier mineur , né au Rive-de-Gier le trente un octobre mil huit cent quarent deux, file mayor et legitime de feu Antoine Robert décédé a (ilegível) vingt cinq avril mil huit cent cinquant quatre et Antoinette Lachal, lingère, demeurante rue de la Pareille, ici présent et Marie Louise Coste, plieuse, né a Saint-Étienne le quatorze février mil huit cent quarent trois, fille mineur et legitime de Leonard Coste, charpentier et Caroline Verchera dit rue de la Pareille, ici présent et (ilegível)Lequel nous (ilegível) a la célebration du mariage projété entrance (ilegível) publication aux (ilegível) de conformité a la loi (ilegível) vingt quatre et trente janvier dernier. Fait faut (ilegível) Jacques Robert et Marie Louise Costes sont uni marriage (ilegível) de tout qui avant (ilegível) August Angroth agé vingt huit ans, boulanger et Jacques Barmand agé trente quatre ans, cordonier et Jean Coupadet agé trente ans, tailleur et Pierre (ilegível) Marie Guillot, agé quarent quatre ans, armurier, demeurantes en cette ville. Et autres comparant signé avec nous (ilegível) la mére de l'époux qui declaré (ilegível) savoir faire (ilegível). (ass) ilegível, Guillot, Leonard Coste, Jeanne Coupadet, Marie Louise Coste, Coste, Robert, B (ilegível)".


Jacques contava com vinte e dois anos e Marie Louise vinte e um anos de idade quando casaram. Na ocasião ele declarou ser trabalhador em minas na cidade de Saint-Etiènne e por toda sua vida na França trabalhou nelas. Marie Louise se declarou plieuse, conforme já visto aqui.

Em Saint-Etiènne tiveram quatro filhos: 
Leonard (nascido dia 21.08.1864), 
Caroline e Marie Catharine, gêmeas (nascidas dia 08.08.1865) e 
Joseph (nascido dia 08.04.1871).

No casamento e no nascimento dos três primeiros filhos, até 1865, a família de Jacques Robert morava na Rue de la Pareille 25. Esse endereço era de uma habitação multi-familiar. Observe no registro de casamento (acima) os dois noivos residem na mesma rua. Também  no registro de nascimento de Leonard Robert o endereço das testemunhas, "même maison".

Mais sobre a rue de la Pareille, aqui.

Por ocasião do nascimento do filho Joseph a família morava no "Le Grand Coin". Abaixo, mapa de 1919, daqui  e atual com as regiões estão em destaque. Onde A é a rue de la Pareille.





Já não existem os edifícios de parte da rue de la Pareille, que provavelmente foram demolidos para a construção de um viaduto que atravessa a linha férrea, próximo ao atual Musée de la Mine Puits Couriot.

Os edifícios do outro lado da rua, são mais ou menos assim:


Na tradição oral familiar, Jacques saiu da França para deixar o insalubre trabalho das minas de carvão, mas outras causas podem estar relacionadas a essa imigração ...

terça-feira, 23 de julho de 2013

PAIS E AVÓS DE JACQUES ROBERT - DOCUMENTOS



Antoine Robert, pai de Jacques,  nasceu dia 09 de dezembro de 1808, em Rive-de-Gier.
Fonte: Archives de la Loire, Etat Civil, Rive-de-Gier, Naissance, 1808, pp.79/210.


"... comparu André Robert, charpentier (carpinteiro) domicilié en cette ville, le quel nous a presenté un enfant du sex masculin, hier (ontem) ...de lui declarant et de Jeanne Journaud, son epouse,  ... prénom de Antoine ..."

A mãe de Jacques, Antoinette Lachal nasceu em Rive-de-Gier, dia 15 de março de 1809.
Fonte: Archives de la Loire, Etat Civil, Rive-de-Gier, Naissance, 1809,  pp. 44/45-272.


