sexta-feira, 25 de maio de 2012

COLÔNIAS DE PARCERIA - parte 1



A partir de 1840 o café começa a ser cultivado em larga escala no Brasil e passa a ser um dos produtos mais exportados. Nessa época o grande latifúndio dependia exclusivamente da mão-de-obra escrava. Em 1850 foi abolido o tráfico negreiro no Brasil pela lei Eusébio de Queiroz, não se podia mais trazer escravos da África. Os fazendeiros do café passam a comprá-los das Minas Gerais e do sul do país, com isso o preço do escravo triplica. Começa a se pensar em alternativas para suprir a falta da mão-de-obra escrava, e uma das opções foi o sistema de parceria.

Esse sistema foi adotado no Brasil por iniciativa do Senador Vergueiro e foi a primeira tentativa de susbtituição do trabalho escravo pelo trabalho livre. Foi inicialmente implantado em 1847 na fazenda Ibicaba no oeste paulista. Os colonos eram contratados na Europa e encaminhados para o Brasil, para as fazendas de café. Vinham apenas trabalhar, não se tornavam proprietários das terras, as colônias se formavam dentro das fazendas. Algo similar ao sistema de “meação” tão conhecido no Brasil de hoje, onde o proprietário entra com as terras e os trabalhadores com a mão-de-obra e no final os lucros são divididos.

Em 1852 cinco fazendeiros do Rio de Janeiro optaram pela formação de colonias de parceria em suas terras, foram eles :
Nicolau Antônio do Vale da Gama, da Fazenda Indepêndencia
Brás Carneiro Bellens, da Fazenda Santa Justa
Barão de Baependi, da Fazenda Santa Rosa
Marquesa de Valença, da Fazenda Coroas
Fazenda São Mateus

Essas fazendas estão localizadas nas região do Vale do Paraíba fluminense, nos atuais municípios de Valença e Rio das Flores. A fazenda Santa Justa encontra-se no munícipio de Rio das Flores a 60 km da cidade de Petrópolis. A fazenda Santa Rosa é vizinha da Santa Justa e fica no mesmo município. Para conhece-las pode-se acessar o site do Instituto Cidade Viva.

Abaixo sede da fazenda Santa Justa, vista da fachada em 1980, com varanda fechada, raro na época.


Fonte: Antigas fazendas de café da província fluminense

Respondendo à vasta propaganda feita na Europa e com “ajuda” dos párocos e prefeitos chegaram à fazenda Santa Justa em 1852, Raimund Jacobi, Friedrich Ulhmann e família, Wilhelm Behringer e família. A família Männchen encaminhou-se para a fazenda Santa Rosa.

Os colonos contratados tinham os valores dos transportes, de Hamburgo até o Rio de Janeiro e daí para a fazenda, adiantados pelos fazendeiros que se comprometiam a adiantar também as despesas para sua subsistência até que pudessem se manter sozinhos, sobre esses adiantamentos corriam juros de 6% , chegando a 12% dependendo do fazendeiro. A família era solidária nas dívidas que eram da família e não da pessoa, assim se alguém contratado falecesse na viagem ou antes de pagar sua dívida, a família deveria saldar sua dívida.

As fazendas de café eram muito parecidas, tinham a casa-grande (sede e residência do proprietário), a senzala (para para os escravos), os canteiros para secagem de café, a tulha para o armazenamento e próximo a algum riacho a roda-dágua e o moinho para pilagem.

Fazenda Santa Justa - 2011
Rodovia RJ-151 - 2° distrito - Manuel Duarte - município de Rio das Flores
de baixo para cima na imagem :
Na entrada da fazenda - alamedas de palmeiras com antigos terreiros de café nas laterais
no final da alameda, casa sede da fazenda
tulhas antigas, próximas aos terreiros de café e ao fundo da sede 
22°04'05.44"S 43°27'09.44"W