terça-feira, 21 de outubro de 2014

SUBINDO A SERRA DO MAR .... QUANDO ?


" ... só os arredores de Curitiba já contam com 1.000 alemães, cuja maioria mudou-se da colônia para lá ..."
Do 20º Relatório da Direção da Sociedade Colonizadora de 1849 em Hamburgo em dezembro de 1871, onde fazia-se referência aos muitos colonos que saiam da colônia Dona Francisca (Joinville) e seguiam para Curitiba em busca de melhores oportunidades e clima mais ameno.


“Os resultados satisfatórios alcançados na colonização das cercanias de Curitiba, atrairam ainda maior afluência de reimigrantes de outras regiões do Paraná e mesmo de outras Províncias, os quais se dispersaram pelas colônias já existentes ou formaram colônias particulares ou ou ingressaram nas atividades artesanais e industriais da cidade".
Pilatti Balhana, Pinheiro Machado, Westphalen - História do Paraná, Grafipar, 1969, pg. 168

Johann Friedrich Gerber casou em Curitiba com Albertine Bunde em 1875. Ele e parte da família Bunde, de quem falaremos brevemente,  sairam de Joinville em Santa Catarina  e se estabeleceram em Curitiba no Paraná.

Dos 3 irmãos Gerber, o único que foi morar em Curitiba, foi Johann Friedrich Gerber. Dos outros dois irmãos não tenho notícias. Todos os Gerber documentados na Igreja Luterana de Curitiba são descendentes de Johann Friedrich.

Quanto aos Bunde, apenas  Ferdinand e Carl Bunde subiram a Serra do Mar em direção ao planalto curitibano, com as respectivas famílias.

Quando eles teriam subido a serra ? 

É mais difícil precisar quando Johann Friedrich Gerber subiu a Serra. Ele estaria na colônia Dona Francisca (Joinville) até 1863 aos 13 anos de idade, quando foi feita a confirmação de seu batismo. Casou em Curitiba em 1875, portanto foi entre esse período que mudou de cidade, entre 1863 e 1875. Teria ido sozinho, acompanhando alguma família, talvez a própria família Bunde ? Não tenho idéia ....

A família Bunde ainda estava na colônia Dona Francisca (Joinville) em 1872. Nesse ano, Albertine foi madrinha de batismo do filho de Heinrich Bunde. 

O filho mais velho de Ferdinand, Friedrich Bunde,  precedeu a todos na ida a Curitiba. Em seu casamento em Joinville em 1872 declarou ser residente em Curitiba.  No mesmo ano nasceu, ainda em Joinville, sua irmã caçula Emilie Auguste. Foi a partir de 1872 que a família inteira se mudou para a capital paranaense.


de João Leão Pallière, sem data,  daqui

Para ir de Joinville, no litoral catarinense, para Curitiba, no 1º planalto paranaense, sobe-se a Serra do Mar. Nesse periodo, existiam alguns caminhos possíveis. Mas por qual deles vieram os Bunde e Johann Friedrich ?



terça-feira, 14 de outubro de 2014

ORFÃOS


Depois do falecimento dos pais e da meia-irmã mais velha, fico me perguntando o que teria acontecido com os três meninos. Ainda não encontrei uma resposta para essa questão.

Nessa época a assistência aos orfãos era dada pela Igreja, mas conforme citado na postagem anterior, após 1858 e por cinco anos, a colônia Dona Francisca ficou sem pastor, até 1863 aproximadamente. Não existiam casas para orfãos, a primeira em Joinville foi a Sociedade de Caridade e Asylo de Órfãos e Desvalidos (atual Lar Abdon Batista) em 1911. É grande a probabilidade das crianças terem seguido com famílias e por caminhos diferentes (a confirmar).

No mesmo navio em que chegou Carl August Gerber, chegaram mais sete famílias de Billerbeck, a família de Johann Brüske, a de Carl Huch, a de Gottlieb Lembcke, a de Johann Nass, a de August Pluhm, a de Dorothea Raabe, a de Dorothea Siedschlag, veja aqui.  Eles podem ter ficado com uma dessas famílias.

Em 1862 chegou a família de Johann Briezig de Billerbeck, provavelmente aparentados com o primeiro marido da mãe dos meninos, veja aqui.

Vieram outros Gerber para a Colônia Dona Francisca, mas provavelmente não eram da mesma família, eram de cidades diferentes.