"... comparu Gabriel Lachal, ouvrier aux mines (trabalhador em minas), domicilié en cette ville, le quel nous  a presenté um enfant du sex feminin née hier (nascido ontem) au dix heures du soir, de lui declarant e de Marie Jamclon, son epouse ... prénoum de Anoinette ..."

Antoine Robert e Antoinette Lachal casaram em Rive-de-Gier, dia 21 de janeiro de 1831.
Fonte: Archives de la Loire, Etat Civil, Rive-de-Gier, Mariage, 1831, pp. 101/207.


" ... comparu Antoine Robert, ouvrier aux mines, demeurant à Rive-de-Gier, rue de Felocie, né en la dit ville,  le 8 december  1808, fils legitimé de André Robert, menuisier (carpinteiro) et de Jeanne Journaud, demeurant a dit Rive-de-Gier, au dit rue de Felaciè ... ses pères ici present et consentant. Et Antoinette Lachal, demeurant en ... rue de Grand Terroy, né en la dit ville, le 14  marz 1809, fille legitime de Gabriel Lachal, crocheteur et de Marie Jamclon, demeurant au dit Rive-de-Gier, la dit rue de Grand Terroy .... "

Antoine faleceu  em 25 de abril de 1854, aos 45 anos de idade, cfe. declarado no  registro de casamento de Marie Louise e Jacques Robert.
Antoinette Lachal faleceu dia 10 de dezembro de 1870, com 61 anos de idade, em Saint-Etiènne, no hospital da cidade, onde estava internada. Continuava trabalhando como lingère.
Fonte: Archives de la Loire, Etat civil, Saint-Etiènne, 1870, pp.222/240.

OS AVÓS DE JACQUES ROBERT:

Os quatro avós de Jacques Robert casaram no mesmo ano, tanto os pais de sua mãe quanto os pais de seu pai casaram em 1808. Os pais de seu pai casaram primeiro, em fevereiro de 1808.

André Robert casou Jeanne Journaud em Rive-de-Gier, dia 11 de fevereiro de 1808. André nasceu aproximadamente em 1788 e Jeanne em 1782.
Fonte: Archives de la Loire, Etat Civil, Rive-de-Gier, Mariage, 1808, pp. 139/210.


" ... sont comparu André Robert compagnon menuisier (carpinteiro)  et charpentier (marceneiro), domicilié a Rive-de-Gier, depuis deux ans, agé vingt ans, fils legitime d'Antoine Robert, agriculteur, proprietáire à Estavant (Estivareilles), domicilie a departmente de la Loire et Elizabeth Bonneton sa mère, ici present et consentant. Et Jeanne Journaud, fille majeur et legitime de defunct Pierre Journand , ouvrier de son vivant (?) decédé le  5 pluviose an 3 (24fev1795) et d'Anne Duculty, sa mère ici present et consentant ....la futur agé de vingt six ans ..."

Gabriel Lachal Marie Jamclon, pais de Antoinette Lachal, casaram em Rive-de-Gier, dia 31 de outubro de 1808. Os noivos nasceram aproximadamente em 1787.
Fonte: Archives de la Loire, Etat Civil, Rive-de-Gier, Mariage, 1808, pp. 148/210.


" ... sont comparu Gabriel Lachal, natif de Pavesin (Loire), ouvrier aux mines (trabalhador em minas), de Rive-de-Gier y demeurant, agée vingt un ans, ... fils legitim de defunct Claude Lachal, decédé le 2 nivose an 12 (24dezembro1803) et de vivante Marie Larderet, sa mere ici present et consentant et Marie Jamclon, agé vingt un ans, fille legitime de Jacques Jamclon, crocheteur (estivador) au canal et d'Antoinette Mermes, ici present e consentant, tous domicilié en cette ville ...."

As transcrições foram feitas gentilmente pela senhora Catherine Morellon, do Archives municipales de Rive-de-Gier.

Dados de nascimentos, casamentos e sepultamentos de Pavezin (Loire), indexados, clique aqui.