Estivessem com quem estivessem, o fato é que os três estavam com famílias luteranas. Encontrei a confirmação do batismo dos três meninos, na Igreja Luterana de Joinville, no microfilme SUD 2244023:

- em 1860, encontrei a do irmão mais velho Carl August, na pg. 20, reg. N° 3, escrita muito fraca, praticamente ilegível.

- em 1863, encontrei a confirmação de Johann Friedrich, meu bisavô, na  pg. 40, reg. N° 33


residência: ? não entendi
nascimento: 14 de março de 1849 em Billerbeck
pai: August Gerber
mãe: Sophie geb. Diedrich

-  em 1865, encontrei a confirmação do batismo de Ferdinand August, o caçula, na pg. 52, reg. N° 13



residência:
nascimento: 25 de junho de 1851 em Billerbeck
pai: August Gerber
mãe: Sophie geb. Diedrich

Dos três irmãos Gerber somente Johann Friedrich foi para Curitiba, os registros da família Gerber que existem na Igreja Luterana de Curitiba, são todos de descendentes de Johann Friedrich.







terça-feira, 7 de outubro de 2014

JOHANNE LOUISE


Não, ainda não acabou a sucessão de tristezas ....

No dia 08  de  fevereiro de 1860, dois meses apenas após o falecimento de Carl August,  morreu  Johanne Louise, deixando os orfãos completamente sem assistência, veja aquiDois anos após a chegada no Brasil todos os adultos da família haviam falecido.


Joahnne Louise Brietzig
Billerbeck, Pommern
Com 23 anos de idade
Residente em Joinville
Dia e hora do falecimento: 8 de fevereiro (de 1860)
Pai: Gerber, padastro (stiefvater)
Data do funeral: 09 de fevereiro
Local: dito (Joinville, cemitério dos imigrantes, rua XV de novembro)

Tristeza número 6 e última ... enfim ....

Essas quatro pessoas, o bêbe, a mãe e o pai e Johanne Louise, foram sepultadas no Cemitério dos Imigrantes, situado na atual rua XV de Novembro na região central de Joinville. 





Esse cemitério é o único tombado pelo patrimônio histórico no Brasil (Iphan) e não realiza sepultamentos há mais de cem anos. Nele existem cerca 490 sepulturas e cerca de 2.000 sepultados.

Nenhum dos assentamentos dos óbitos esclarecem a causa da morte. Pode-se pensar na possibilidade de problemas no parto para o falecimento de Sophie e do bebê. Partos em navios eram temidos e perigosos, por significarem falta de condições sanitária mínimas e total ausência de assistência de parteira ou médico.

Pela proximidade entre os óbitos de Carl August e Joahnne Louise (2 meses) pode-se pensar em alguma doença contagiosa ou endêmica. Nos núcleos coloniais catarinenses do século XIX a proximidade com a mata atlântica propiciava a transmissão da febre amarela (conhecida como “vômito negro”) e da malária, a falta de preocupação higiênica gerava condições para tifo, cólera e surtos de varíola (“bexiga”). As doenças com maior incidência eram a febre amarela e a varíola.

Os três meninos ficaram sozinhos. Carl August com 13 anos de idade, Johann Friedrich com 10 e Ferdinand August com 8.


terça-feira, 30 de setembro de 2014

BÊBE, MÃE E PAI ... QUE TRISTEZA !!


Dois dias após a chegada da família na colônia Dona Francisca, dia 15 de janeiro de 1858 no meio da tarde faleceu uma menina, filha de Sophie e Carl August Gerber, conforme assentamento de óbito número 221 do ano de 1858 da Igreja de Confissão Luterana de Joinville, aqui.



Uma menina não batizada
Nascida no navio de imigrantes Emma
Com idade de 15 dias
Residente em Joinville
Dia e hora do falecimento: 15 de janeiro de 1858 às 4 horas da tarde (nachmittag)
Pai: August Gerber
Residente em Joinville
Profissão: trabalhador (arbeitsmann)
Mãe: Sofie, geb. Dietrich
Data do funeral: 17 de janeiro de 1858
Local do funeral: Joinville (cemitério na  atual rua 15 de novembro)

 A criança teria nascido a bordo do navio Emma no primeiro dia de janeiro de 1858 e falecido com 15 dias de idade. Foi sepultada dia 17 de janeiro na cidade de Joinville, no cemitério dos luteranos, localizado na atual rua XV de novembro. Teoricamente ficaram todos, sem a bebê.

Tristeza número 3

Quase dois anos depois, no mesmo livro de óbitos registro 303, foi assentado o falecimento do pai Carl August Gerber em 05 de dezembro de 1859, onde se lê que a esposa já havia falecido (die frau desselben verstorben). 



Carl August Gerber
Marienwalde, Pommern
Com 40 anos de idade
Residente em Kreuz strasse, Joinville
Landmann
Dia e hora do falecimento: 5 de dezembro (de 1859)
die frau deselben verstorben
Crianças: August 13 anos, Johann Friedrich 10 anos, Ferdinand August 8 anos e a enteada Johanne Louise Brietzig   
Data do funeral: 06 de dezembro
Local: dito (Joinville, cemitério dos imigrantes, rua XV de novembro)

Segundo a pesquisadora Brigitte Brandenburg de Joinville “O primeiro pastor alemão luterano de Joinville, aqui permaneceu de 1853 a 1858. Durante cinco anos, Joinville ficou sem pastor, que era substituído por professores ou pessoas da comunidade”, ou seja, por ocasião o falecimento do bebê, da mãe e do pai o assentamento dos óbitos era feito por outras pessoas da comunidade e vários óbitos simplesmente deixaram de ser registrados nos livros da igreja por esse motivo. 

Quando o pai Carl August Gerber faleceu as crianças já haviam perdido a mãe, cujo assentamento do óbito não foi feito. Ficaram então os três meninos, Carl agora com 13 anos, Johann Friedrich com 11 anos e Ferdinand com 8 anos, aos cuidados da jovem Johanne Louise Brietzig que contava na época 23 anos.

Tristeza número 4 e 5

terça-feira, 23 de setembro de 2014

O LOTE DOS GERBER NA COLÔNIA DONA FRANCISCA


Quando chegou à colônia Dona Francisca, Carl August adquiriu o lote n° 656 com 12.000 braças na Estrada da Cruz ou Kreuzstrasse. O lote fazia fundos com o rio Cachoeira, próximo a Estrada da Serra (depois Estrada Dona Francisca, parte da atual SC-301), no atual bairro Costa e Silva em Joinville, com localização aproximada 26°15'53 65''S 48°52'02 42'' W.



Casa de colono na Colônia Dona Francisca, 1865. Acervo do Museu da Imigração, Joinville.

O lote comprado por Carl August Gerber da "Sociedade Colonizadora de Hamburgo-1849”, ainda permanecia em poder dos herdeiros até 1861 (último registro feito pela sociedade), em dados do Arquivo Histórico de Joinville, Relatório de 1864.

Mapa da Colônia Dona Francisca (parte) - 1868
Acervo do Arquivo Histórico de Joinville

detalhe do mapa acima, em destaque lote 656


No mapa acima o Caminho do Meio (atual rua XV de Novembro) é a estrada localizada na parte inferior (horizontal), a Estrada da Cruz (atual rua Rui Barbosa) é uma transversal à Estrada da Serra, depois Estrada Dona Francisca  (atualmente rua Dona Francisca), no canto superior direito.




Fonte: 20º Relatório da direção da Sociedade Colonizadora de 1849 em Hamburgo, em dezembro de 1871, Hamburgo. Acervo do Arquivo Histórico de Joinville.



terça-feira, 16 de setembro de 2014

A COLÔNIA DONA FRANCISCA


D. Pedro II era o caçula de quatro irmãos. As três primeiras eram :

- Dona Maria da Glória, a D. Maria II de Portugal, que teve 3 casamentos, o primeiro com seu tio Dom Miguel,

- Dona Januária, que depois casou com Conde d'Áquila, Príncipe das Duas Sicílias, e

- Dona Francisca Carolina, que em 1843 casou com Francisco Fernando de Órleans, filho de Luís Felipe I, Rei de França, o Príncipe de Joinville, em quem estamos particularmente interessados.



Dona Francisca teve um belo dote, um milhão de francos além de 25 léguas quadradas, cerca de 155 mil hectares, no nordeste da província de Santa Catarina, entre os rios Pirabeiraba e Itapocu, o "Domínio Dona Francisca". A região era praticamente desabitada, com pequenos povoados no litoral. E cinco anos depois casamento ...
" ... Na Europa o ano de 1848 foi marcado por uma onda de revoluções que começou em Paris, com a derrubada da monarquia em 24 de fevereiro, passou pela Alemanha, Baviera, Áustria, Hungria e Milão, para chegar em seguida à Sicilia. Em pouco tempo, uma vasta área, centenas de pequenos reinos, ducados e principados, foram defenestrados do poder sem muita hesitação.  As próprias irmãs de d. Pedro sentiram na pele os efeitos do movimento. Francisca, casada com Luís Felipe de Orléans. rei da França deposto, é obrigada a se exilar na Inglaterra ...." (Schwarcz, pg 100) 
 Exilado e com dificuldades financeiras, em 1849 o príncipe e a princesa de Joinville passaram 8 léguas quadradas de terras ao senador hamburguês Christian Mathias Schroeder que deveria colonizá-las com imigrantes europeus. Em 1851 o senador Schroeder consegue fundar a "Sociedade Colonizadora 1849 Hamburguesa" e em 06 de março de 1851, chega a primeira leva de imigrantes, que comprariam seus lotes na colônia. Essa é a data da fundação da cidade de Joinville, a data da chegada da barca Colon. A "Sociedade" mudou de nome outras duas vezes, para "Sociedade Colonizadora de 1849 em Hamburgo" e depois "Sociedade Colonizadora Hanseática". Continuou atuando em Joinville até 1921.




Foto de Johann Niemeyer, provavelmente de 1866, da Colônia Dona Francisca, uma igreja católica do lado esquerdo, já demolida  e uma casa enxaimel do direito.



Fotos da colônia Dona Francisca, aqui e aqui. Outras fotos, aqui.

Fotos do Museu da Imigração Joinville, aqui

Fontes: 

"Centenário de Joinville" 1851 9 de março 1951

Ficker, Carlos - A História de Joinville,

Schwarcz, Lilia M. - As barbas do Imperador, 

Wikipedia, Joinville


terça-feira, 9 de setembro de 2014

A VIAGEM DOS GERBER


Em 31 de outubro de 1857, a família Gerber saía de Hamburgo na Alemanha rumo a colônia Dona Francisca (Joinville) no Brasil, a bordo do navio Emma. 

Viajaram o pai Carl August com 37 anos, a mulher Sophie com 44 anos de idade no final da gravidez, os meninos Carl com 11 anos, Johann Friedrich com 10 anos e Ferdinand com 6 anos e a jovem enteada Johanne Louise Brietzig com 21 anos de idade, veja aqui.

Comparando-se com as demais travessias transatlânticas, a dos Gerber foi relativamente rápida e tranquila, durou 49 dias, segundo o capitão. Segundo os dados do desembarque, a viagem teria durado 73 dias (a confirmar).

A família chegou a colônia dia 12 de janeiro de 1858 e desembarcou dia 13, no porto da cidade de São Francisco do Sul.


O capitão do navio, senhor Friedrichsen, em 1893 escreveu uma carta ao jornal joinvillense “Kolonie Zeitung” onde disse que :
“Esta foi, entre as minhas viagens, a mais inesquecível porque todos eram dos melhores e mais bravos passageiros; quantos dias alegres e divertidos convivemos sobre o oceano naquele período! Após 49 dias de viagem, chegamos em 12 de janeiro de 1858 no Rio de São Francisco, após uma viagem bem-sucedida. Após me despedir dos passageiros com fortes apertos de mãos, e desejar a todos uma boa sorte na nova caminhada, que a eles todos o futuro reservasse o melhor, e que todos os seus desejos e esperanças fossem alcançados na nova pátria, e em muito mais do que haveriam por desejar, vi meus queridos passageiros, os novos colonizadores, partindo rio acima em direção a Colônia.” (Böbel, pg.239)
O navio ancorava no porto da cidade de São Francisco do Sul (foto acima), os imigrantes iam de bote até a região da colônia Dona Francisca, rio acima (foto abaixo),
"... Depois da chegada no Porto de São Francisco, os imigrantes, inclusive suas bagagens, são transferidos para Joinville, por barcos da Colônia, sem custo algum. A "direção da Colônia se responsabiliza pelo transporte de toda a bagagem - desde que esta seja registrada nos documentos - do navio até o armazém de carga de Joinville. Lá, será guardada até que os proprietários venham buscá-la. Durante os primeiros quatro dias, os imigrantes receberão alimentação (ilegível no original) nos restaurantes locais e hospedagem livre nas casas de recepcão pelo menos durante os primeiros três meses. Durante um ano receberão atendimento médico gratuito e em caso de necessidade, internação e atendimento em hospital, mesmo não tendo recursos para tal... "
  Da Pasta Documentos Alemães do Arquivo de Joinville, daqui



Porto de Joinville no final do séc. XIX, no rio Cachoeira. Essa e outras fotos, daqui.

Böbel, Maria Teresa - Joinville - os pioneiros: documento e história, Joinville, Univille